Perto do Coração Selvagem: resistência à disciplinarização do feminino e da infância

Nilson Fernandes Dinis

Resumo


Em Perto do coração selvagem, romance de Clarice Lispector, observamos uma oposição entre o mundo da infância e do feminino e o mundo do adulto e do masculino. Joana, a protagonista mulher e criança, é a víbora, signo do mal tentando os valores do mundo adulto e masculino para o mundo dos prazeres. No processo de disciplinarização da infância, na instituição escolar, a criança aprende também a renunciar ao mundo dos prazeres no presente para buscar um futuro promissor no amanhã. Mas Joana não quer saber de futuros. Ela só vive o momento presente, possui um corpo que se constitui de afetos moventes e imprecisão ameaçando a estabilidade do mundo masculino e adulto. Na escola, com a pergunta sobre o que se ganha quando se é feliz, a menina Joana faz ruir os valores do mundo adulto - nossa prática pedagógica baseada na renúncia do princípio do prazer para a construção do futuro -, ou seja, a realidade tal como é vista e imposta sobre a infância pelo saber do olhar adulto.

Palavras-chave


Infância, feminino, gênero, subjetividade.

Texto completo:

PDF


Direitos autorais

Educação & Realidade - ISSN 0100-3143 (impresso) e 2175-6236 (online)

 

Licença Creative Commons
Todo o conteúdo deste periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional

 

Apoio e Indexação:

LATINDEX

 

Crossref Similarity Check logo