Abordagem cirúrgica para o tratamento de Fratura de Monteggia tipo IV em filhote de Onça-parda (Puma concolor)
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.143152Palavras-chave:
Ortopedia, Animais selvagens, felinos selvagens , CirurgiaResumo
Background: Fratura de Monteggia é uma lesão caracterizada por uma descontinuidade óssea que afeta a ulna associada a luxação da cabeça do rádio. Esse tipo de fratura é bastante raro tanto na literatura humana quanto veterinária e é muito mais singular em animais silvestres. O presente artigo trata do caso de um filhote de onça-parda (Puma concolor) manifestando debilidade funcional em membro torácico direito pós trauma automobilístico, e diagnóstico de fratura de Monteggia tipo IV, e posteriormente submetido a osteossínteses de rádio e ulna e redução da luxação umerorradial, com recuperação funcional do membro lesionado até sua reintrodução a natureza. Case: Um animal da espécie Puma concolor, também conhecido como onça-parda, foi atendido no Centro Veterinário da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, campus Poços de Caldas, Brasil, apresentando claudicação e debilidade funcional em membro torácico direito. Por meio de uma contenção química por via intramuscular com cetamina e xilazina, foram realizados exames físico, laboratoriais e radiográfico, e verificado que o animal era um espécime macho e jovem por apresentar dentes incisivos permanentes e caninos decíduos. Posto que este apresentava mobilidade funcional decrescida em um dos membros, por meio das imagens apresentadas realizadas pelo exame radiográfico, averiguou-se que o animal apresentava fraturas tanto em ulna quanto em rádio, e luxação umerorradial no membro torácico direito, que caracterizavam fratura de Monteggia tipo IV. Devido a isto, este foi submetido ao procedimento cirúrgico de osteossíntese associada a correção da luxação. Para o procedimento, foram administradas pela via intramuscular cetamina e xilazina como pré-medicação para contenção química, seguido pelo uso de propofol por via intravenosa para indução de anestesia geral. A manutenção anestésica foi realizada por meio de isofluorano diluído em oxigênio. Desse modo, a osteossíntese foi realizada com uso de placas bloqueadas em configuração de neutralização, respectivamente no rádio e ulna. Adicionalmente, foi realizada uma sutura antirrotacional em figura de 8, com fio de aço, sobre a cabeça do rádio e o côndilo do úmero, a fim de reduzir a luxação umerroradial. Pós procedimento cirúrgico, foi realizado bandagem de Robert Jones com finalidade de controlar a formação de edema e restringir a movimentação do membro acometido. Após a cirurgia, o animal se apresentava confortável, apresentando sustento sobre membro operado, consequente da consolidação óssea das fraturas em setenta e cinco dias. Face ao exposto, preconizou-se a retirada dos implantes utilizados antes da reintegração do animal para a natureza. Discussion: As fraturas de Monteggia são um tipo incomum de fraturas na medicina veterinária, tendo poucos relatos descritos na literatura. Apesar da carência de informações, especialmente em animais silvestres, esse tipo de fratura é descrito como resultantes de traumas automobilísticos ou quedas. Para fins diagnósticos, o exame radiográfico com no mínimo duas projeções ortogonais, é definido como o “padrão ouro” na identificação. Adiante, são fraturas que devem ser obrigatoriamente tratadas por meio de cirugia, o mais precocemente possível, afim de evitar manipulação cirúrgica excessiva e complicações no membro afetado. A técnica cirúrgica pode variar, dependendo da preferência do cirurgião e das características do paciente. No felídeo citado, a osteossíntese realizada em rádio e ulna em conjunção com a sutura antirrotacional, foram alguns dos fatores que contribuíram para uma consolidação óssea adequada do membro. A intervenção cirúrgica precoce e o manejo adequado do animal contribuíram para o sucesso na recuperação do animal com seu destino à natureza.
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