Arnold em Aysheshok, Schiller em Shnipishok: imperativos da “cultura” no nacionalismo e socialismo judaicos da Europa Oriental

Kenneth B. Moss

Resumo


Neste artigo pesquisa-se o esforço feito por nacionalistas culturais judeus na Rússia e na Ucrânia revolucionárias para definir, criar, disseminar e institucionalizar a assim chamada “nova cultura judaica”, durante os primeiros anos da Revolução Russa. Embora se priorizem, no artigo, dois campos opostos de intelectuais e ativistas nacionalistas judeus (um voltado à preponderância da língua hebraica e o outro ao predomínio da língua iídiche nessa nova cultura), revelam-se as concepções de cultura partilhadas que formataram tanto os esforços hebraístas como os iidichistas e que cruzaram o paralelo político divisor entre os nacionalismos sionista e da diáspora judaica. Particularmente, demonstram-se as maneiras como nacionalistas judeus assumidos sentiram-se compelidos a subordinar usos da cultura tipicamente nacionalistas para regulamentar ideais de autonomia estética, cultura como um ambiente para o cultivo de individualidade moderna e cultura como um fim antes de um meio de mobilização. Pela mesma razão, embora se focalize o período revolucionário, argumenta-se que os esforços culturais do período 1917-1919 marcam o ápice dos desenvolvimentos ideológicos que vinham tomando forma na vida judaica da Europa Oriental desde os anos 1890. Assim, embora numa seção final examinem-se as maneiras pelas quais a consolidação do poder bolchevique subordinou esse projeto cultural judaico às demandas da revolução após 1919, na maior parte do artigo considera-se o período 1917-1919 para sugerir como o nacionalismo cultural judaico europeu oriental foi substancialmente reformado por um conceito de cultura sobre arte e individualidade geralmente associado às ideias europeias ocidentais do século XIX.

 

Arnold in Aysheshok, Schiller in Shnipishok: “cultural” imperatives in Jewish nationalism and socialism in Eastern Europe - Abstract: This article investigates the efforts of Jewish cultural nationalists in revolutionary Russia and Ukraine to define, create, disseminate, and institutionalize a so-called “new Jewish culture” during the first years of the Russian Revolution. Although the article focuses on two opposing camps of Jewish nationalist intellectuals and activists (one committed to the primacy of the Hebrew language in this new culture and the other to the primacy of the Yiddish language), it reveals the shared conceptions of culture that shaped both Hebraist and Yiddishist efforts and traversed the parallel political divide between Zionism and Jewish diaspora nationalisms. In particular, it demonstrates the ways in which declared Jewish nationalists felt compelled to subordinate typical nationalist uses of culture to regulative ideals of aesthetic autonomy, culture as a site for the cultivation of modern individuality, and culture as a national end rather than as a means of mobilization. By the same token, although the article focuses on the revolutionary period, it argues that the cultural efforts of the 1917-1919period marked the culmination of ideological developments that had been taking shape in East European Jewish life since the 1890s. Thus, although a final section examines the ways in which the consolidation of Bolshevik power subordinated this Jewish cultural project to the demands of the Revolution after 1919, the bulk of the article uses the 1917-1919 moment to suggest how East European Jewish cultural nationalism was substantially reshaped by a concept of culture we tend to associate with 19th century Western European ideas of art and individuality.


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