Tão dúbio, tão coerente: forma e conteúdo nas crônicas jornalísticas de Sayed Kashua

Juliana Portenoy Schlesinger

Resumo


Este artigo consiste na análise de duas crônicas jornalísticas do escritor árabe-israelense Sayed Kashua publicadas no jornal israelense Haaretz. Estes textos são selecionados devido à sua riqueza de conteúdo e pelo uso de estratégias retóricas, tais como a autoironia e o sarcasmo, para expor os conflitos pelos quais passa o “eu do cronista” retratado pelo autor. Este estudo tem como base os Estudos Culturais e os Novos Paradigmas Literários, ferramentas que permitem o estudo das crônicas jornalísticas como textos literários. Nestas crônicas, de uma maneira despretensiosa, partindo de experiências subjetivas e de temas familiares, com autoironia e tom satírico, Kashua reporta as experiências de um árabe israelense que vive num embate em torno de suas duplas lealdades e ideologias conflitantes, refletindo uma negociação entre sua etnicidade e sua nacionalidade. A crônica, neste contexto, é considerada o local apropriado para a escrita de Kashua: a ambiguidade do gênero é similar à necessidade de quebras de dualidades na sociedade israelense para entendermos e convivermos com o “eu do cronista” de Sayed Kashua.

 

So dubious, so coherent: form and content in Sayed Kashua´s journalistic chronicles - Abstract: This paper consists of the literary analysis oftwo journalistic chronicles written in Hebrew by the Muslim Arab Israeli author Sayed Kashua published in the Israeli newspaper Haaretz. These texts are selected due to their richness of content and use of rhetorical strategies such as self-irony and sarcasm to expose the conflicts through which the “I of the chronicler” portrayed by the author goesthrough. This analysis will rely on theoretical assumptions of Cultural Studies and the “New literary paradigms”, tools that will enable us to study the journalistic chronicle as a literary text. In these chronicles, in a non-pretentious way, coming from the subjective experiences and family topics, with self-irony and in a satirical way, Kashua reports the experiences of an Israeli Arab who lives in a clash over his dual loyalty and conflicting ideologies, reflecting a negotiation between his ethnicity and his nationality. The chronicle, in this context, is considered the appropriate location for Kashua’s writings: the ambiguity of the literary genre is similar to the necessity of breaking dualities in Israeli society to understand and to be acquainted with the “I of the chronicler” of Sayed Kashua.


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