Eletroencefalografia
Palavras-chave:
Eletroencefalografia, Neoplasias encefálicas, Epilepsia, CriançaResumo
O autor apresenta algumas noções breves de fisiologia das atividades elétricas cerebrais; descreve o EEG de vigília do adulto e dá algumas noções gerais sobre o amadurecimento dos ritmos cerebrais na criança. São descritas, sucintamente, as alterações eletrencefalográficas observadas nas doenças cerebrais, principalmente nos tumores cerebrais e nas epilepsias. Algumas observações são destacadas:
1 — A utilidade do EEG no diagnóstico precoce de tumor cerebral, frequentemente, não tem sido bem apreciada, possivelmente, em face da complexidade das técnicas EEG de localização e afirmação de presença de lesão incipiente. Evidentemente, o EEG é exame de despistamento inicial neste sentido e deve ser complementado com exames mais complexos neurorradiológicos e cintilográficos.
2 — A difusão do conceito, errôneo, da existência de “disritmias cerebrais” como entidades clínicas, tratáveis com medicação “anti-disrítmica” tem sido responsável, frequentemente, pelo não esclarecimento de causa destas alterações EEG e pela perda de fases curáveis de moléstias evolutivas.
3 — Por outro lado, a supervalorização de alterações pouco definidas no EEG, principalmente em crianças com distúrbios neuróticos e problemas de conduta, leva, por vezes, estes pacientes a tratamentos clínicos desnecessários e ineficazes e retarda a correção ambiental ou psicoterapêutica destas situações.
4 — A significação dos achados EEG pelo clínico geral sempre deverá ser apreciada à luz dos dados objetivos do exame clínico e neurológico e dos outros exames laboratoriais etc. Por vezes, a verificação de alterações definidas no EEG permite afirmar, em pacientes com sintomatologia vaga e sem alterações ao exame neurológico, a presença de doença cerebral orgânica e indicará a necessidade de prosseguir investigação em busca de diagnóstico preciso.