Percepções dos profissionais de saúde do SUS sobre religiosidade/espiritualidade no contexto hospitalar

Autores

  • Tiago D'Oliveira Silva UFRGS
  • Luciana Fernandes Marques

DOI:

https://doi.org/10.54909/sp.v2i2.74125

Resumo

Sendo o Brasil um país de uma enorme diversidade religiosa, pode-se inferir que a demanda para trabalhar as intersecções da religiosidade e espiritualidade (R/E) nos atendimentos de saúde pode ser maior do que o esperado e maior do que os profissionais de saúde estejam preparados para lidar. Este trabalho buscou investigar se os profissionais de saúde de um hospital-escola de Porto Alegre têm algum aprendizado formal dentro das suas formações sobre o tema da R/E e o quanto estão receptivos para lidar com religiosidades/espiritualidades diferentes da sua e talvez desconhecidas. Foi feita uma entrevista semiestruturada com 14 profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais) com o objetivo de conhecer as percepções deles no que se refere a como abordam a questão da R/E no contexto hospitalar. Após análise de conteúdo, os resultados foram divididos em três eixos temáticos: boas e más práticas de assistência espiritual no contexto hospitalar, R/E na saúde e formação. Cada um desses eixos foi subdividido e agrupado em outras categorias. Foi possível observar que o tema da R/E aparece cotidianamente no contexto hospitalar, ora promovendo reflexões e incentivando uma maior integralidade no cuidado com o paciente, ora sendo invisível ou de difícil abordagem. As conclusões apontam para a necessidade de maior inserção do tema da R/E na graduação e maior oferta de educação continuada nesses temas no sentido de gerar uma formação mais adequada para que os profissionais de saúde no contexto hospitalar possam instrumentalizar-se com essa temática.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Tiago D'Oliveira Silva, UFRGS

Graduado em Ciência da Computação (UFRGS, 2006), Graduado em Psicologia (UFRGS, 2016), Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino na Saúde (Faculdade de Medicina da UFRGS, 2017).Analista de Tecnologia da Informação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Luciana Fernandes Marques

Graduada em Psicologia (PUCRS, 1992), Mestre em Psicologia Social e da Personalidade (PUCRS, 1994), Doutora em Psicologia (PUCRS, 2001) e com Pós-Doutorado em Psicologia UFRGS (2008) e em Psicologia ISCTE-IUL, Lisboa (2013). Professora Adjunta IV da Faculdade de Educação da UFRGS e Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação Ensino na Saúde (Faculdade de Medicina UFRGS). Tem experiência em várias áreas, com ênfase em: Educação e Saúde, Psicologia, Religiosidade/Espiritualidade.http://www.ufrgs.br/prescee

Referências

ALLEN, J. D. et al. Religious beliefs and cancer screening behaviors among Catholic Latinos: implications for faith-based interventions. Journal of Health Care for the Poor and Underserved, Thousand Oaks, v. 25, no. 2, p. 503-526, May 2014.

ALTMANN, W. Censo IBGE 2010 e Religião (IBGE 2010 Census and Religion). Horizonte, Belo Horizonte, v. 10, n. 28, nov. 2012. Disponível em:

<http://periodicos.pucminas.br/index.php/horizonte/article/view/P.2175-5841.2012v10n28p1122/7901>. Acesso em: 31 jul. 2018.

ALVES, J.S.; JUNGES, J. R.; LÓPEZ, L. C. A dimensão religiosa dos usuários na prática do atendimento à saúde: percepção dos profissionais de saúde. Mundo saúde, São Paulo, v. 34, n. 4, p. 430-436, 2010.

ASHMOS, D. P.; DUCHON, D. Spirituality at work: a conceptualization and measure. Journal of Management Inquiry, San Antonio, v. 9, no. 2, p. 134-145, June 2000.

BRASIL. Portaria no 971, de 03 de maio de 2006. Aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, 2006.

BRASIL. Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2009.

BRASIL. Ministério da Saúde. Humaniza SUS - Política Nacional de Humanização: documento base para gestores e trabalhadores do SUS. Brasília: Ministério da Saúde Brasília, 2004. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/humanizaSus_doc_base.pdf>. Acesso em: 14 jul. 2015.

CASTILHO, C. N.; CARDOSO, P. T. Espiritualidade, religiosidade e religião nas políticas públicas de saúde: um olhar para a integralidade. Revista Família, Ciclos de Vida e Saúde no Contexto Social, Uberaba, v. 3, n. 1, p. 28-39, 2015. Disponível em:

<http://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/refacs/article/view/1032/894>. Acesso em: 31 jul. 2018.

CAVALHEIRO, C. M. F.; FALCKE, D. Espiritualidade na formação acadêmica em psicologia no Rio Grande do Sul. Estudos de Psicologia (Campinas), Campinas, v. 31, n. 1, p. 35-44, mar. 2014.

