A arte de sangrar

Autores

  • Marielen Baldissera Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Resumo

Para recuperar um corpo que é seu, mas não lhe pertence de todo, muitas artistas feministas utilizam como estratégia retratar a si mesmas. Neste ensaio, autorretratos funcionam como ponto de partida para representar algo que pode ser considerado como abjeto na corporalidade feminina: o sangue da menstruação, do parto, da violência e da vida. Ao trazer textos sobre vivências pessoais que envolvem contato com vulnerabilidade e força, coloco-me como um “eu” que inclui as outras, falo de mim para falar de traumas coletivos. A partir de premissas e temáticas que me são sugeridas por intervenções urbanas encontradas em pesquisa de campo (pichações, lambe-lambes, estênceis, etc.), apresento um recorte de algumas colagens que compõem minha tese de doutorado em andamento. Durante o processo de criação revisito meu arquivo de fotogra as e realizo montagens misturando técnicas analógicas e digitais, como fotogra a, desenho e pintura. Em minhas colagens a apropriação se dá pela presença de frases e desenhos riscados nas ruas por outras mulheres, imagens recortadas de revistas, e também de obras de arte, como esculturas e pinturas que fotografei em museus. Tenho como referência artistas que trabalham e trabalharam com questões do sangue e do corpo feminino, como Ana Mendieta, Judy Chicago, Zanele Muholi e colagistas como Carmen Winant, Hannah Höch e Annegret Soltau.

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Biografia do Autor

Marielen Baldissera, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Artista e pesquisadora. Doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), bolsista CAPES, mestra em Artes Visuais na linha de Poéticas Visuais e bacharela em Artes Visuais pela UFRGS. Participa do Núcleo de Antropologia Visual (NAVISUAL) da UFRGS e do grupo de pesquisa Gênero, Imagens e Políticas. Pesquisa sobre mulheres artistas, feminismos e temáticas de gênero utilizando fotogra a, colagem, desenho e técnicas híbridas. É cofundadora do coletivo Nítida - fotogra a e feminismo, grupo de fotógrafas que discutem a inserção das mulheres no campo fotográ co e do Mulherio Urbano, coletivo de artivistas feministas. Como artista visual participou de diversas exposições coletivas e também individuais.

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Publicado

2021-08-18

Edição

Seção

Ensaio visual