Palatoplastia, Rinoplastia e Estafilectomia em um Cão Braquicefálico com Fenda Labial e Palatina
Treatment with Palatoplasty, Staphyloplasty, and Unilateral Rhinoplasty
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.145451Palavras-chave:
Síndrome Obstrutiva das Vias Aéreas em Braquicefálicos (BOAS), fenda labial e palatina, defeito congênito, cirurgia corretiva, malformações craniofaciais, estenose nasalResumo
Introdução: A fenda labial e palatina pode ser categorizada como uma malformação craniofacial congênita, caracterizada pela falha na fusão dos processos maxilares e palatinos durante o período intrauterino. Esse defeito resulta em uma abertura no palato, podendo causar comunicação entre as cavidades nasal e oral. A fenda labial e palatina pode se apresentar com diferentes graus de gravidade. O tratamento de escolha para esses casos é a intervenção cirúrgica, que visa fechar o defeito e prevenir a comunicação oronasal. O seguinte relato de caso descreve um cão da raça American Bully com malformações congênitas de fenda labial e palatina, além de Síndrome Obstrutiva das Vias Aéreas em Braquicefálicos (BOAS).
Caso: Um cão da raça American Bully, com 1 ano e 3 meses, foi diagnosticado com BOAS, além de fenda labial e palatina unilateral. Durante o exame clínico, o cão apresentou sintomas característicos de BOAS, como tosse, ronco e intolerância ao exercício. A avaliação também revelou estenose moderada na narina direita e acúmulo de resíduos alimentares na fenda palatina, o que poderia levar a infecções. Com base no diagnóstico, foram realizadas três cirurgias consecutivas: palatoplastia para corrigir a fenda palatina, rinoplastia unilateral para tratar a estenose nasal e estafilectomia para corrigir o palato mole excessivamente longo associado à BOAS. A palatoplastia envolveu uma incisão e coaptação das bordas da fenda, enquanto a estafilectomia removeu o excesso de tecido do palato mole. A rinoplastia consistiu na remoção de um fragmento de tecido do meato nasal direito por meio de uma incisão em forma de cunha. A cirurgia foi bem-sucedida, e o paciente apresentou melhora nos sintomas respiratórios no período pós-operatório, embora o tutor não tenha comparecido às consultas de acompanhamento. O manejo pós-operatório incluiu medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios, além de recomendações para alimentação pastosa e uso de colar elizabetano para evitar lesões no local cirúrgico. O sucesso do procedimento destaca a importância da correção cirúrgica em cães braquicefálicos com BOAS, melhorando sua qualidade de vida ao aliviar as dificuldades respiratórias e os riscos associados às fendas palatinas.
Discussão: Este caso destaca o papel crucial da intervenção cirúrgica no manejo de malformações congênitas em cães braquicefálicos. O paciente foi submetido à palatoplastia para corrigir a fenda palatina preexistente, à rinoplastia unilateral da narina direita devido à estenose moderada e à estafilectomia após o diagnóstico prévio de Síndrome Obstrutiva das Vias Aéreas em Braquicefálicos (BOAS). Esses procedimentos foram essenciais para melhorar a função respiratória do animal e reduzir os riscos associados à fenda palatina, como aspiração e infecções bacterianas. A rinoplastia e a estafilectomia corrigiram com sucesso as deformidades anatômicas causadas pela BOAS, aliviando os sintomas respiratórios e melhorando o fluxo de ar. A palatoplastia, embora destinada principalmente a prevenir complicações da fenda, também desempenhou um papel significativo na melhoria da saúde geral do paciente, ao mitigar os riscos de infecções decorrentes do acúmulo de resíduos alimentares na fenda. Apesar de a fenda labial em si não ter impactado gravemente a qualidade de vida do animal, foi importante considerar todo o espectro de malformações congênitas nessa raça, uma vez que fendas coexistentes são frequentemente presentes. A intervenção cirúrgica oportuna e abrangente, como demonstrado neste caso, é essencial para melhorar a qualidade de vida em cães braquicefálicos com anomalias congênitas. Essa abordagem não apenas aborda preocupações imediatas de saúde, mas também contribui para o bem-estar a longo prazo, ao melhorar a função respiratória e reduzir o risco de complicações secundárias.
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