Megaureter gigante por ectopia ureteral intramural em cão
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.126763Resumo
O sistema urinário é composto por rins, ureteres, bexiga e uretra. Os rins produzem a urina que chegará à bexiga por meio dos ureteres. Estes têm origem na pelve renal, correm pelo retroperitônio e desembocam na superfície dorsolateral caudal da bexiga e se esvaziam no trígono. Alterações nos ureteres são os defeitos congênitos mais raros do sistema urogenital de cães. Ureteroceles são dilatações císticas do segmento distal do ureter e podem estar associadas a obstruções urinárias parciais ou completas e podem levar ao megaureter e a hidronefrose. O presente estudo tem o objetivo de descrever um caso de megaureter por ectopia ureteral intramural em uma cadela.
Caso: Uma cadela Akita, csecreção vaginal, prostração, hipodipsia, hiporexia e pirexia. Ao realizar o exame físico observou-se aumento de volume vulvar, corrimento vaginal. Os parâmetros do exame físico estavam normais. Não foram observadas alterações no hemograma e nem nos exames bioquímicos. Diversas alterações foram observadas na urinalise como aspecto turvo, proteinúria, sangue oculto, eritrócitos, piuria, leucócitos e presença discreta de bactérias. A ultrassonografia abdominal mostrou um megaureter com ureterocele direitos e a urografia excretora mostrou ausência de filtração glomerular no rim direito. O paciente foi submetido cirurgia para exérese do rim ureter direitos. A avaliação histopatológica do rim e ureter direitos mostrou dilatação intensa de ureter e fibrose renal multifocal intensa.O procedimento cirúrgico foi bem-sucedido e o animal se recuperou bem.
Discussão: Por estar associado a alterações congênitas como ureter ectópico e ureterocele, o megaureter é diagnosticado em pacientes jovens com idade média de 10 meses, idade inferior ao paciente do presente relato. Adicionalmente, no animal aqui relatado, a alteração unilateral pode explicar a falta de sinais de falha renal. Mais de 90% dos casos, a ectopia ureteral está associada a múltiplas anomalias do trato urinário, assim como o observado no paciente deste relato, que além do ureter ectópico, apresentava ureterocele, megaureter e atrofia renal. Com todas essas alterações morfológicas que impossibilitavam a eliminação completa da urina, observa-se, como consequência, a predisposição a infecções do trato urinário, o que de fato foi observado. A literatura aponta que anomalias do trato urinário estão associadas com infecção em 64 a 85% dos casos, ainda citaram que cerca de 50% dos casos apresentam hidronefrose e hidroureter.
Foi também descrito que ureteres ectópicos são diagnosticados em decorrência do hidroureter visibilizado na ultrassonografia abdominal. Os achados neste relato diferem um pouco do que foi descrito, visto que o rim direito estava atrofiado, possivelmente em decorrência de uma má formação ou até mesmo de uma lesão renal crônica causada pela dificuldade de escoamento da urina no lado direito, como citado anteriormente. A urografia excretora realizada no paciente do presente relatou evidenciou que não havia filtração no rim direito, indicando afuncionalidade, o que foi confirmado pela avaliação histopatológica, em que foi possível observar glomérulos diminutos e grande quantidade de deposição de tecido conjuntivo fibroso. Em casos de megaureter unilateral com presença de comprometimento grave do rim ipsilateral, há indicação de nefroureterectomia, como foi realizado no paciente deste relato. Até onde se sabe, esse é o primeiro relato de megaureter, ureterocele e ectopia ureteral em um mesmo paciente. Em conclusão, o procedimento executado foi seguro e se mostrou eficiente no tratamento do defeito anatômico congênito, promovendo assim uma melhor qualidade de vida para o paciente e prevenção de recorrência de infecções do trato urinário.
Descritores: Sistema urinário; malformação; nefroureterectomia; cirurgia; cistite.
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