Participação e impotência: a busca pela esperança na periferia de Fortaleza, Brasil

Donald R. Nelson, Timothy J. Finan

Resumo


A contínua influência do desenvolvimento participativo, tanto na teoria quanto na prática, destaca o valor de processos de desenvolvimento democráticos e inclusivos. Porém, apesar da sua influência através os anos, a participação ainda encontra os desafios de definir, promover e se tornar um fenômeno empoderador. Aqui reside o “baixo-ventre” teórico de participação porque ela é inextricavelmente ligada à distribuição de poder em qualquer comunidade. Esse artigo explora uma metodologia que busca quebrar laços de poder entre os mais pobres e proporcionar canais alternativos de acesso a serviços públicos para os quais os residentes são elegíveis devido ao seu status de cidadão. Buscamos também um entendimento mais profundo de como a participação cresce, como é alimentada pelo capital social e como ela cria sua própria dinâmica interna. Dessa forma, nós concluímos que as sementes de participação existem em qualquer grupo social e que a participação é um fenômeno interno. Ela não é um projeto externo cujo critério para o sucesso é definido pela presença em encontros, mas um reagrupamento interno mais profundo dentro de um grupo social cujo objetivo comum é claramente definido. A participação é, portanto, um processo que requer tempo, paciência, e flexibilidade.

Palavras-chaves: Vulnerabilidade social. Práticas democráticas. Clientelismo.

Participation and Powerlessness: The Pursuit of Hope on the Periphery of Fortaleza, Brazil

Abstract

 The continued presence of participatory development in both theory and practice highlights the perceived value of democratic and inclusive development processes. However, despite years of influence, participation still encounters challenges such as those of defining participation, promoting participation, and making participation empowering. Here lies the vulnerable theoretical underbelly of participation, because it is inextricably linked to the distribution of power in any community. This paper examines a methodology that seeks to break traditional bonds of power among the very poor and to provide alternative channels of access to the public services for which residents are eligible because of their status as citizen. It also seeks a more detailed understanding of how participation grows, how it is fed by social capital, and how it creates its own internal dynamic.  In so doing, we conclude that the seeds of participation exist in any social group and that participation is an internal phenomenon.  It is not an external project for which attendance at meetings is the criterion for success, but a deeper internal rallying within a social group around a commonly-defined goal, a process that requires time, patience, and flexibility to achieve.

Keywords: Vulnerability. Democratic practices. Clientelism.


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DOI: https://doi.org/10.22456/1984-1191.52639

Revista Iluminuras - Publicação Eletrônica do Banco de Imagens e Efeitos Visuais - BIEV/LAS/PPGAS/IFCH/UFRGS

E-ISSN 1984-1191