Escritas epistolares: desenvolvendo o conceito de interculturalidade entre crianças guarani e crianças das escolas do PIBID

Ana Paula Rodrigues de Oliveira, Ariadne Barbieri Nunes, Luana Born Machado

Resumo


Nos anos de 2014 e 2015, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS/ PIBID Pedagogia Anos Iniciais) dedicou-se à temática das culturas indígenas em duas escolas da rede pública estadual de Porto Alegre, atendendo turmas de 3º, 4º e  5º ano, semanalmente. A escolha por esse tema se justifica pelo cumprimento da Lei 11.645/2008 que torna obrigatório o ensino das culturas indígenas nas disciplinas de História, Literatura e Artes, mas também tem o objetivo de desmistificar estereótipos construídos ao logo do tempo pela sociedade referente aos povos originários. Durante o percurso de trabalho nas escolas, procuramos valorizar a história dos Guaranis e Kaingangs, por meio do estudo de lendas, culinária, língua, música, entre outras referências culturais de cada povo. Entretanto, mesmo assim, percebemos que os estudantes ainda não concebiam o modo de vida desses povos, ou seja, para eles os indígenas ainda estavam muito distantes de suas realidades. Assim, pensamos em uma maneira de aproximar as crianças de Porto Alegre e as crianças de uma comunidade indígena Guarani, a Aldeia da Estiva, no município de Viamão/RS. Foi então que propusemos aos nossos alunos que escrevessem cartas para as crianças guaranis. Escolhemos essa aldeia em função de uma das professoras da escola de lá ser estudante de Pedagogia desta universidade. Por meio desses escritos, propusemos um maior contato entre crianças do Povo Guarani e crianças não indígenas, estudantes das Escolas Cândido Portinari e Anne Frank, em Porto Alegre. A ideia era que compartilhassem vivências e costumes e, desse modo, se conhecessem melhor. Assim, através de uma atividade que envolveu a cultura escrita, promoveu-se a discussão acerca do conceito de interculturalidade, conceito este tão significativo quando se estuda os povos originários e suas relações com a sociedade não indígena. Estamos falando de dois grupos com diferentes valores, mas, ao mesmo tempo, unidos pela sociedade ocidentalizada em que todos vivem. O modo como sensibilizamos os alunos para essa escrita foi através do anúncio de que, posteriormente, iríamos visitar uma aldeia Guarani, mas que, antes disso, teríamos a oportunidade de conhecer as pessoas de lá por meio da troca de cartas. Percebemos o estranhamento dos estudantes diante de tal atividade, muitos não sabiam nem como iniciar. Diante dessa situação, foi necessária a nossa intervenção e, mesmo assim, nem todos se envolveram com a atividade. Parecia que aquela escrita ainda era algo abstrato, o destinatário não parecia ser real. Entretanto, ao receberem as respostas, demonstraram um misto de ansiedade e surpresa. Chamou nossa atenção que as cartas produzidas pelas crianças guaranis parecem ter sido feitas com maior cuidado, por exemplo, observamos o esmero nos desenhos, na escrita quase sem erros de ortografia e até mesmo duas crianças que se preocuparam em enviar pequenos mimos, como pulseiras, dentro do envelope. Importa ainda dizer que analisamos essas escritas epistolares, entendendo-as como objeto de estudo. Realizamos uma investigação, tendo como documentos as narrativas dessas crianças. Lemos e organizamos os temas abordados nas cartas, examinamos as recorrências e dissonâncias naquilo que as crianças registraram nesta correspondência escrita.

 


Palavras-chave


Cultura indígena; interculturalidade; escritas epistolares

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Revista do Lhiste – Laboratório de Ensino de História e Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Porto Alegre

ISSN 2359-5973