A formação de um sindicalismo de agricultores familiares no Sul do Brasil

Everton Picolotto

Resumo


      Este trabalho objetiva analisar como ocorreu o processo de formação de um sindicalismo específico de agricultores familiares na região Sul do Brasil. Por meio de análise documental e de entrevistas com lideranças e assessores sindicais busca-se resgatar a trajetória do novo sindicalismo rural no Sul. Parte-se de um debate no setor rural da CUT nos anos de 1980 e início dos 1990 sobre a possibilidade de formação de sindicatos específicos de pequenos produtores
e de assalariados rurais, analisa-se como esse debate foi levado para dentro da CONTAG no processo de unificação formal do sindicalismo dos trabalhadores rurais em meados da década de 1990, os conflitos de posições gerados nesta
nova condição e a formação de uma dissidência no Sul que levou a construção de um sindicalismo de agricultores familiares por meio da fundação da FETRAF-Sul em 2001. Da análise do campo de forças no sindicalismo, procura-se compreender como foi sendo gestada a possibilidade de formação, primeiramente, de um movimento pela afirmação social e política da agricultura familiar na região Sul e,
posteriormente, de uma estrutura sindical específica de agricultores familiares no país, oportunizando a criação de novos canais de manifestação de demandas e identidades e de reconhecimento social.


Palavras-chave


Sindicalismo. Agricultura familiar. Reconhecimento. FETRAF. Região Sul.

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