A LEGITIMIDADE DA FRONTEIRA EXPRESSA O PAÍS? BARÃO DO RIO BRANCO E A PRESENÇA PAULISTA NOS CAMPOS DE PALMAS, ARGUMENTO NO LITÍGIO COM ARGENTINA (1895)

Autores

  • André Souza Martinello Departamento Geografia (DGEO) da Faculdade de Ciências Humanas e da Educação (FAED) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Palavras-chave:

Questão de Palmas, Roteiro paulista, Barão do Rio Branco, Espia guarani, Arbitragem

Resumo

O artigo discute alguns dos argumentos do Barão do Rio Branco quando da defesa brasileira no litígio com a Argentina (na chamada Questão de Palmas). Rio Branco mobilizou as movimentações e o “roteiro paulista” no sul da América portuguesa para buscar legitimar o Campos de Palmas como direito do Brasil. Até mesmo quando Portugal estava sob domínio espanhol (entre 1580–1640), na época da União Ibérica, Rio Branco apresentou em seu laudo os paulistas dominando o espaço como se fazendo em nome de Portugal. Argumenta-se como ao recorrer à figura do paulista, o Barão buscou uma certa “genética da apropriação” do espaço. No documento de defesa do Brasil elaborado por Barão do Rio Branco em 1894 e decidido no ano seguinte (1895) a favor do Brasil, a Argentina não teria direito aos campos de Palmas, pois, sendo de origem portuguesa, pertenceria ao Brasil. O paulista, a figura que enlaça os Campos de Palmas é também àquele que recorre à apreensão de guaranis e em suas andanças ou roteiros busca indígenas, age com violência de maneira conflituosa. A legitimidade da fronteira ser brasileira acaba por reconhecer o grau de violência presente no roteiro dos paulistas.      

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Biografia do Autor

André Souza Martinello, Departamento Geografia (DGEO) da Faculdade de Ciências Humanas e da Educação (FAED) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Doutor em Geografia Humana (USP)

Mestre em Desenvolvimento Rural (UFRGS)

Mestre em História (UFSC)

Licenciado em Geografia (UDESC)

Licenciado e bacharel em História (UFSC)

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Publicado

2020-12-17

Edição

Seção

Fronteiras: objetos espaciais da diferença e da identidade