Silenciamento, visibilidade controlada ou representatividade? Que “negro” é esse em Guilhermina e Candelário?

Renata Barreto Malta, Roseli Pereira Nunes Bastos, Cândida Santos de Oliveira

Resumo


O modelo de representação social em voga nos produtos audiovisuais televisivos, em especial naqueles produzidos e veiculados no Brasil, tem suscitado estudos e debates. Apesar da crítica ao padrão hegemônico alicerçado em raça e etnia, caracterizado mais por ausências do que presenças, que historicamente compõe esta suposta representatividade, ainda predomina a invisibilidade que, em alguma medida, tem sido substituída por uma visibilidade controlada. Na contramão desta conjuntura, a animação colombiana “Guilhermina e Candelário”, exibida no Brasil pela TVE / TV Brasil, apresenta uma série de histórias vivenciadas por personagens negros. Considerando sua excepcionalidade na TV aberta brasileira, propomos analisar de que forma aspectos sociais estão ali retratados. Nessa trajetória empírica, focamos na análise dos quatro protagonistas desta animação, na busca dos significados da narrativa, propostos por Bordwell e Thompson (2008). Como resultado, salientamos que a trama, mais do que problematizar questões raciais, naturaliza os personagens de modo que a sua relevância não se baseia no fato de serem negros. Aspectos étnicos são apresentados de forma bastante sutil e não estão no cerne da narrativa. Ademais, observamos uma ruptura da hegemonia no que concerne à estrutura de gênero que alicerça a sociedade, também de forma natural, porém com maior centralidade, ainda que alguns aspectos dos personagens analisados contribuam para a manutenção de padrões culturalmente naturalizados.


Palavras-chave


Representatividade. Raça e etnia. TV aberta brasileira. Guilhermina e Candelário. Significado da narrativa.

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DOI: https://doi.org/10.19132/1807-8583202050.222-242



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