MACOBEBA: CONSIDERATIONS ABOUT THE DIFFERENCES BETWEEN LITERATURE AND MYTH

Autores

  • Nabil Araújo Rio de Janeiro State University/FAPERJ
  • Thayane Verçosa Rio de Janeiro State University/CAPES

Resumo

Abstract: In 1929, the first text about the monster Macobeba was released. On april 7th, José Mathias (Júlio Bello’s pseudonym) published, in the newspaper A Província from Pernambuco, Brazil, a text in which he presented the monster: “a horrible fantastic being [...]. Big, very big, [...] with an enormous half lion and half horse tail, four huge red eyes as four big live embers on his face, hook werewolf’s nails” (MATHIAS, 1929b: 3). Keeping the presented characterization in the most part of the texts, Macobeba is the main character of 28 publications from April to September of 1929. At the same time, several famous Brazilian authors, as Mário de Andrade, Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Manuel Cavalcanti Proença and Joaquim Cardozo, created their own versions of the monster. By the usage of various strategies, their creations are different from José Mathias’ production and they also diverge among themselves. That’s the reason why they are examples of authoral refiguration. On the other hand, Macobeba circulated in several newspapers, being part of advertisements, political criticisms, without the sign of famous authors. The monster also became a popular culture character appearing in cordéis, and in local legends, circulating in an almost autonomous way, as if the monster has gotten his own life, in the process we call autonomous refiguration. Finally, considering the authorial refiguration and the autonomous refiguration, we intend to analyze how the difference between them allows us to think about the difference between myth and literature in the discursive praxis.

Keywords: Macobeba; Brazilian literature; Myth; Authoral refiguration; Autonomous refiguration.

 

Resumo: Em 1929, o primeiro texto sobre o monstro Macobeba foi publicado. Em 7 de abril, José Mathias (pseudônimo de Júlio Bello) publicou, no periódico pernambucano A Província, um texto no qual ele apresentou o monstro: “um horrível ente fantástico [...]. Grande, muito grande, [...] com um extenso rabo metade de leão e metade de cavalo, quatro imensos olhos vermelhos como quatro grandes brasas vivas à flor da cara, aduncas unhas de ‘lobisomem’” (MATHIAS, 1929b: 3). Mantendo essa caracterização na maioria dos textos, Macobeba é o protagonista de 28 publicações de abril a setembro de 1929. Ao mesmo tempo, vários autores brasileiros, como Mário de Andrade, Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Manuel Cavalcanti Proença e Joaquim Cardozo, criaram as suas próprias versões do monstro. Usando estratégias variadas, as criações deles são diferentes da produção de José Mathias, bem como divergentes entre elas. É justamente por isso que são exemplos de refigurações autorais. Por outro lado, Macobeba circulou em diferentes periódicos, como parte de propagandas, críticas políticas, sem a assinatura de autores famosos. O monstro também se tornou uma personagem popular, aparecendo em cordéis, e em lendas locais, circulando de uma forma quase autônoma, como se tivesse adquirido vida própria, em um processo que chamamos de refiguração autonomizante. Finalmente, considerando a refiguração autoral e a refiguração autonomizante, analisaremos como as diferenças entre elas nos permitem pensar nas diferenças entre mito e literatura na prática discursiva.

Palavras-chave: Macobeba; Literatura Brasileira; Mito; Refiguração autoral; Refiguração autonomizante.

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Biografia do Autor

Nabil Araújo , Rio de Janeiro State University/FAPERJ

Nabil Araújo é Doutor em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professor de Teoria da Literatura na graduação e na pós-graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) é Orientador de pesquisas de mestrado e de doutorado em Estudos Literários. Lidera o grupo de pesquisa interinstitucional “Retorno à Poética: imagologia, referenciação, genericidade” (CNPq) e atua como Editor Associado de Matraga - Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da UERJ. É Coordenador do conselho editorial da 'Coleção Letras UERJ' (EdUERJ) e Coordenador da área de Estudos de Literatura do PPGL-UERJ. Foi Vice-Diretor, Coordenador de Graduação e Coordenador de Licenciaturas do Instituto de Letras da UERJ. É autor de O evento comparatista: da morte da literatura comparada ao nascimento da crítica (EdUEL, 2019) e de Teoria da Literatura e História da Crítica: momentos decisivos (EdUERJ, 2020). Tem publicado regularmente capítulos de livros e artigos em periódicos acadêmicos na área de Letras. Pela sua tese de doutorado, recebeu o Prêmio UFMG de Teses, em 2014, e o Prêmio ANPOLL de Teses, em 2016. Seu projeto 'Ensino de literatura e desenvolvimento da competência crítica: uma 'terceira via' didático-pedagógica' foi premiado pela Fundação Carlos Chagas como a melhor experiência educativa inovadora realizada por docente de Licenciatura em 2014. Por duas vezes, em 2015 e em 2019, foi contemplado com o Prêmio Docência Dedicada ao Ensino Anísio Teixeira, conferido pela Pró-Reitoria de Graduação da UERJ. Pesquisa e produção na área de Letras: Teoria da Literatura, História da Crítica, Ensino de Literatura.

Thayane Verçosa , Rio de Janeiro State University/CAPES

Thayane Verçosa é Licenciada e Bacharel em Letras - Português/Literaturas, especialista em Literatura Brasileira. Possui Mestrado em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e é Doutoranda em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UERJ, com bolsa da CAPES. Durante sua graduação, foi bolsista FAPERJ de Iniciação Científica no projeto "Textos fundadores da historiografia da literatura brasileira: a contribuição estrangeira", sob a orientação do Professor Roberto Acízelo de Souza (de abril de 2015 a julho de 2016), além de monitora de Teoria da Literatura, com bolsa do CETREINA (de julho a dezembro de 2016).

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Publicado

2023-04-28

Edição

Seção

ENSAIO/ESSAY