A fragilidade institucional do cuidado: práticas corporais e saúde mental em uma política pública em disputa
DOI:
https://doi.org/10.22456/2316-2171.157183Resumo
O estudo analisa as repercussões da interrupção e da incerteza na continuidade de uma política pública sobre a saúde mental de idosos, a partir de suas experiências em práticas corporais e atividades físicas (PCAF). Trata-se de uma pesquisa qualitativa, desenvolvida no contexto de um programa público de promoção da saúde em um município do sul do Brasil. Os dados foram produzidos por meio de entrevistas semiestruturadas e analisadas a partir da Análise Textual Discursiva. Os resultados indicam que as PCAF integram o cotidiano dos participantes, associando-se à organização da rotina, ao convívio social e à produção de cuidado em uma perspectiva ampliada de saúde. Entretanto, evidencia-se, que tais experiências se constroem a partir das condições institucionais que as tornam possíveis, sendo tensionadas diante da descontinuidade da política. Conclui-se que a instabilidade dessas ações compromete o acesso e a permanência dos participantes, gerando incertezas e disputas no campo das políticas públicas. A recente indicação da prefeitura sobre a retomada progressiva do programa em 2026 explicita seu caráter descontínuo e reforça a fragilidade institucional, demonstrando como decisões político-administrativas repercutem na produção do cuidado e na saúde mental da população idosa.