Aolá e Aolibá (Ezequiel 23): o que devemos fazer com este texto?

Athalya Brenner

Resumo


Esta é uma (re)leitura do capítulo Ezequiel 23, da Bíblia Hebraica, interpretando-o sob uma perspectiva feminista. É Deus quem fala por meio de um mortal, Ezequiel, e seu discurso apresenta duas mulheres irmãs e igualmente pecadoras, relacionando-as diretamente a duas cidades do Reino de Israel: Aolá é Samaria e Aolibá, Jerusalém. A metáfora sugere a transferência dos pecados das mulheres prostitutas – que serão, por isso, severamente castigadas – a toda a cidade, passando a uma concepção de mulheres em geral como potencialmente prostitutas e idólatras. A (re)interpretação de Ezequiel 23 aponta para a presença de uma certa concepção subjacente da natureza feminina como potencialmente negativa, enquanto a natureza masculina assume valor positivo, concluindo por mostrar, com base em Isaiah 66.10-14, a possibilidade de uma forma diferente de tratamento da mulher, mesmo dentro do texto bíblico.

 

Oholah and Oholibah (Ezekiel 23): what should we do with this text? - Abstract: This is a (re)reading of chapter Ezekiel 23, of the Hebrew Bible, interpreting it in a feminist perspective. It is God who speaks through a mortal, Ezekiel, and her speech presents two sisters also sinful, linking them directly to two cities in the Kingdom of Israel: Oholah is Samaria and Oholibah is Jerusalem. The metaphor implies the transfer of sins of those women prostitutes – who because of that will be severely punished – to the entire city, passing a conception of women in general as potentially prostitutes and idolaters. The (re) interpretation of Ezekiel 23 points to the presence of a certain underlying conception of nature feminine as potentially negative, while the male takes positive value nature and concludes by showing, based on Isaiah 66.10-14, the possibility of a different way of treatment of women, even within the biblical text


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