Território usado na cidade do pensamento único: leitura sobre Quarto de Despejo e a reprodução da vida nas cidades brasileiras
DOI:
https://doi.org/10.22456/1982-0003.147494Palavras-chave:
Urbanização brasileira., Periferias urbanas, Desigualdade socioespacial, Exclusão urbana, Produção do espaçoResumo
Este artigo analisa a obra Quarto de Despejo: diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus, por meio da perspectiva do “território usado” de Milton Santos (1996) e da crítica urbana desenvolvida por Ermínia Maricato (2013), especialmente no texto “O lugar fora das ideias e as ideias fora do lugar”. A partir de uma abordagem qualitativa, fundamentada na técnica de análise de conteúdo proposta por Bardin (2016), são examinados trechos do diário de Carolina (2014) que expressam as condições de vida em territórios populares urbanos. A análise, desenvolvida com apoio do software webQDA se estrutura em quatro categorias: habitação, trabalho, alimentação e vizinhança/comunidade. O estudo busca evidenciar como a autora, a partir de sua experiência como mulher negra e moradora da favela do Canindé (SP), revela as contradições da urbanização brasileira, marcada por exclusão, invisibilização e precariedade. Os relatos presentes na obra mostram que, mesmo diante da ausência de políticas públicas e da marginalização socioespacial, a favela é também território de resistência, solidariedade e produção de vida. Ao articular literatura, geografia e crítica urbana, o artigo defende que Quarto de Despejo é não apenas um testemunho individual, mas um documento social que denuncia a lógica excludente da cidade brasileira. Assim, reafirma-se a importância de compreender os territórios populares como espaços legítimos de produção do urbano, desafiando o pensamento técnico e normativo dominante sobre a cidade.
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Aceito 2025-08-12
Publicado 2025-09-03

