Desenvolvimento rural e ontologias em disputa: o caso do artesanato no noroeste de Minas Gerais

Gustavo Meyer, Flavia Charão Marques, Guilherme Francisco Waterloo Radomsky

Resumo


Este artigo sugere, a partir de etnografia endereçada a uma rede de “artesanato de tradição” em Minas Gerais, uma renovação no emprego de categorias analíticas distintas (interface, subjetividade, bricolagem, fluidez, intensidade, unicidade e intencionalidade) na análise de processos identificados como de desenvolvimento. Com base em dados empíricos, sugere-se que a abertura para uma pluralidade ontológica com o intuito de análise constitui via importante de aproximação à realidade social, relativizando contradições e incorporando possibilidades adicionais de conexão entre os atores sociais, sem deixar rastros teleológicos. Se reconhece, nos afetos e devires, a possibilidade de colocar em perspectiva o encontro entre diferentes realidades, informações, racionalidades, ontologias e conteúdos na constituição de uma ideia de desenvolvimento.


Palavras-chave


contradição; afeto; ator social; tradição

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