As demandas de memória, o impasse acerca da história oficial de Porto Alegre e o papel da fotografia nas comemorações no bi-centenário da cidade, no mandato de Loureiro da Silva (1937-1943)

Olavo Ramalho Marques

Resumo


Esta monografia tem como tema algumas relações entre o espaço das grandes cidades e o tempo. O assunto é tratado a partir da análise de políticas públicas envolvendo a remodelação do tecido urbano de Porto Alegre, bem como políticas de gestão de memória, em um contexto histórico-social específico: o primeiro mandato de José Loureiro da Silva como prefeito de Porto Alegre (1937-1943). Esta foi uma época de grandes transformações sociais, econômicas, políticas e - mais importante no caso deste estudo - dos usos do espaço urbano e de suas formas de ocupação e vivência por parte dos moradores. A questão da gestão da memória e da historiografia como releitura do passado, realizada no intuito de se compreender o presente e se orientar o futuro, será abordada através de um livro de fotografias da cidade, lançado pela prefeitura municipal como parte das comemorações do bicentenário de Porto Alegre, no ano de 1940. As questões centrais que levanto acerca do período são: qual o estatuto das transformações urbanas em tal contexto? Qual o papel da gestão da memória nesse processo? A partir dessas formulações, buscarei discutir sobre as motivações simbólicas envolvidas na modernização da cidade, enfatizando a visão de cidade que estava sendo construída através do recurso fotográfico no livro lançado pela prefeitura.

 

Cabe deixar claro que este tema de pesquisa – as transformações urbanas – foi o que desenvolvi em meu Trabalho de Conclusão de Curso em Ciências Sociais, no ano de 2003. O objeto de estudo, entretanto, era diverso: abordei principalmente a realização de uma grande obra viária em Porto Alegre na época atual, a construção da 3a Perimetral – grande artéria urbana que corta mais de vinte bairros da cidade. E desenvolvi todo o meu trabalho de pesquisa estando vinculado a uma equipe de pesquisadores, o Banco de Imagens e Efeitos Visuais (BIEV): um projeto de pesquisa em antropologia urbana, cuja abordagem sobre a cidade é centrada na questão da imagem - tanto em relação à produção na pesquisa etnográfica, como forma de “estar em campo” e abordar os assuntos estudados, como em relação à análise de materiais que retratem aspectos e fragmentos da vida urbana em Porto Alegre. A proposta do Projeto BIEV é o da construção de coleções etnográficas sobre o patrimônio etnológico da cidade, compondo um museu virtual.

 

Como se percebe, o tema do presente estudo é muito afim ao que vim desenvolvendo durante minha graduação (já que na equipe do Banco de Imagens e Efeitos Visuais cada pesquisador estuda assuntos específicos, relacionados ao tema central do projeto) e que ainda desenvolvo, agora cursando o mestrado em Antropologia Social; continuo ligado ao Projeto BIEV como pesquisador associado. A possibilidade de abordar o meu tema de interesse numa época diferente, agora sob a ótica das políticas de reescritura do passado, de representação do presente e de aceleração do tempo em direção ao futuro, me é extremamente satisfatória, e de grande utilidade para meu trabalho de pesquisa

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DOI: https://doi.org/10.22456/1984-1191.9266

Revista Iluminuras - Publicação Eletrônica do Banco de Imagens e Efeitos Visuais - BIEV/LAS/PPGAS/IFCH/UFRGS

E-ISSN 1984-1191