POLÍTICAS CURRICULARES, ENSINO MÉDIO E OS PARADOXOS DA DEMOCRACIA: TRAÇOS CONCEITUAIS PARA A COMPOSIÇÃO DE UM DIAGNÓSTICO CRÍTICO

Roberto Rafael Dias da Silva, Luthiane Miszak Valença de Oliveira

Resumo


Considerando os atuais paradoxos da democracia, o debate sobre a qualidade e o direito de aprendizagem na interface com as racionalidades políticas orientadoras da implementação de currículos para o Ensino Médio no Brasil, o artigo buscará delinear alguns traços conceituais para a composição de um diagnóstico crítico enfatizando o declínio dos níveis de confiança sobre a política e as instituições democráticas. Inscrito na tradição dos Estudos Curriculares, suas análises se derivam de uma pesquisa documental dos textos curriculares publicados na última década. Destaca-se que o artigo se posiciona na defesa de políticas curriculares ancoradas nas possibilidades de uma governança escolar democrática que revitalizem procedimentos de escuta e negociação permanente com os atores escolares, sobretudo com as juventudes contemporâneas.


Palavras-chave


Política curricular. Qualidade. Direito à Educação. Ensino Médio.

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DOI: https://doi.org/10.21573/vol37n22021.107427

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Prefixo DOI: 10.21573