Enterite linfoplasmocitária em felino jovem
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.140913Palavras-chave:
Biópsia, Doença intestinal crônica, Histopatologia, Imuno-histoquímicaResumo
Background: A enterite crônica é um espectro de distúrbios gastrointestinais que ocasionam a inflamação da mucosa intestinal sem uma causa exata. O tipo mais comum de infiltrado inflamatório é o linfoplasmocitário (ELP), que afeta principalmente felinos de meia-idade, sem predisposição de gênero ou raça. O diagnóstico inicial da ELP se dá através de sinais gastrointestinais crônicos e exclusão de diferenciais; o diagnóstico definitivo se dá através de histopatologia e imuno-histoquímica a partir da biópsia dos segmentos intestinais. O objetivo do presente trabalho é relatar um caso de enterite linfoplasmocitária em um felino com menos de dois anos de idade, faixa etária com ocorrência mais rara.
Case: Uma felina de um ano e oito meses de idade, sem raça definida, com 2,8 kg, escore corporal 5 (na escala de 1-9), chegou para atendimento por apresentar fezes com odor muito forte, hematoquezia, polidipsia e poliúria. Testou negativa para o vírus da imunodeficiência felina e vírus da leucemia felina. Passou por três consultas em sequência, nas quais realizou exame de sangue, urina e ultrassom abdominal. Apesar de apresentar uma melhora nos resultados de bioquímicos e urinálise, ainda estavam fora dos valores de referência para a espécie. No ultrassom, apresentou persistentes alterações relacionadas ao sistema gastrointestinal, como espessamento da camada muscular da parede em segmentos de intestino delgado, compatível com infiltrado inflamatório, e ao sistema renal, como rins com dimensões reduzidas, margens irregulares, acentuada perda de definição córtico medular e dilatação de ambas as pelves renais, indicando nefropatia e pielectasia. Recebeu tratamento para gastrite e realizou tratamento dietético para triagem de enteropatia responsiva a alimentos, no qual foi não responsiva. Optou-se então pela biópsia por laparotomia exploratória, associada à ovariosalpingohisterectomia eletiva, para coleta de amostras entéricas. Foram realizados os exames de histopatologia e imuno-histoquímica (IHQ), através dos quais foi demonstrada invasão de linfócitos, plasmócitos e eosinófilos, confirmando o diagnóstico de enterite linfoplasmocitária. Foi instituído tratamento imunossupressor com prednisolona e terapia dietética, associação que foi capaz de controlar a enteropatia neste paciente.
Discussion: O diagnóstico de enterite linfoplasmocitária foi baseado nos sinais clínicos, exame de imagem e laboratoriais, histopatologia e IHQ. O animal apresentava sinais clínicos compatíveis com enterite crônica, como diarreia com hematoquezia. Durante a exclusão dos diagnósticos diferenciais, foi evidenciada doença renal crônica além da enteropatia crônica. Foi realizada biópsia das alças intestinais por laparotomia exploratória. Combinadas, a histopatologia e a imuno-histoquímica evidenciaram infiltrado inflamatório linfoplasmocitário, principal característica da enterite linfoplasmocitária, confirmando o diagnóstico de ELP. Após o resultado da biópsia, foi instituído o tratamento específico com a prednisolona, droga de eleição para o tratamento imunossupressor em enterites crônicas ou linfoma alimentar. Os sinais clínicos demonstrados pelo felino foram necessários para dar início ao raciocínio clínico, em conjunto com os exames laboratoriais e de imagem. A biópsia através de laparotomia exploratória foi essencial, já que permitiu a coleta de amostras para que a imuno-histoquímica e histopatologia levassem a um diagnóstico definitivo. Apesar de ser uma patologia comum em felinos idosos, a enteropatia linfoplasmocitária pode ser identificada em felinos mais jovens. Desta forma, verifica-se a importância de relatar casos de ELP em pacientes com menos de dois anos, fora da faixa etária considerada mais suscetível, para que os médicos veterinários passem a considerar esta doença ao se depararem com animais jovens que apresentam sinais clínicos de enteropatias crônicas.
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