“A MORTE É UM FENÔMENO IGUAL À VIDA”: O COTIDIANO DA MORTE EM ROMANCES DE MACHADO DE ASSIS
Abstract
Resumo: A morte sempre foi uma questão problemática para os seres humanos e, conforme cronistas e historiadores, a celebração de seus ritos recebia contornos particulares na sociedade brasileira do século XIX. Em relatos, como o do norte-americano Thomas Ewbank (1976), são reportadas manifestações de fé relacionadas à morte e ao desejo de uma passagem pacífica para o outro mundo. Atento à realidade de seu tempo, Machado de Assis inscreveu, em suas narrativas, ritos fúnebres, como o da extrema unção, o da procissão do Santíssimo e o das missas em memória dos mortos. Este artigo identifica e analisa menções ao cotidiano da morte durante o Segundo Império, presentes em Esaú e Jacó e Dom Casmurro, para explicitar sua contribuição à significação textual e sua correlação com aspectos da cultura do século XIX. A partir do percurso da análise, verifica-se que Machado de Assis, ao representar ritos mortuários, reforça a verossimilhança do processo narrativo e se posiciona de modo crítico diante de aspectos culturais da sociedade do Segundo Império.
Palavras-Chave: Machado de Assis; Cultura; Ritos fúnebres; Esaú e Jacó; Dom Casmurro.