DESVELANDO A DITADURA
Resumo
Em 1997, Luis Fernando Verissimo, já afirmado na crônica, edita seu primeiro romance, O Jardim do Diabo, aparentemente, uma narrativa policial. Mas por trás do gênero consagrado, sobre o qual desenvolvia, de qualquer modo, uma paráfrase, havia uma outra narrativa que implicava a denúncia de crimes ocorridos na ainda – então – recente ditadura iniciada em 1964. A análise deste texto vale a pena ser realizada, quer do ponto de vista estético, porque demonstra um excelente nível de domínio de criação literária, inclusive com referências a obras universais, como a Moby Dick, de Melville; quer do ponto de vista político, porque evidencia a coragem do escritor em abordar tema que, ainda naquele momento, era relativamente tabu. Mobilizando várias narrativas paralelas, mas que acabam se entrecruzando, uma alimentando a outra, o artigo procura mostrar que, na melhor tradição do romance folhetim, Verissimo produz um texto absolutamente envolvente e politicamente oportuno, e cuja importância, nesta releitura de 2026, se torna anda mais significativa.
PALAVRAS-CHAVE: Romance policial; Paráfrase; Ditadura Militar de 1964; Complexidade narrativa