Entre vozes e ecos: o (des)pertencimento e seus danos em Morte no Paraíso: a tragédia de Stefan Zweig, de Alberto Dines e Os Emigrantes, de W. G. Sebald

Carla Luciane Klos Schöninger

Resumo


Muitas vozes e ecos ressoaram no Pós-Guerra, elementos esses, que continuam sendo
analisados na contemporaneidade. Neste sentido, propõe-se um estudo comparado entre os
livros Morte no paraíso: a tragédia de Stefan Zweig, de Alberto Dines e a quarta narrativa -
"Max Aurach" – de Os Emigrantes, de W. G. Sebald. O primeiro remete ao destino de Zweig,
como protagonista que viveu os embates, tristezas, fuga, sentimento de (des)pertencimento. O
segundo, nas vozes do narrador, que ouve os ecos ressoantes de pessoas que vivenciaram a
Segunda Guerra e do personagem Aurach, representando uma vida assombrada pela guerra.
Ambas as obras evidenciam traços da memória como discurso de resistência e infelicidade,
dando lugar à escrita melancólica: uma em que há o padecimento trágico e a outra que busca
desvendar um passado velado. Apoiados principalmente nos estudos de Homi Bhabha, em O
local da cultura, e em Stuart Hall, Da Diáspora, estudaremos aspectos como a dispersão dos
povos, de exilados, emigrantes e refugiados, marcando o entre-lugar e a experiência
diaspórica. Os danos para Zweig foram irreparáveis na vida, encontrou solução na morte. Já
Sebald tentou reparar os danos através dos ecos de outrem, seu protagonista termina em um
hospital, com o rosto cor de cinza.

Texto completo:

PDF


Contingentia está indexada nas seguintes bases:

ISSN:1980-7589