As imagens do libelo de sangue e crime ritual: o anacronismo e a sobrevivência entre os casos de Trento (1475) e Kiev (1911)

Vinicius de Freitas Morais

Resumo


Neste artigo, busca-se sugerir, a partir nos casos de libelo de sangue ocorridos em Trento (1475) e Kiev (1911), pistas de possíveis sobrevivências de uma memória cultural ligada às lendas de crime ritual e libelo de sangue em representações visuais de dois meninos cristãos mortos. Ao se analisar e comparar essas imagens feitas em localidades e temporalidades díspares, notam-se mecanismos de sobrevivência em detalhes presentes na gravura do Simão de Trento e na fotografia do Andrei Yuschinsky. As nuances imagéticas pautadas numa oposição entre o dionisíaco e o apolíneo possibilitaram, como será discutido, a cristalização de uma imagem na memória coletiva que garantiria um lugar comum imagético para a representação de crianças supostamente sacrificadas pelos judeus a partir do século XV até meados do XX.

 

The images of blood libel and ritual crime: anachronism and survival between the cases of Trent (1475) and Kiev (1911) - Abstract: Based on two blood libel cases which occurred in Trent (1475) and Kiev (1911), the aim of this article is to indicate some clues for the possible survival of a cultural memory attached to the legends of ritual murder and blood libel in visual representations of two dead Christian boys. By analyzing and comparing these images of different locality and temporality, we can notice mechanisms of survival in details, which are present on both the Simon of Trent’s woodcut and Andrei Yuschinsky’s photography. These nuances of the images, which are based in an opposition between Dionysian and Apollonian, would make it possible, as it will be discussed, the crystallization of an image in the collective memory that would guarantee a common place to the visual representation of kids who were supposedly sacrificed by the Jews from the 15th century until the 20th


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