A cidade e os seus riscos: o viver de deficientes visuais em Porto Alegre

Cornelia Eckert, Sandro Belloli Rillo

Resumo


Esta pesquisa vem sendo desenvolvida desde os meses finais do ano 2000 e encontra-se hoje em andamento. Eu, Sandro Belloli Rillo, na qualidade de bolsista de iniciação científica que estou desenvolvendo, conto para isso com a oportunidade de trabalhar no Navisual, Núcleo de antropologia visual da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), onde a Prof. Dra Cornelia Eckert possui um projeto como o nome de “Estudo antropológico de itinerários urbanos, memória coletiva e formas de sociabilidade no meio urbano contemporâneo” ao qual minha pesquisa está vinculada e sob sua orientação.

 

Dentro deste universo de estudo proposto desenvolvo minha pesquisa, tentando mostrar como a cidade de Porto Alegre, onde sou morador, é vista, sentida, descrita e percebida por habitantes que com ela interagem, cotidianamente, criando trajetos e tecendo projetos individuais, através de suas histórias particulares mesmo sem vê-la. Ou pelo menos não a vendo da maneira que a maioria dos pedestres que passeiam pelas ruas vêem, mas independente da falta de visão esses portadores de deficiência criam com a cidade laços de afetividade e pertencimento ou de tensão e de critica como qualquer pedestre.

 

A imagem da cidade não é privada aos que têm visão. Aprendi no decorrer da minha pesquisa que mesmo as pessoas que não possuem visão, mas têm uma vida social, criam uma imagem da cidade em que residem, seja esta construída através de suas histórias de vida, do nível de informação que possuem, das rotas traçadas para o próprio deslocamento dentro da cidade em função de uma estética pratica, ou mesmo dos laços de afetividade que o portador de deficiência cria, particularmente, com partes desta.

 

Os deficientes visuais possuem uma imagem da cidade onde moram, o que os diferencia é que constroem uma imagem da cidade sem vê-la, mas através dos demais sentidos como o tato e a audição que singularizam sua forma de apropriar-se da cidade. O problema de pesquisa consiste, então, em tentar desvendar como os deficientes visuais moradores de Porto Alegre criam a imagem da cidade onde moram. Importa esclarecer quanto ao grupo pesquisado que inclui-se na categoria deficiente visual, tanto pessoas que nasceram com esta deficiência, como também pessoas que por algum outro motivo, como por exemplo, acidente ou doença encontram-se também com a mesma deficiência. Da mesma forma importa esclarecer que foram entrevistados deficientes visuais que são moradores na região metropolitana da cidade e desenvolvem atividades comerciais, ou então, esmolam e dependem do comércio que é desenvolvido no centro desta cidade.

 

O problema de pesquisa foi sugerido pela minha orientadora, que como já disse, coordena um projeto maior de antropologia urbana na cidade de Porto Alegre, através de pesquisa sua ou pesquisas sob sua orientação, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. No âmbito deste projeto maior que está inserido minha pesquisa, ainda não havia sido feito nenhum estudo com deficientes visuais moradores de Porto Alegre, o que significa que eu não possuía alguma referência quando aceitei a proposta de tentar desenvolver o tema. Mas, mesmo não tendo referência aceitei desde o primeiro instante, porque, no mínimo, seria interessante tentar descobrir como um deficiente visual “conhece” a cidade da qual faz parte. Além disso, era a oportunidade que eu tinha de trabalhar, na área de estudo que pretendo me formar. Curso Ciências Sociais na Universidade federal do Rio Grande do Sul.


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DOI: https://doi.org/10.22456/1984-1191.9140

Revista Iluminuras - Publicação Eletrônica do Banco de Imagens e Efeitos Visuais - NUPECS/LAS/PPGAS/IFCH/UFRGS

E-ISSN 1984-1191