Contribuição experimental para o tratamento cirúrgico da cardiopatia coronária

Autores

  • Alaor Teixeira

Palavras-chave:

Doença das coronárias, Procedimentos cirúrgicos operatórios, Cães

Resumo

Sumário da tese apresentada para o concurso de docência-livre da cadeira de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental. Aprovada com distinção - grau 9,6.

Procurando trazer uma contribuição experimental ao tratamento cirúrgico da cardiopatia coronária, o A. emprega 63 cães adultos, de ambos os sexos, peso variável, raça e idade desconhecidas.

Os animais em referência são, inicialmente, divididos em três lotes: no primeiro — constituido por 15 cães — o A. estuda a influência da vagotomia e da estelectomia EE sobre os capilares coronários; no segundo lote — 30 animais — estuda a influência da vagotomia e da estelectomia EE nas alterações eletrocardiográficas e na evolução do enfarte experimental, obtido pela laqueadura dos vasos interventriculares anteriores; e, finalmente, no terceiro, com 18 animais, procura determinar a influência da vagotomia e da estelectomia EE sobre o fluxo coronário, medido ao nível do ramo interventricular anterior.

Em prosseguimento, o A. compara os resultados experimentais que obtém com os apresentados pela literatura e faz o estudo crítico das diversas escolas que preconizam uma solução cirúrgica para a cardiopatia coronária: a que indica a neutralização do sistema nervoso autônomo (componente simpático), a que procura diminuir o metabolismo corporal, intervindo sobre a glândula tireóide e a que advoga a revascularização do miocárdio.

Como consequência do estudo em questão, chega o A. às seguintes conclusões em relação ao assunto: 1º — A vagotomia e a estelectomia EE são intervenções perfeitamente compatíveis com a vida; 2º — A secção do vago E condiciona uma vasodilatação bilateral dos capilares coronários, ao passo que a estelectomia E não parece exercer influência na vasomotricidade dos mesmos; 3° — O fator tempo não influi na vasomotricidade dos capilares coronários após a secção do Xº para ablação do estrelado, no período de tempo correspondente entre 2 a 7 dias; 4º — A vagotomia ou a estelectomia EE não impedem o aparecimento do enfarte do miocárdio — diagnosticado pelo ECG e pelo exame histopatológico — consequente à ligadura experimental dos vasos interventriculares anteriores; 5º — O estudo arteriográfico demonstra a existência de riquíssima rede vascular colateral, relacionando entre si os dois territórios vasculares do coração; 6º — A vagotomia E diminui a área de enfarte consequente à laqueadura dos vasos interventriculares, e a estelectomia E aumenta a área de necrose do músculo cardíaco após a ligadura em questão; 7º — A estelectomia E condiciona uma significativa diminuição do fluxo coronário, medido ao nível do ramo interventricular e anterior, ao passo que a vagotomia E exerce discreta influência sobre o mesmo, no sentido de um aumento; 8º — A indicação de uma terapêutica cirúrgica para a cardiopatia coronária deve ser orientada no sentido da neutralização do conjunto de fatores os quais — no coração vivo — se congregam impedindo a mobilização, em tempo útil, da grande circulação colateral de que é sede o coração: condições hemodinâmicas, estado das paredes dos vasos, contração do músculo cardíaco e inervação do coração; 9º — No estado atual de nossos conhecimentos sobre o assunto, a neutralização do componente parassimpático do sistema nervoso autônomo confere um grande benefício ao miocárdio, nos casos de obstrução dos vasos interventriculares anteriores; 10º — Novas investigações devem ser realizadas, tendo como objetivo a busca de uma solução cirúrgica para a cardiopatia coronária, de vez que as três escolas atualmente existentes não conseguem resolver satisfatoriamente o problema.

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Biografia do Autor

Alaor Teixeira

Docente-livre da cadeira de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental

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Publicado

2026-08-24

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Artigos