ESTUDO RETROSPECTIVO PARA DEFINIÇÃO DA PREVALÊNCIA DE ALTERAÇÕES AUDITIVAS SENSORIONEURAIS E RINOSSINUSOPATIAS NOS PACIENTES COM FIBROSE CÍSTICA DO HCPA

Otavio Bejzman Piltcher, Marcelo Wierzynski de Oliveira, Vanessa Niemiec Teixeira, Luciana Cigana, Isabella Scattolin, Simão Levin Piltcher

Abstract


Fundamentação: A fibrose cística (FC) é uma das doenças genéticas letais mais comuns. Nos últimos anos, a sobrevida dos pacientes portadores dessa doença tem aumentado em decorrência principalmente do uso de antibióticos profiláticos e terapêuticos. Estes apresentam potencial ototóxico, sendo responsáveis por perdas auditivas sensorioneurais (SSN). Além disso, os pacientes com FC apresentam rinossinusopatias, sintomáticas e assintomáticas, que também necessitam de acompanhamento adequado. Objetivos: Definir a prevalência de alterações auditivas sensorioneurais (SSN) e rinossinusopatias nos pacientes com FC do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA); descrever os possíveis fatores relacionados com tais incidências; e, a partir dessas informações, projetar o funcionamento do ambulatório de otorrinolaringologia (ORL) e FC do HCPA.

Material e Métodos: Estudo retrospectivo, em que foram revisados os prontuários de pacientes com FC do Ambulatório de Pneumologia Infantil e de Adultos do HCPA. Foi criado um protocolo a ser preenchido em que se buscava a descrição do perfil da amostra em relação à idade do diagnóstico da doença, idade atual, tipos de antibióticos já utilizados, média do número de tratamentos, percentual que possui avaliação auditiva com resultados, e, por último, investigação radiológica e resultados. Resultados: Foram revisados 107 prontuários de pacientes com FC. A idade média da amostra foi de 7,87 anos e 1,33 anos a idade média de diagnóstico de FC. Os exames audiométricos foram realizados por 39,3% (42) das crianças, encontrando-se 28,56% (12) casos de SSN de graus variados. Um percentual mais elevado apresentava ausência de reflexo estapédico (36,3%). Somente 24,3% (26) realizaram RX dos seios da face nos quais 96.9% estavam alterados. Um total de 667 tratamentos com aminoglicosídeos, sendo 49.5% com tobramicina, 43.4% com amicacina e 7% com gentamicina. Conclusão: Diante desses resultados mostra-se necessário um ambulatório específico de otorrinolaringologia e de FC para acompanhamento desses pacientes. O Ambulatório terá como objetivo auxiliar na prevenção e tratamento das perdas auditivas decorrentes dos tratamentos com aminoglicosídeos, assim como tratar, quando necessário, das vias aéreas superiores em relação à obstrução e inflamação associadas a presença de pólipos rinossinusais. Este ambulatório já está em funcionamento.




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