DEWALL, C. N. et al. Explaining the relationship between religiousness and substance use: Self-control matters. Journal of Personality and Social Psychology, Washington, v. 107, no. 2, p. 339-351, 2014.

ESPÍRITO SANTO, C. C. et al. Diálogos entre espiritualidade e enfermagem: uma revisão integrativa da literatura. Cogitare Enfermagem, Curitiba, v. 18, n. 2, jun. 2013. Disponível em: <http://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/32588>. Acesso em: 23 dez. 2016.

EVANGELISTA, C. B. et al. Spirituality in patient care under palliative care: a study with nurses. Escola Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 20, n. 1, p. 176-182, 2016. Disponível em: <http://www.gnresearch.org/doi/10.5935/1414-8145.20160023>. Acesso em: 31 jul. 201o.

KOENIG, H. G. Religion, spirituality, and medicine: research findings and implications for clinical practice. Southern Medical Journal, Birmingham, v. 97, no. 12, p. 1194-1200, dez. 2004.

_____. Research on religion, spirituality, and mental health: a review. Canadian Journal of Psychiatry, Ottawa, v. 54, no. 5, p. 283-291, 2009.

_____. Spirituality in patient care: why, how, when, and what. 3rd ed. West Conshohocken, PA: Templeton Press, 2013. 344 p.

LAABS, J. J. Balancing spirituality and work. Personnel Journal, Baltimore, v. 74, no. 9, p. 60-77, 1995.

LATOUR, B. “Não congelarás a imagem”, ou: como não desentender o debate ciência-religião. Mana, Rio de Janeiro, v. 10, n. 2, p. 349-376, out. 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132004000200005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt>. Acesso em: 31 jul. 2018.

LIND, B.; SENDELBACH, S.; STEEN, S. Effects of a spirituality training program for nurses on patients in a progressive care unit. Critical Care Nurse, Secaucus, v. 31, no. 3, p. 87-90, July 2011.

MARR, L.; BILLINGS, J. A.; WEISSMAN, D. E. Spirituality training for palliative care fellows. Journal of Palliative Medicine, Larchmont, v. 10, no. 1, p. 169-177, Feb. 2007.

MINAYO, M. C. S. Análise qualitativa: teoria, passos e fidedignidade. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 3, p. 621-626, mar. 2012.

MOREIRA-ALMEIDA, A.; KOENIG, H. G.; LUCCHETTI, G. Clinical implications of spirituality to mental health: review of evidence and practical guidelines. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 36, n. 2, p. 176-182, abr. 2014.

PANZINI, R. G.; BANDEIRA, D. R. Coping (enfrentamento) religioso/espiritual. Revista de Psiquiatria Clínica, São Paulo, v. 34, p. 126-135, 2007.

PERES, M. F. P. et al. A importância da integração da espiritualidade e da religiosidade no manejo da dor e dos cuidados paliativos. Revista de Psiquiatria Clínica, São Paulo, v. 34, p. 82-87, 2007.

QUEIROZ, N. R.; PORTELLA, L. F.; ABREU, A. M. M. Associação entre o consumo de bebidas alcoólicas e tabaco e a religiosidade. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 28, n. 6, p. 546-552, dez. 2015.

SCOTT, M. et al. Influencia de pares, familia, espiritualidad, entretenimiento y consumo de drogas en estudiantes de Universidad en Manabi, Ecuador. Texto & Contexto Enfermagem, Florianópolis, v. 24, n. spe, p. 154-160, 2015.

SILVA, E. V. M. et al. A formação de profissionais de saúde em sintonia com o SUS: currículo integrado e interdisciplinar. Núcleo de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde do CONASEMS. Brasília: Ministério da Saúde, 2008.

SOUZA, V. M. et al. Espiritualidade, religiosidade e crenças pessoais de adolescentes com câncer. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 68, n. 5, p. 791-796, out. 2015.

WASNER, M. et al. Effects of spiritual care training for palliative care professionals. Palliative Medicine, Cambridge, v. 19, no. 2, p. 99-104, Feb. 2005.

WEBER, S. R.; PARGAMENT, K. I. The role of religion and spirituality in mental health. Current Opinion in Psychiatry, Philadelphia, v. 27, no. 5, p. 358–363, Sep. 2014.

Downloads

Publicado

2018-08-08

Como Citar

SILVA, T. D.; MARQUES, L. F. Percepções dos profissionais de saúde do SUS sobre religiosidade/espiritualidade no contexto hospitalar. Saberes Plurais: Educação na Saúde, [S. l.], v. 2, n. 2, p. 134–147, 2018. DOI: 10.54909/sp.v2i2.74125. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/saberesplurais/article/view/74125. Acesso em: 30 set. 2022.