A imaginação sociológica do Supremo? Amassamento e má-fé constitucional: os limites do STF na reforma política a partir e além da história perdida da Doutrina das Questões Políticas

Thiago Aguiar de Pádua

Resumo


O presente artigo realiza uma abordagem a partir e além da imaginação sociológica sobre o Supremo Tribunal, buscando refletir sobre os conceitos de amassamento e limites da reforma política, dialogando sobre a história perdida da doutrina das questões políticas. Alega-se que o Tribunal não pode criar mecanismos do jogo democrático, pois ele é um representante, não da população, mas daqueles que elegeram seus membros. Neste sentido, a imaginação sociológica do Supremo como um Abridor de Latas, um Martelo, um Vibrador e uma Bicicleta: instrumentos de ação.

Palavras-chave


Imaginação Sociológica; Amassamento; Reforma Constitucional; Limites do Supremo; Questões Políticas; História do Direito; Direito Constitucional; Direito Público

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DOI: https://doi.org/10.22456/0104-6594.69460

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