O DISCURSO DA VELHICE E DO ENVELHECIMENTO DE UM CENTRO DE CONVIVÊNCIA DO IDOSO EM UM MUNICÍPIO DA ZONA DA MATA DE MINAS GERAIS
DOI:
https://doi.org/10.22456/2316-2171.125904Resumo
Esse artigo teve como objetivo analisar o discurso do envelhecimento e da velhice manifestados no portfólio produzido por um Centro de Convivência do Idoso em uma cidade da Zona da Mata de Minas Gerais. O estudo foi sustentado pela Teoria Semiolinguística de Patrick Charaudeau. A análise discursiva evidenciou as contradições que envolvem as discussões acerca do envelhecimento na sociedade de um modo geral. De um lado, constatou-se que o documento dá eco a um discurso que reconhece, compreende e dá voz às concepções de envelhecimento e velhice veiculados em artigos científicos, em legislação nacional e pelos organismos como OPAS e OMS, Esse fato contribui para construção de um discurso no qual o envelhecimento e a velhice são ressignificados por meio de socialização, oportunidades de aprendizado, prática do lazer e atividades físicas ou culturais distribuídos nas diversas oficinas e espaços educativos. Mas, por outro lado, também recorre aos discursos produzidos no cotidiano, fundamentados basicamente nos saberes de crença, os quais reverberam uma visão do envelhecimento que desconsidera o seu aspecto biopsicossocial e multifatorial. Dessa forma, então, reproduz um discurso social da velhice e envelhecimento no qual ecoam imaginários sociodiscursivos caracterizados pela doença, dependência, isolamento social, incapacidade, inatividade, perdas e um apagamento da dimensão heterogênea e particular da experiência da velhice.