ROMPENDO VELHOS PRECONCEITOS PARA CONSTRUIR NOVOS CONCEITOS: RUPTURAS E PERMANÊNCIAS DO CONTEÚDO DA HISTÓRIA DENTRO DO ÂMBITO ESCOLAR

Adriana Picheco Rolim

Resumo


O presente trabalho aborda a questão das rupturas e permanências do conteúdo pertinente à disciplina de História no âmbito escolar, a partir da conjuntura no final da década de 1960 aos dias atuais. Durante a vigência da ditadura civil-militar, a partir de 1969, foram instituídas as disciplinas de Organização Social e Política Brasileira (OSPB) e Moral e Cívica no currículo escolar, como consequências, suprimiram-se algumas disciplinas, entre elas a História. Passados os anos, o conteúdo desenvolvido nas salas de aula convive, na prática, com alguns vícios do passado, além dos grandes desafios enfrentados hoje pela educação no Brasil, o aprendizado e a construção deste, encontra o desafio de desmistificar a ordem cronológica dos acontecimentos da historiografia e de destituir os mitos heroicos das guerras e revoluções. A visão positivista e geral da História evidencia uma "macro" exposição do conteúdo, tangido em vocábulos de exaltação de nomes importantes, datas a se comemorar e acontecimentos tão distantes, que vislumbram roteiros de filmes de uma Hollywood clássica. Com o valoramento do social e dos sujeitos inclusivos, no contexto de redemocratização, onde o aluno contempla a construção do seu saber, o educador deu lugar ao mediador e, encontra o grande desafio, antes mesmo da proposição de novas teorias, de romper velhos padrões enrijecidos, por novos conceitos propostos, relacionando a consciência de uma realidade escolar, com os desafios da historiografia moderna.

 


Palavras-chave


Palavras-chave: história, conteúdo, aprendizado, mudanças, permanências.

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Revista do Lhiste – Laboratório de Ensino de História e Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Porto Alegre

ISSN 2359-5973