Tempo e Espaço: Considerações sobre o modo de vida dos pescadores do Parque Nacional da Lagoa do Peixe - RS em um contexto de conflito ambiental

Gianpaolo K. Adomilli

Resumo


O objetivo deste artigo é contribuir para o debate acerca da relação entre homem e natureza no que se refere à pesca artesanal. Considerando que a prática da pesca artesanal envolve uma relação singular para com o meio ambiente em termos ecológicos e simbólicos, a apropriação e representação do espaço realizada pelos pescadores são abordados enquanto aspectos centrais de sua organização social, vista como um referencial valorativo que implica noção de pertencimento ao lugar onde vivem e trabalham. Tal referencial baseia-se na relação com o meio natural e as condições de exploração da natureza. Nesse sentido, propõe-se fornecer, através de um estudo antropológico sobre o modo de vida dos pescadores do Parque Nacional da Lagoa do Peixe - RS, um enfoque centrado nas representações e práticas sociais relativas ao seu cotidiano de trabalho, com o objetivo de apresentar uma interpretação sobre as representações que estruturam suas ações coletivas. As práticas de trabalho, com características tradicionais, dizem respeito à detenção de um determinado saber sobre a natureza por parte destes pescadores, estetizando um ethos e compondo a visão de mundo do grupo. Assim, a relação com meio ambiente é caracterizada pela singularidade da prática de trabalho da pesca artesanal, sendo o produto fornecido pelo meio aquático. A singularidade refere-se à questão da tradição de uma pratica artesanal e do convívio de uma comunidade de pescadores vinculados a um território e ecologia específicos.


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DOI: https://doi.org/10.22456/1984-1191.9249

Revista Iluminuras - Publicação Eletrônica do Banco de Imagens e Efeitos Visuais - NUPECS/LAS/PPGAS/IFCH/UFRGS

E-ISSN 1984-1191