AS RAIZES HISTÓRICAS DA DESIGUALDADE SOCIOAMBIENTAL NO EXTREMO SUL DO BRASIL: UM OLHAR SOBRE O SURGIMENTO DA CIDADE DO RIO GRANDE 1737

ERON DA SILVA RODRIGUES, CARLOS RS MACHADO, KATHLEEN KATE DOMINGUEZ AGUIRRE

Resumo


Fronteiras sempre foram regiões de intensas disputas e constantes conflitos. No extremo sul do Brasil não foi diferente, principalmente no período que tange o século XVIII, quando Portugal e Espanha viveram diversas disputas territoriais. Nessa região conflituosa, onde já circulavam índios, contrabandistas de gado vacum e mercadores, foi fundado em 1737 o Presídio Jesus-Maria-José que deu origem a primeira cidade do estado do Rio Grande do Sul e que hoje é conhecida como cidade do Rio Grande. Porém, em geral, a figura do pobre, do negro e do indígena nesta localidade é renegada por parte da historiografia. Portando, mais do que um estudo do período da ocupação, ignorado ou exposto nos espaços de ensino a partir da perspectiva portuguesa, temos por objetivo problematizar a versão mantida de que os brancos portugueses foram os únicos e verdadeiros desbravadores e construtores da cidade do Rio Grande, quando o espanhol é tido, nesta perspectiva, como o inimigo, e o indígena, o negro e o pobre como selvagens, animais e incultos, justificando as ações dos brancos sobre estes.

Palavras-chave


história, história ambiental, educação ambiental, conflitos, desigualdade.

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Revista do Lhiste – Laboratório de Ensino de História e Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Porto Alegre

ISSN 2359-5973