A Caracterização molecular de Mycobacterium avium subespécie paratuberculosis (MAP) em leite de cabra destinado a usinas de processamento no semiárido do Nordeste brasileiro.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22456/1679-9216.125071

Resumo

Antecedentes: A caprinocultura vem crescendo no Brasil nos últimos anos. No geral, 93% do rebanho nacional está concentrado no Nordeste, sendo o estado da Paraíba o maior produtor de leite caprino do país. Considerando o Mycobacterium avium subespécie paratuberculosis (MAP) como uma questão sanitária para o desenvolvimento da pecuária com riscos à saúde humana e que é uma doença de notificação compulsória, esta pesquisa foi estruturada com o objetivo de confirmar a presença e realizar uma caracterização molecular da MAP em caprinos leite destinado a usinas de beneficiamento no semiárido do Nordeste brasileiro.


Materiais, Métodos e Resultados: Amostras de 179 unidades de produção e cinco tanques coletivos e quatro amostras de leite de cabra pasteurizado foram analisadas através da reação em cadeia da polimerase em tempo real (qPCR). Material genético (DNA) para MAP foi encontrado na amostra de leite de cabra de uma unidade de produção (1/179). A partir dessa amostra positiva, foram identificadas nove cabras em lactação na propriedade original, das quais sete apresentaram MAP DNA em amostras de leite (77,77%). A caracterização da sequência nucleotídica detectada na amostra positiva possui 99% de identidade com KJ173784.

Discussão: Programas de controle e/ou prevenção necessitam desse tipo de vigilância, pois permite o rastreamento de possíveis focos de amostras de leite coletadas em laticínios ou estações de resfriamento. A utilização de PCR para detecção de focos de MAP via leite de cabra é, portanto, vantajosa, pois as amostras são obtidas de forma não invasiva, com resultados mais rápidos quando comparados à técnica de cultura. A baixa detecção via PCR em leite de cabra pode estar relacionada a fatores como a pequena quantidade de MAP eliminada e a excreção intermitente em animais assintomáticos, além de amostras falso-positivas. As amostras dos tanques coletivos foram negativas. É possível que a combinação de leite de todas as propriedades tenha diluído a quantidade de MAP. Isso sugere que a sensibilidade da PCR pode ser melhorada se as amostras forem obtidas do leite agrupado da mesma propriedade. Em algumas regiões do Brasil, por exemplo, mostrou a frequência da Zona da Mata da região do estado de Minas Gerais, Brasil, encontrou 1,94% de amostras positivas (9/464) e 9,76% (4/41) de propriedades com pelo menos uma amostra positiva para MAP. Resultados diferentes do encontrado no semiárido da Paraíba, onde as características climáticas e de produção são diferentes. As cabras são suscetíveis a três linhagens: tipo “S” (ovelha), “tipo bisão” e tipo “C” (gado). O contato prévio com esta espécie pode explicar a semelhança entre a cepa encontrada no leite de cabra e aquelas detectadas em amostras bovinas. A presença de Mycobacterium avium subespécie paratuberculosis foi registrada pela primeira vez em leite de cabra no semiárido, o que pode revelar um potencial risco biológico para humanos e sugere a necessidade de vigilância ativa do agente.

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Biografia do Autor

João Paulo de Lacerda Roberto, UFCG

Possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Campina Grande (2013), mestrado em Zootecnia pela UFCG (2015), Doutorando em Medicina Veterinária pela UFCG e Professor Substituto de Ecologia Animal e Avaliação Animal da Universidade Federal de Campina Grande. Foi membro do Colegiado do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia e é atualmente Membro do colegiado da Pós-Graduação em Ciência e Saúde Animal. Tem experiência nas áreas de Medicina Veterinária Preventiva, Inspeção e Tecnologia de Produtos de Origem Animal, Análise Microbiologia de Alimentos de Origem Animal e Água, Vigilância Sanitária, Controle de Qualidade, Treinamento de Manipuladores de Alimentos e Saúde Pública.

Clécio Henrique Limeira, UFCG

Possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Campina Grande (2009), especialização em Defesa Sanitária Animal pela Universidade Federal de Lavras (2012) e mestrado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Campina Grande - UFCG (2015). Doutorado em Ciência e Saúde Animal - UFCG (2021). Tem experiência na área de Medicina Veterinária, com ênfase em Medicina Veterinária Preventiva, Doenças Parasitárias, Defesa Sanitária Animal, Inspeção e Tecnologia de Produtos de Origem Animal e Produção Animal.

Rafael Rodrigues Soares, UFCG

Possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual do Maranhão (2012), mestrado em Ciência Animal pela Universidade Estadual do Maranhão (2015) e cursando doutorado pela Universidade Federal de Campina Grande. Tem experiência na área de Medicina Veterinária, com ênfase em Preventiva, atuando principalmente nos seguintes temas: bacteriologia aplicada, baixada maranhense, ruminantes domésticos, maranhão, semiárido e Leptospira sp. Membro do Grupo de Pesquisa em Doenças Transmissíveis da UFCG, que atua na linha de pesquisa: Epidemiologia e Controle da Leptospirose na Região Semi-Árida do Nordeste brasileiro.

