O lugar apesar de tudo

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Resumo

Com Shoah, Lanzmann não quis somente fazer “um filme idealista” no qual seriam formuladas grandes questões, mas um filme de “geógrafo”, de “topógrafo”, ao retornar para sempre a esses lugares da destruição, que, mesmo destruídos, após a guerra, não “mudaram”. Para ele, o Holocausto não deve em nenhum caso ser do domínio da lembrança, mas uma investigação sobre o presente dos campos. O que esses campos nos impõem? A quais imagens eles se referem? Qual o benefício de retornar a eles? Essas são questões do cineasta que encontram uma forma correta de transmitir o que não pode ser dito. Ao perguntar aos sobreviventes sobre o retorno aos campos, Lanzmann mudou o curso do cinema em sua consciência e história.

Palavras-chave: Shoah; Lugar; Testemunho; Processo cinematográfico.

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Biografia do Autor

Georges Didi-Huberman, EHESS

É filósofo e historiador da arte. É professor pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) de Paris. Destaca-se pelo estudo ampliado e interdisciplinar sobre os usos e significados das imagens na cultura contemporânea, especialmente em relação a sua dimensão ética, política e simbólica. Além de inúmeros livros publicados, entre eles Diante da imagem (1990), Diante do tempo (2000), O que vemos, o que nos olha (1992) e Imagens apesar de tudo (2004), atua também como crítico e curador de exposições artísticas, tais como L'empreinte (1997) no Centre Pompidou em Paris, Levantes (2018) no SESC em São Paulo e Atlas: ¿Cómo llevar el mundo a cuestas? (2010) no Reina Sofia em Madri.

Fercho Marquéz-Elul, Doutorando bolsista CNPq em Artes Visuais (PPGAV-UFRGS)

É artista visual, pesquisador, professor e tradutor. Doutor pelo PPGAV/UFRGS/CNPq, integra o projeto de pesquisa As extensões da memória: a experiência artística e outros espaços, coordenada pela Prof.ª Dr.ª Maria Ivone dos Santos, bem como o projeto de pesquisa institucional Metodologias comparadas: prática, teoria e história da arte, coordenado pelo Prof. Dr. Paulo Silveira. Atualmente executa estância investigativa doutoral por meio do programa PRINT/CAPES com plano de pesquisa Art i paraula: deslocamento, língua & entremeios, cotutelado pelo Prof. Dr. Jaume Furtuny-Agramunt no programa de doutorado La realitat assetjada: Concepte, procés i experimentació artística da Facultat de Belles Arts da Universitat de Barcelona. É mestre em Artes Visuais (2018) PPGAV/UFRGS/CAPES e licenciado em Artes Visuais pela DAV/UEL/PIBID/PROART-UEL (2016). Atualmente é coeditor da Revista Valise, vinculada ao PPGAV-UFRGS, da editora Huracay e organizador do projeto Lapidários: uma sessão expositiva e reprodutiva das pedras. Empreende através de objetos tridimensionais, frequentemente em madeira e glicerina, como também em outros meios, como texto e palavra, e fotografia, questões sobre instauração de processos artísticos, espaço, cidade e deslocamentos, processos de reprodução no ramo da escultura e escrita fragmentária.

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Publicado

2023-01-22