As sementes crioulas como alternativa ao desenvolvimento: outras existências, outras naturezas
Resumo
O artigo debate a concepção de desenvolvimento vinculada ao modo de produção capitalista, especialmente no contexto de um mundo globalizado. Essa perspectiva hegemônica é amplamente sustentada por práticas agrícolas tecnificadas e voltadas à monocultura, as quais têm gerado severos impactos ambientais e sociais. A noção de desenvolvimento, frequentemente associada ao progresso econômico, é relativizada ao se considerar suas contradições e implicações para os ecossistemas naturais e as comunidades tradicionais. Nesse sentido, o trabalho discute a existência dos guardiões das sementes crioulas no Rio Grande do Sul como uma alternativa sustentável e contra-hegemônica a esse modelo explorador. Esses atores desempenham um papel essencial na preservação da biodiversidade, na manutenção de práticas agrícolas tradicionais e no fortalecimento de uma relação equilibrada com a natureza. A discussão evidencia que tais práticas representam uma resistência ao avanço da agricultura tecnificada, além de constituírem uma proposta concreta de resiliência frente às crises socioambientais provocadas pela globalização e pelo agronegócio.
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