HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA PERITONIOPERICÁRDICA CONGÊNITA EM FELINO
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.126438Resumo
Background: A hérnia diafragmática peritoniopericárdica é uma patogenia rara de
origem congênita, que ocorre devido a uma falha na comunicação do diafragma com o
pericárdio durante a embriogênese. Os sintomas podem ser inexistentes ou
inespecíficos, de acordo com o órgão herniado envolvido e, na maioria dos casos, o
diagnóstico ocorre de forma incidental. No que concerne o tratamento mais indicado,
ainda existem divergências na literatura quanto à indicação do tratamento conservativo
ou cirúrgico. O presente trabalho objetivou relatar o caso de uma hérnia
peritoneopericárdica em um felino, a qual foi instituída a correção cirúrgica como
tratamento.
Case: Um felino, fêmea, sem padrão racial definido, de três meses de idade, foi
encaminhada para o Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural de
Pernambuco, para tratamento de hérnia diafragmática peritoneopericárdica
diagnosticada por meio de exame radiográfico após a paciente ser submetida à castração
pediátrica e apresentar complicações anestésicas no transcirúrugico. Foram realizados
hemograma, perfil bioquímico e ecodopplercardiograma, os quais não apresentaram
alterações significativas. Com o intuito de obter um melhor estudo e planejamento
cirúrgico, foi realizada tomografia computadorizada onde foi observado coração
localizado cranialmente em cavidade pericárdica; caudalmente ao coração observou-se
parênquima hepático localizado em cavidade pericárdica; vasos hepáticos apresentando
dimensões levemente aumentadas. Esses achados tomográficos sugeriram hérnia
diafragmática peritoneopericárdica, com presença do fígado em cavidade pericárdica,
com sinais de congestão em parênquima hepático. Devido à probabilidade de
agravamento futuro da hérnia, foi realizada a correção cirúrgica, com incisão na linha
média abdominal na região pré-umbilical para o reposicionamento do fígado à sua
anatomia normal e, em seguida, a reconstituição do diafragma através de uma
herniorrafia. Após o procedimento cirúrgico a paciente foi encaminhada para
observação em um internamento e, após 15 dias, as suturas de pele foram removidas. A
correção completa do defeito herniário foi observada em radiografia realizada após 30
dias do procedimento cirúrgico. Entretanto, o exame demonstrou a presença de
desvio/deformidade em topografia de esterno e cartilagens costais, com ligeiro
deslocamento cardíaco para hemitórax direito, sugerindo a presença de Pectus
excavatum.
Discussion: Hérnia diafragmática peritoneopericárdica é considerada rara e, apesar de
ser uma das causas mais comuns de anomalia pericárdica congênita em felinos,
apresenta uma prevalência baixa variando de 0,06% a 1,45%. São geralmente
diagnosticados a partir dos dois anos de idade, com prevalência para animais mais
idosos, entretanto por ter apresentado alterações anestésicas, a paciente do presente
relato pode ser diagnosticada precocemente. Dentre os órgãos mais comuns de
migrarem para a cavidade torácica, o fígado é o mais comumente observado, sendo este
também o conteúdo herniário do presente relato. A hérnia peritoniopericardica
frequentemente é diagnosticada através de radiografia e ultrassonografia e, tais exames
mostraram-se suficientes para o diagnóstico neste relato. No entanto, a tomografia
computadorizada foi importante por proporcionar um melhor estudo do caso e para
adoção da celiotomia mediana como tratamento. Associações com outras malformações
são descritas na literatura, sendo o Pectus excavatum a mais comum e também
observada neste relato. A hérnia diafragmática peritoniopericardica é uma anomalia
rara, pouco relatada na literatura e com divergências no que concerne o seu tratamento.
A adoção do tratamento cirúrgico precoce realizado no presente relato demonstrou
evolução satisfatória e possibilidade de um prognóstico favorável.
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