Literatura Judaica e o Intertexto Bíblico

Luis Sérgio Krausz

Resumo


Este artigo analisa o desenvolvimento do uso de expressões, citações, alusões e referências provenientes dos textos da bíblia hebraica no desenvolvimento de uma literatura profana em hebraico. Tomando como ponto de partida o surgimento de uma lírica profana hebraica no contexto da Andaluzia do Século de Ouro, discute-se o surgimento da moderna literatura hebraica na Alemanha do fim do século XVIII, para então refletir sobre os desdobramentos desta literatura ao longo do século XIX e sobre o papel aí desempenhado pelo acervo de referências bíblicas. No século XX, o nome de S. Y. Agnon surge como o mestre inconteste na arte de jogar com o intertexto bíblico, na medida em que ele toma fragmentos da tradição e os emprega, em sua obra, com propósitos irônicos. A Bíblia, por meio de suas referências, cria, em toda a tradição da literatura hebraica diaspórica, um texto oculto, subjacente às obras literárias criadas em seu idioma, multiplicando as dimensões desta literatura. Esta dimensão oculta, porém, perdese entre os autores que têm o hebraico como língua-mãe, e nãom como uma língua reservada a âmbitos sagrados e metafísicos.

 

Hebrew Literature and the Biblical Intertext - Abstract: This article analyses the development of the use of expressions, quotations, allusions and references from the texts of the Hebrew Bible in the development of a secular literature in Hebrew. Departing from the origins of the profane lyrical poetry composed in Hebrew in Andalusia, during the Golden Century, it discusses the origins of modern Hebrew literature in the XVIII century Germany and then proceeds to examine the development of this literature in the XIX century in Eastern and Central Europe. In the XX century, the name of S. Y. Agnon appears as the undisputed master in the art of playing with the biblical text, in so far as he employs fragments of the tradition with ironic purposes in his works. The Bible, by means of its references, creates a hidden text, as it were, surrounding all Hebrew literature and multiplying its dimensions. This hidden dimension, however, will disappear among authors for whom Hebrew was a mother-tongue, and not a language reserved to sacred, metaphysical realms.


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