Bonfim: feições de uma cidade no plural... ou lugar da desordem

Ana Luiza Carvalho da Rocha

Resumo


Para se compreender o lugar da desordem como central da feição plural da ambiência urbana das cidades brasileiras proponho aqui que se possa avançar para alem da perspectiva que pensa sua atmosfera de socialidade em termos de um corpo de imagens polêmicos: a casa e a rua. Gostaria de evitar as armadilhas de tais polêmicas entre essa duas imagens diferenciadas para pensar, na análise do bairro Bonfim, em Porto Alegre, a idéia que o teatro da vida urbana local se compõe de uma “casa de ruas” que os habitantes habitam em seus percursos e itinerários quotidianos. Mesmo que este bairro possa ser considerado um lar menos tranqüilo que nossa casa natal, parece-me duvidoso que tal bairro não possa expressar a adesão de uma comunidade de destino a poética espacial de seus territórios.

 

Segundo Da Matta3, sociedade brasileira, desde suas origens remotas, vive um dilema eterno entre tradição e modernidade. No interior de tal dilema ocorrem tensões entre os espaços sociais da casa e da rua, onde o autor assinala a oposição entre as categorias sociológicas de Pessoa e de Indivíduo no Brasil. Em nosso país, diria Da Matta, a rua é um lugar de vagabundagem e do homem, encerrando o mundo do trabalho, das relações impessoais, da competição e do profano. Por oposição, o espaço da casa revelaria o mundo doméstico, da mulher, do sagrado, da família e do repouso.


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DOI: https://doi.org/10.22456/1984-1191.9132

Revista Iluminuras - Publicação Eletrônica do Banco de Imagens e Efeitos Visuais - BIEV/LAS/PPGAS/IFCH/UFRGS

E-ISSN 1984-1191