Reflexões sobre o sionismo e Israel

Avraham Milgram

Resumo


Este trabalho apresenta algumas reflexões sobre a emergência do sionismo herzliano, à luz das discriminações e do antissemitismo vigentes na Europa no final do século XIX, examinando suas transformações ao longo do tempo. Mostra a oposição inicial dos judeus ortodoxos e, após o final da Segunda Guerra Mundial, quando milhões de judeus foram dizimados, o reforço à tese sionista pelo processo de descolonização dos países do norte da África e pela consequente expulsão das comunidades judaicas para Israel. O sionismo não conseguiu resolver a questão judaica com o estabelecimento do Estado de Israel há 60 anos, uma vez que os mecanismos ideológicos antissemitas que continuam a culpar os judeus por algo que não cometeram não perdem vitalidade; os judeus da diáspora vêm sendo associados ao Estado de Israel e aos desígnios de sua política como se fossem responsáveis pela mesma. Desde seus primórdios, o movimento Sionista e o Estado de Israel se confrontaram com a questão da população árabe. Seis décadas após a independência, a integração e normalização de Israel no Oriente Médio depende em grande parte da sua inserção na região, da sua aceitação e legitimidade para ser um Estado Judeu e da pacificação de suas relações com o povo palestino e da resolução das questões vitais e pendentes do conflito.

 

Reflexions about Zionism and Israel - Abstract: This paper offers several reflections about the emergence of Herzlian Zionism, shedding light upon discrimination and antisemitism present in Europe in late 19th century and examining its transformations over the course of time. It shows the initial opposition of orthodox jews and, after the Second World War, when millions of jews were exterminated, the reinforcement of the Zionist thesis through the decolonization process of North African countries and through the consequent expel of Jewish communities to Israel. Zionism didn’t succeed in solving the Jewish question with the establishment of the State of Israel sixty years ago, since anti-semitic ideological mechanisms that continue to blame Jews for something they didn’t commit do not loose vitality; diasporaJews are being associated to the State of Israel and to the purposes of its politics as if they were responsible for it. Since its origin, the Zionist movement and the State of Israel have faced the Arab population affair. Six decades after independence, integration and normalization of Israel in the Middle East depends a great dealon its insertion in the region, on its acceptance and lawfulness in order to exist as a Jewish State and on the pacification of its relations with the Palestinian people and on resolution of vital and pendant questions of the conflict.

 


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