Sobre a sociologia do trabalho e (alguns dos) seus informantes: breves anotações teórico-metodológicas

Autores

  • Bruno Casalotti

Resumo

Atualmente, quando falamos em fazer uma pesquisa sociológica que tenha como recorte o tema da direção das empresas, muitos classificam esse tipo de produção como sociologia empresarial, sociologia das organizações, sociologia da gestão, ou ainda sociologia dos recursos humanos. A classificação em compartimentos temáticos é algo que faz parte de uma dinâmica própria da ciência. E isso pode acontecer tanto por razões metodológicas quanto por razões de natureza política. Longe de questionar essas razões, esse artigo pretende argumentar que algumas reflexões que, em princípio, estariam legadas a essas subdivisões, estão também umbilicalmente ligadas às discussões que permeiam a sociologia do trabalho em sua forma original. A sociologia do trabalho não é, pois, proveniente somente das narrativas e das experiências vivenciadas diretamente pelos trabalhadores. Ela deve abarcar também discussões mais amplas sobre as questões éticas, morais e ideológicas que permeiam o sistema produtivo e que, mais tarde, irão se traduzir em disciplinamento da força de trabalho e relações de poder e dominação no mundo corporativo. Para expor essas questões, tomaremos emprestada a noção foucaultiana de “sistema de pensamento” para expor possíveis correlações entre discurso e ação no que concerne aos processos de trabalho. Afinal, esse “sistema de pensamento” tem também correlação com os processos de subjetivação que se manifestam em todos os atores do mundo do trabalho – dirigentes ou dirigidos.

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Publicado

2015-11-09

Edição

Seção

Artigos