Enterite linfoplasmocitária em felino jovem

Autores

  • Victória Souza de Moraes Faculdade de Medicina Veterinária, Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter), Porto Alegre, RS, Brazil. https://orcid.org/0009-0004-7231-9173
  • Lara Zanetti Patella Faculdade de Medicina Veterinária, Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter), Porto Alegre, RS, Brazil. https://orcid.org/0009-0008-6229-3001
  • Ísis Moukaddem de Souza Faculdade de Medicina Veterinária, Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter), Porto Alegre, RS, Brazil. https://orcid.org/0009-0004-3011-8162
  • Catherine Dall'Agnol Krause Faculdade de Medicina Veterinária, Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter), Porto Alegre, RS, Brazil. https://orcid.org/0000-0001-7369-1939
  • Tobias Fett Chatterie - Centro de Saúde do Gato, Porto Alegre.
  • Henrique Fagundes da Costa Chatterie - Centro de Saúde do Gato, Porto Alegre. https://orcid.org/0009-0004-6513-5587
  • Rochana Rodrigues Fett Chatterie - Centro de Saúde do Gato, Porto Alegre. https://orcid.org/0000-0001-7469-3223
  • Ana Carolina Barreto Coelho Faculdade de Medicina Veterinária, Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter), Porto Alegre, RS, Brazil. https://orcid.org/0000-0002-5047-7363

DOI:

https://doi.org/10.22456/1679-9216.140913

Palavras-chave:

Biópsia, Doença intestinal crônica, Histopatologia, Imuno-histoquímica

Resumo

Background: A enterite crônica é um espectro de distúrbios gastrointestinais que ocasionam a inflamação da mucosa intestinal sem uma causa exata. O tipo mais comum de infiltrado inflamatório é o linfoplasmocitário (ELP), que afeta principalmente felinos de meia-idade, sem predisposição de gênero ou raça. O diagnóstico inicial da ELP se dá através de sinais gastrointestinais crônicos e exclusão de diferenciais; o diagnóstico definitivo se dá através de histopatologia e imuno-histoquímica a partir da biópsia dos segmentos intestinais. O objetivo do presente trabalho é relatar um caso de enterite linfoplasmocitária em um felino com menos de dois anos de idade, faixa etária com ocorrência mais rara.

Case: Uma felina de um ano e oito meses de idade, sem raça definida, com 2,8 kg, escore corporal 5 (na escala de 1-9), chegou para atendimento por apresentar fezes com odor muito forte, hematoquezia, polidipsia e poliúria. Testou negativa para o vírus da imunodeficiência felina e vírus da leucemia felina. Passou por três consultas em sequência, nas quais realizou exame de sangue, urina e ultrassom abdominal. Apesar de apresentar uma melhora nos resultados de bioquímicos e urinálise, ainda estavam fora dos valores de referência para a espécie. No ultrassom, apresentou persistentes alterações relacionadas ao sistema gastrointestinal, como espessamento da camada muscular da parede em segmentos de intestino delgado, compatível com infiltrado inflamatório, e ao sistema renal, como rins com dimensões reduzidas, margens irregulares, acentuada perda de definição córtico medular e dilatação de ambas as pelves renais, indicando nefropatia e pielectasia. Recebeu tratamento para gastrite e realizou tratamento dietético para triagem de enteropatia responsiva a alimentos, no qual foi não responsiva. Optou-se então pela biópsia por laparotomia exploratória, associada à ovariosalpingohisterectomia eletiva, para coleta de amostras entéricas. Foram realizados os exames de histopatologia e imuno-histoquímica (IHQ), através dos quais foi demonstrada invasão de linfócitos, plasmócitos e eosinófilos, confirmando o diagnóstico de enterite linfoplasmocitária. Foi instituído tratamento imunossupressor com prednisolona e terapia dietética, associação que foi capaz de controlar a enteropatia neste paciente.

Discussion: O diagnóstico de enterite linfoplasmocitária foi baseado nos sinais clínicos, exame de imagem e laboratoriais, histopatologia e IHQ. O animal apresentava sinais clínicos compatíveis com enterite crônica, como diarreia com hematoquezia. Durante a exclusão dos diagnósticos diferenciais, foi evidenciada doença renal crônica além da enteropatia crônica. Foi realizada biópsia das alças intestinais por laparotomia exploratória. Combinadas, a histopatologia e a imuno-histoquímica evidenciaram infiltrado inflamatório linfoplasmocitário, principal característica da enterite linfoplasmocitária, confirmando o diagnóstico de ELP. Após o resultado da biópsia, foi instituído o tratamento específico com a prednisolona, droga de eleição para o tratamento imunossupressor em enterites crônicas ou linfoma alimentar. Os sinais clínicos demonstrados pelo felino foram necessários para dar início ao raciocínio clínico, em conjunto com os exames laboratoriais e de imagem. A biópsia através de laparotomia exploratória foi essencial, já que permitiu a coleta de amostras para que a imuno-histoquímica e histopatologia levassem a um diagnóstico definitivo. Apesar de ser uma patologia comum em felinos idosos, a enteropatia linfoplasmocitária pode ser identificada em felinos mais jovens. Desta forma, verifica-se a importância de relatar casos de ELP em pacientes com menos de dois anos, fora da faixa etária considerada mais suscetível, para que os médicos veterinários passem a considerar esta doença ao se depararem com animais jovens que apresentam sinais clínicos de enteropatias crônicas.

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Arquivos adicionais

Publicado

2025-01-13

Como Citar

Souza de Moraes, V., Zanetti Patella, L., Moukaddem de Souza, Ísis, Dall’Agnol Krause, C., Fett, T., Fagundes da Costa, H., … Barreto Coelho, A. C. (2025). Enterite linfoplasmocitária em felino jovem. Acta Scientiae Veterinariae, 52. https://doi.org/10.22456/1679-9216.140913

Edição

Seção

Case Report

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