Modelo de natureza humana, universalismo ético e ideal democrático em Espinosa

Marcos André Gleizer

Resumo


Segundo o historiador Isaac Deutscher, Espinosa pertence à tradição dos "judeus não judeus" que buscaram ultrapassar as fronteiras particulares do judaísmo e formular uma perspectiva humana universalista. Como toda tese filosófica, a defesa desta perspectiva universalista não é isenta de dificuldades de natureza metafísica, epistemológica, ética e política. No caso do pensamento de Espinosa, estas dificuldades se manifestam quando procuramos compreender como a sua tese de que a razão é capaz de fornecer uma norma ética universal se articula com outros elementos centrais de seu sistema. Minha intenção nesse artigo é apresentar e discutir estas dificuldades com o intuito de defender a atribuição a Espinosa de uma concepção coerente de universalismo ético, indicando, ao final, como este universalismo repercute no privilégio que Espinosa concede ao ideal democrático em seu pensamento político.

 

The model for human nature, ethical universalism and democratic ideals in Spinoza - Abstract: According to the historian Isaac Deutscher, Spinoza belongs to the tradition of ‘the non-Jewish Jews’ who tried to transcend the particular boundaries of Judaism and to formulate a universalistic human perspective. Like every philosophical thesis, the defense of this universalistic perspective is not free from metaphysical, epistemological, ethical and political difficulties. In Spinoza’s case, these difficulties manifest themselves when we try to understand how to accord his thesis that reason is able to formulate a universal ethical norm with other central tenets of his system. In this article, I propose to discuss these difficulties in order to defend the attribution of a coherent conception of ethical universalism to Spinoza, and to indicate how this conception reflects itself in the privilege accorded to the democratic ideal in his political thought.


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