Engraxar na praça: um estudo etnográfico sobre o agenciamento da memória coletiva diante da remodelação do espaço público no centro de Porto Alegre

Rafael Lopo, Ana Luiza Carvalho da Rocha

Resumo


Como pensar uma cidade do tamanho de Porto Alegre diante de um projeto de revitalização? A idéia de que as transformações acontecem constantemente, diariamente, derruba qualquer hipótese que pense que as mudanças que afetam a cidade são apenas aquelas feitas por projetos grandiosos de revitalização, legitimados pelo progresso e bem-estar social. A cidade é grande, mas as transformações são tão particulares que é impossível condicionar a cidade inteira à uma lógica simples de revitalização. Este perigo é apontado por Henri-Pierre Jeudy(1945), indicando um esvaziamento e uma re-apropriação vaga dos conceitos de memória coletiva, patrimônio e identidade cultural. Ao limitar o patrimônio à padrões históricos e estéticos, acaba-se definido uma lógica da memória que não a da resignificação e da lembrança, repleta de conflitos e esquecimentos, que segundo o autor, estão materialmente ligados à ruínas e objetos.

 

A etnografia aqui apresentada surgiu de pesquisas de campo realizadas na Praça da Alfândega, no centro de Porto Alegre, em um período delicado para seus freqüentadores e profissionais que ali estavam. A idéia inicial era tentar interpretar os jogos de memória de diferentes atores do lugar diante do processo de revitalização proposto pela prefeitura. Logo, vi que seria um empreendimento que me exigiria um dispêndio maior de tempo, e resolvi me concentrar em um “grupo” muito particular e “antigo”2 da Praça, os engraxates


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DOI: https://doi.org/10.22456/1984-1191.9258

Revista Iluminuras - Publicação Eletrônica do Banco de Imagens e Efeitos Visuais - BIEV/LAS/PPGAS/IFCH/UFRGS

E-ISSN 1984-1191