Bugueño

 

Panorama da lexicografia alemã

     Meinen Eltern gewidmet, denen ich verdanke, Deutsch sprechen zu können

Félix Bugueño Miranda



1 Introdução
2 A lexicografia alemã do ponto de vista taxonômico
3 Análise dos dicionários do alemão
4 Conclusões
Notas

ABSTRACT

This paper offers a description of the contemporary German lexicography using dictionary taxonomy. The parameters used for the classification of dictionaries are the number of languages (monolingual against bilingual dictionaries), the user’s perspective (how useful is each kind of dictionary for the Brazilian scholar) and the two perspectives of the act of speech (text reception against text production).

Keywords:lexicography; typology; German language.


1 Introdução

A consulta a um dicionário de alemão, seja mono ou bilíngüe, indubitavelmente, representa um desafio para o consulente de língua portuguesa. A novidade da consulta é dupla. Por um lado, a “deutsche Wörterbuchlandschaft” [cenário lexicográfico alemão] é muito mais variada e complexa em comparação com a lexicografia brasileira. A série de dicionários Duden, por exemplo, corresponde só parcialmente às obras lexicográficas nacionais análogas. Embora o Brasil conte com um dicionário ortográfico, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), [1] esse dicionário não é muito conhecido nem apresenta similitude com o  DuRwtb,[2] por exemplo. Por outro lado, a novidade também está relacionada com a densidade e complexidade das informações contidas nos dicionários alemães. No plano macroestrutural, por exemplo, é um fenômeno muito freqüente a lematização de topônimos, tais como Köln, Negeb ou Wisconsin em DUW,[3] fato pouco comum na lexicografia brasileira. É no plano microestrutural, no entanto, onde a falta de familiaridade é maior não somente para o consulente brasileiro, mas para os representantes do mundo hispânico também, isso porque além do fato de constarem segmentos informativos completamente novos (como as desinências do nominativo plural e do genitivo, no caso dos substantivos), mas (também) pela forma às vezes completamente diferente em que alguns segmentos se marcam, como, por exemplo, no caso das valências. 

Para poder ter uma idéia da variedade e função dos diferentes tipos de dicionários presentes na lexicografia alemã, oferece-se, no presente trabalho, uma taxonomia, a partir da qual serão analisados os genótipos estabelecidos. É necessário salientar que a ênfase da análise estará centrada nos segmentos informativos da microestrutura (para o conceito de “segmento informativo”, (cf. Bugueño, Farias).[4]

2 A lexicografia alemã do ponto de vista taxonômico

Uma taxonomia lexicográfica é uma classificação de dicionários à luz de determinados critérios. Em Bugueño,[5] salientamos que uma taxonomia é útil igualmente para o compilador de dicionários, o lexicógrafo e o usuário.[6] No que diz respeito ao compilador de dicionários, uma taxonomia é estratégica, já que lhe permite ter uma definição mais precisa do tipo de obra que almeja redigir. Em Bugueño, [7] demos um exemplo do que acontece quando o compilador não orienta devidamente o tipo de dicionário que redige. Na lexicografia brasileira Hou [8] é um exemplo clássico de um dicionário “sub aproveitado”. A obra foi apresentada à comunidade luso-brasileira como um dicionário de língua, ou seja, um dicionário semasiológico. No entanto, Hou apresenta também um viés de dicionário etimológico único, traço não presente em outras obras. Não será discutida aqui a pertinência do comentário etimológico de Hou, mas, de fato, é possível afirmar que Hou vale mais por esse traço da sua composição do que pelo seu caráter semasiológico propriamente dito. Para o lexicógrafo, uma taxonomia representa um instrumento de referência fundamental na sua tarefa de análise de obras lexicográficas, já que possibilita diferenciar melhor entre genótipos e fenótipos lexicográficos. Por último, para o usuário, uma taxonomia também constitui uma ferramenta inestimável, porque pode facilitar o estabelecimento de uma relação entre as suas necessidades e um determinado tipo de obra. Os dicionários usados no ensino e aprendizagem da língua materna, os dicionários escolares), são um exemplo da utilidade de uma taxonomia. No cenário nacional, associa-se esse tipo de dicionário (de formato reduzido) a um membro determinado da taxonomia de critérios impressionistas [9] (baseada no formato físico), o minidicionário, de forma que o público termina por adquirir obras que apresentam duas características extremamente negativas. Por um lado, os minidicionários são reduções mal feitas de obras de extensão maior. Por outro lado, e na maior parte dos casos, não são obras funcionais para o usuário escolar.[10]

Faz-se necessário salientar também que uma taxonomia nunca será completa, como salienta Kuhn,[11] já que sempre estão aparecendo novos tipos de dicionários [Wörterbuchtypen]. De fato, as tentativas de elaborar taxonomias exaustivas são poucas (cf. Cowie).[12]

Dado que uma taxonomia de dicionários tampouco é algo familiar para a maioria dos usuários, apresenta-se, neste trabalho, uma taxonomia inspirada em Swanepoel,[13] que possui a vantagem de oferecer um algoritmo classificatório de fácil acesso ao leitor. A proposta feita nessa ocasião diverge, no entanto, em aspectos fundamentais do modelo de Swanepoel,[14] já que oferece um lugar para a onomasiologia, práxis lexicográfica genuinamente germânica, e que o estudioso brasileiro do alemão deve conhecer. Por razões óbvias, a consideração sobre o número de línguas ficou reduzida à oposição entre obras mono e bilíngües de caráter geral. Nada será dito aqui nem sobre dicionários especializados (Fachlexikographie), nem sobre dicionários de internacionalismos. Tampouco serão abordados os dicionários de seleção lemática restrita, tais como os dicionários de falsos amigos.[15] Com relação aos dicionários monolíngües, por sua vez, é fundamental estabelecer uma distinção entre os dicionários cogitados para o falante nativo e aqueles de alemão como língua estrangeira (learner´s dictionaries).

