Masculinidades, envelhecimento e pertencimento no voleibol LGBTQIAPN+:
um olhar sobre a Superliga gaúcha
DOI:
https://doi.org/10.22456/2316-2171.157332Resumo
O esporte tem sido historicamente atravessado por normas heteronormativas e por modelos rígidos de masculinidade, o que torna relevante investigar como sujeitos LGBTQIAPN+ vivenciam o envelhecimento nesse campo. Este estudo objetiva analisar como o envelhecimento influencia a permanência e a reconfiguração da participação de sujeitos vinculados à Superliga LGBTQIAPN+ de Voleibol do Rio Grande do Sul. Trata-se de pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, baseada em entrevistas semiestruturadas, com recorte analítico de três participantes mais velhos do corpus: P1 (45 anos), P2 (51 anos) e P3 (51 anos). A análise temática de conteúdo evidenciou que envelhecer no esporte não implica necessariamente afastamento, mas deslocamento de funções, reelaboração de vínculos e fortalecimento do pertencimento. P1 associa a idade à passagem da quadra para a organização; P2 enfatiza a liberdade de existir em um espaço LGBT sem vigilância; e P3 destaca a maturidade, o legado e o potencial formativo do esporte em diferentes faixas etárias. Conclui-se que a Superliga opera como espaço de acolhimento, continuidade e transformação, permitindo que o envelhecimento seja vivido não como perda absoluta, mas como reconfiguração da presença, da masculinidade e do legado no esporte.