João Pessoa Araújo Júnior, Unesp

Possui graduação em Medicina Veterinária pela Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal - UNESP (1992), mestrado em Ciências Biológicas (Microbiologia) pela Universidade de São Paulo (1994), doutorado em Ciências Biológicas (Microbiologia) pela Universidade de São Paulo (1998) e Livre Docente em Microbiologia pala Universidade Estadual Paulista (2006) . Atualmente é professor adjunto do Depto de Microbiologia e Imunologia, Instituto de Biociencias, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Também é responsável pelo laboratório de virologia e diagnóstico molecular. Tem experiência na área de Virologia Animal, com ênfase em técnicas de diagnóstico de Doenças Infecciosas de Animais

Camila Dantas Malossi, Unesp

Graduada em Ciências Biológicas - Bacharelado e Licenciatura - pela Universidade de São Paulo. Realizou Iniciação Científica no Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo. Mestre em Ciências com ênfase na Biologia da Relação Patógeno-Hospedeiro pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo. Doutorado em Biotecnologia pelo Instituto de Biociências de Botucatu da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho". Trabalha atualmente para a FUNDIBIO (Fundação do Instituto de Biociências) como técnica de nível superior no Laboratório de Diagnóstico Molecular, sediado no IBTec, Unesp - Botucatu. É gerente do Laboratório de Diagnóstico Molecular Veterinário - LDMVET. Tem experiência em parasitologia, virologia e microbiologia com ênfase em Biologia Molecular e Diagnóstico

Severino Silvano dos Santos Higino, UFCG

Possui Graduação (2007), Mestrado (2010), Doutorado (2012) e Pós-Doutorado (2015) em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Atualmente é Professor Adjunto (Classe C, Nível II) no Centro de Saúde e Tecnologia Rural da Universidade Federal de Campina Grande, Membro permanente do programa de Pós-Graduação em Saúde e Ciência Animal (PPGSCA) e colaborador no Programa de Pós-graduação em Ciência Animal (PPGCA) da Universidade Federal de Campina Grande na área de sanidade Animal. Tem experiência na área de Medicina Veterinária Preventiva com ênfase em Doenças Infectocontagiosas de Animais, atuando principalmente na epidemiologia da Leptospirose animal. Membro do grupo de pesquisa em doenças transmissíveis da Universidade Federal de Campina Grande atuando na linha de pesquisa: Epidemiologia e controle da Leptospirose na região semiárida do Nordeste brasileiro.

Sérgio Santos Azevedo, UFCG

Possui Graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal da Paraíba, PB, em 2000, Mestrado em Epidemiologia Experimental Aplicada às Zoonoses pela Universidade de São Paulo, SP, em 2002 e Doutorado em Epidemiologia Experimental Aplicada às Zoonoses pela Universidade de São Paulo, SP, em 2006. É bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, nível 1A, e é professor Associado (nível 4) da Unidade Acadêmica de Medicina Veterinária (UAMV) do Centro de Saúde e Tecnologia Rural (CSTR) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Coordenador da área de Medicina Veterinária Preventiva da UAMV/CSTR/UFCG no período 2018/2019. Atualmente é Coordenador Administrativo da UAMV/CSTR/UFCG. Membro da Junta Directiva de la Sociedad Iberoamericana de Epidemiología Veterinaria y Medicina Preventiva (SIEVMP). Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Medicina Veterinária da UFCG, no quadriênio 2013-2016. Atua como consultor de vários periódicos nacionais e internacionais nas áreas de Epidemiologia Animal e Doenças Infecciosas e Parasitárias. Atua como consultor ad hoc no CNPq, CAPES, FAPEAM, FACEPE, ANII (Uruguai) e CSIC (Uruguai). Tem experiência na área de Medicina Veterinária, com ênfase em Medicina Veterinária Preventiva, atuando principalmente nos seguintes temas: epidemiologia animal, epidemiologia das doenças infecciosas e parasitárias, Leptospirose animal, zoonoses, estudos epidemiológicos.

Clebert José Alves, UFCG

Possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal da Paraíba (1985), mestrado em Epidemiologia Experimental Aplicada Às Zoonoses pela Universidade de São Paulo (1991) e doutorado em Epidemiologia Experimental Aplicada Às Zoonoses pela Universidade de São Paulo (1995). Atualmente é professor Titular da Universidade Federal de Campina Grande e Lidera o Grupo de Pesquisa Doenças Transmissíveis e integra grupo de pesquisa com pesquisadores da Universidade de São Paulo/Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia. Tem experiência na área de Medicina Veterinária, com ênfase em Epidemiologia Animal, atuando principalmente nos seguintes temas: leptospira, isolamento, ovinos, aglutininas e caprinos.

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Arquivos adicionais

Publicado

2022-10-24

Como Citar

Roberto, J. P. de L., Limeira, C. H., Rodrigues Soares, R., Araújo Júnior, J. P., Malossi, C. D., Ullmann, L. S., … Alves, C. J. (2022). A Caracterização molecular de Mycobacterium avium subespécie paratuberculosis (MAP) em leite de cabra destinado a usinas de processamento no semiárido do Nordeste brasileiro. Acta Scientiae Veterinariae, 50. https://doi.org/10.22456/1679-9216.125071

Edição

Seção

Articles