Terminologia e perspectivação: um estudo sincrônico dos termos utilizados no cultivo do cacau

Celiane Sousa Costa, Marilucia Barros de Oliveira

Resumo


Este trabalho consiste numa descrição terminológica do cultivo do cacaueiro em Medicilândia/Pará (Costa, 2009), apontando as relações sociais (Faulstich, 1999b; Gaudin, 1993a, 2003a) e cognitivas (Langacker, 2013) envolvidas no estabelecimento de usos terminológicos concretos convencionalizados pelos grupos envolvidos. O objetivo é investigar aspectos que levam a alterações linguísticas promovendo termos que representam a variação terminológica de grupos diferentes numa mesma atividade especializada. Os parâmetros de composição da amostra dizem respeitos aos profissionais, às entidades e ao tipo de lavoura. A coleta de dados foi realizada com o intuito de recolher a terminologia procedente de uma rotina de trabalho em interações mais espontâneas possíveis. Percebeu-se que a linguagem especializada do cacau revela o efeito de discursos ambientais. A hipótese central desenvolvida é de que a perspectivação atua na variação terminológica, em que há uma pressão contextual do fator social, motivando análises de termos e promovendo variação. As unidades terminológicas vinculadas nos textos especializados de diferentes entidades circunscrevem social, funcional e cognitivamente os usuários, as entidades, as concepções ecológicas vigentes, no espaço e tempo. Espera-se que este trabalho possa ser útil aos estudos sobre o mecanismo de circulação dos termos e o funcionamento da linguagem.

Palavras-chave


terminologia; estrutura social; perspectivação; variação terminológica

Texto completo:

PDF

Referências


Aito, Emmanuel (2000). Terminologie, dénomination et langues minoritaires face à la modernité: vers une interrogation soucieuse du social. Revue Terminologie et diversité culturelle. Montréal: Rifal. Terminologies Nouvelles, n°. 21, p. 46-51.

Costa, Celiane Sousa (2009). Glossário terminológico da cultura do cacau em Medicilândia/PA. Belém, PA: Universidade Federal do Pará, Instituto de Letras e comunicação. [Dissertação de Mestrado]

Faulstich, Enilde L. de J. (1999d). Princípios formais e funcionais de variação em terminologia. Seminário de Terminologia Teórica. Barcelona.

Ferrari, Lilian (2014). Introdução à linguística cognitiva. São Paulo: Contexto.

Gaudin, François (2003a). Socioterminologie: une approche sociolinguistique de la terminologie. Bruxelas: Duculot (Coleção Champs linguistiques).

_________ (1994b). La socioterminologie: presentation et perspectives. Revista Langage et travail, Cahier n°. 7, p. 6-15.

________ (1993a). Pour une socio-terminologie: des problèmes sémantiques aux pratiques institutionnelles. Rouen: Publications de l'Université de Rouen.

________ (1993a). Socioterminologie: du signe au sens, construction d'un champ. Meta, v. 38, n°. 2, Presses de l'Université de Montréal, p. 293-302. Disponível em:

Grondelaers, Stefan; Speelman, Dirk & Geeraerts, Dirk (2007). Lexical variation and change. In: Geeraerts, Dirk & Cuyckens, Hubert (Ed.). The Oxford Handbook of Cognitive Linguistics. New York: Oxford University Press, p. 987-1011.

Langacker, Ronald W. (2013). Essentials of cognitive grammar. United States of America/New York: Oxford University Press.

_________ (2007). Cognitive Grammar. In: Geeraerts, Dirk & Cuyckens, Hubert (Ed.). The Oxford Handbook of Cognitive Linguistics. New York: Oxford University Press, p. 421-462.

Traugott, E. C; Trousdale, G. (2013). The framework. Constructionalization and constructional changes. Oxford: Oxford University Press, p. 11-44.

Verhagen, Arie (2007). Construal and perspectivation. In: Geeraerts, Dirk & Cuyckens, Hubert (Ed.). The Oxford Handbook of Cognitive Linguistics. New York: Oxford University Press, p. 48-81.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Debate Terminológico
http://seer.ufrgs.br/riterm/