A crise de extinção? Cosmopolíticas e conservação da biodiversidade no norte-amazônico brasileiro

Felipe Vargas

Resumo


Neste texto, exploro os contornos da problemática que eclode com as pesquisas em conservação da biodiversidade no norte-amazônico, a partir da dimensão temporal encapsulada na relação, in situ, entre pesquisadores das ciências biológicas e indígenas (etnias dessana e macuxi) que habitam no interior ou nos arredores de dois sítios de coleta científicos: a Reserva de Desenvolvimento Sustentável de São João do Tupé, Manaus/AM e a Estação Ecológica de Maracá, em Alto Alegre/RR, em 2014 e 2015. Se um dado biológico se fabrica junto às constrições de tempo da pesquisa, sejam elas planejadas ou imponderáveis (climáticas, logísticas, financeiras, pragmáticas etc.), o encontro de perspectivas permite outra experiência de tempo. A análise se orienta por indícios que sugerem, no mínimo, dois eixos de aproximação: a relação entre os instrumentos científicos, os corpos e habilidades na produção dos dados biológicos, e a relação entre a produção destes últimos e os efeitos (cosmo)políticos do encontro de perspectivas a campo. Ambos são atravessados pela dimensão temporal. Disso resulta uma reflexão especulativa em torno à dimensão epistemológica da produção de conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e também a eclosão de uma crítica potente ao modo de relação entre biodiversidade e sociedade, e ao que se chama “crise de extinção”.

Palavras-chave


conservação; biodiversidade, entre-saberes, cosmopolítica; norte-amazônico brasileiro.

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Referências


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VARGAS, Felipe. “Você precisa estar na mata”. Entre-saberes e modos de engajamento nas práticas de conservação da biodiversidade no norte-amazônico brasileiro. Tese. Doutorado em sociologia. Porto Alegre: Programa de Pós-Graduação em Sociologia. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2017.


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