Entre cidades, famílias e redes de pertencimentos: Pesquisa antropológica e etnográfica sobre as trajetórias, itinerários, estilos e projetos de vida de estudantes universitários residentes em Porto Alegre oriundos de cidades interioranas

Fabiela Bigossi, Cornelia Eckert

Resumo


Este trabalho evidencia o desenvolvimento de pesquisa etnográfica no campo de conhecimento da antropologia urbana e/ou na cidade moderno contemporânea brasileira, para dar conta do processo vivenciado pelos estudantes universitários oriundos das cidades interioranas, que compreende a formulação de um projeto familiar (VELHO, 2003) de mudança da cidade onde morava com os pais para passar a morar na capital a fim de desenvolver estudos universitários, e dessa forma analisar as transformações no estilo de vida que passam a ocorrer na vida do estudante a partir do momento em que ele passa a residir longe da rede de sociabilidade do interior que o envolvia. Para tanto, a metodologia qualitativa, através do uso da etnografia foi utilizada para compreender o objetivo que está sendo proposto.

Esta pesquisa teve início em março de 2004, quando estava no quinto semestre do curso de Ciências Sociais como atividade individual de pesquisa como bolsista de Iniciação Científica PIBIC/CNPq no Projeto de Antropologia Visual, desenvolvido pelo Núcleo de Antropologia Visual e coordenado pela Profa. Dra. Cornelia Eckert.

O trabalho antropológico pressupõe o distanciamento ou familiarização do antropólogo com o objeto de pesquisa escolhido para compreender as visões de mundo e estilos de vida do grupo que está sendo estudado, hoje, onde cada vez mais se faz pesquisa na sociedade em que nos encontramos inseridos, ou seja, familiarizados necessita-se tornar estranho o que nos é tão presente no dia-a-dia. A preocupação nessas pesquisas é dar conta desse distanciamento do objeto escolhido, necessário para a realização do trabalho entre grupo de pertencimento, estranhando para perceber o seu ethos. Como aponta Da Matta (1978:28): “... o problema é, então o de tirar a capa de membro de uma classe e de um grupo social específico para poder – como etnólogo – estranhar alguma regra social familiar e assim descobrir o exótico no que está petrificado dentro de nós pela reificação e pelos mecanismos de legitimação”.


Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.22456/1984-1191.9244

Revista Iluminuras - Publicação Eletrônica do Banco de Imagens e Efeitos Visuais - BIEV/LAS/PPGAS/IFCH/UFRGS

E-ISSN 1984-1191