A tipologia proposta aqui é de tipo binário e articula-se tanto em aspectos conhecidos do usuário médio (como o número de línguas ou a concepção saussureana do signo lingüístico), como em distinções que permitem compreender melhor as próprias particularidades do cenário lexicográfico alemão. No final de cada haste, são fornecidos exemplos de dicionários que correspondem a um genótipo. Sobre a sua concepção é necessário dizer ainda duas coisas. Na nota 4, menciona-se que há três tipos de taxonomias: as impressionistas, as funcionais e as lingüísticas. Considerando que o trabalho almeja oferecer um panorama para o estudioso brasileiro do alemão, misturaram-se os critérios lingüísticos aos funcionais, quando distinguimos, por exemplo, entre usuários falantes ou não falantes do alemão.[16] A taxonomia é apresentada a seguir.

 

 

 

 

Ao se tentar organizar uma taxonomia lexicográfica, é prudente (e até necessário) estabelecer uma diferença entre genótipos e fenótipos lexicográficos. Um genótipo de dicionário equivale a um tipo “ideal” de dicionário, caracterizado por corresponder a uma somatória de traços.[17] Um fenótipo de dicionário, por outro lado, corresponde a uma obra lexicográfica com um perfil difuso que, geralmente, almeja satisfazer mais de uma função. Para efeitos desse trabalho, apenas serão considerados só genótipos lexicográficos.[18]

3 Análise dos dicionários do alemão

3.1. Em relação à taxonomia propriamente dita, a primeira dicotomia distingue o número de línguas. No que diz respeito à haste direita, poder-se-á notar uma assimentria em relação à haste esquerda, já que só se oferecem exemplos de dicionários bilíngües, sem se estabelecer precisões mais rigorosas. No entanto, faz-se necessária uma análise por separado de tais obras, considerando que LaPDt[19] e MiAlP[20] são, aparentemente, as obras mais empregadas no nível universitário no Brasil. Para a avaliação dos dicionários bilíngües, deverão ser levados em conta três parâmetros: as línguas consideradas, o sentido da transferência, isto é, se a transferência vai da L1 para a L2 ou da L2 para a L1 (“dicionário ativo” e “dicionário passivo”, na terminologia de Kroman, Riibach, Rosbach)[21] e o usuário para o qual foi cogitado o dicionário (o usuário de uma das línguas ou os usuários das duas línguas, ou, na terminologia de Marello,[22] se o dicionário é uni ou bidirecional). Às considerações precedentes, deve-se acrescentar também um outro parâmetro não menos importante, que é a função conferida à obra lexicográfica, isto é, se a obra deverá auxiliar no processo de ensino-aprendizagem de uma L2, ou se o seu objetivo é servir a um usuário tradutor, por exemplo.

Faltam ainda estudos que permitam avaliar os dicionários bilíngües alemão-português à luz dos parâmetros acima citados. Por um lado, o conceito de “dicionário pedagógico” (cf. Hartmann, James)[23] , aplicado especificamente à lexicografia bilíngüe, é ainda muito pouco claro para que possam ser feitas algumas precisões conceituais sobre dicionários dessa natureza.[24] Por outro lado, deve-se considerar também que não é possível estabelecer até que ponto, e com que objetivos, os dicionários bilíngües são empregados no processo de ensino-aprendizagem. É de conhecimento público que, após o método gramática-tradução, qualquer referência à língua materna caiu em descrédito como recurso metodológico válido na aprendizagem de uma L2.[25] Só após a primeira fase (“strong version”) da abordagem comunicativa, se volta a considerar que a língua materna pode vir a cumprir um papel no processo de aquisição de uma língua estrangeira.[26] No que diz respeito aos dois dicionários citados acima, LaPDt[27] possui a particularidade de ser um dicionário cogitado para o mercado alemão. De acordo com o exposto acima, trata-se, muito provavelmente, de um dicionário para o usuário alemão e não para o brasileiro. MiAlP,[28] por outro lado, segue a tendência da editora Melhoramentos, o que significa dizer que esse e outros dicionários bilíngües são redigidos desatendendo completamente aos parâmetros básicos da lexicografia bilíngüe.

3.2. Em relação aos dicionários monolíngües, é fundamental distinguir entre dicionários para falantes do alemão como L1 e dicionários para falantes do alemão como L2. Esses últimos inscrevem-se na categoria dos “dicionários de aprendizes” [learner´s dictionaries] (cf. Hartmann, James),[29] tipo específico que faz parte dos chamados “dicionários pedagógicos” [pedagogical dictionaries] (cf. Hartmann).[30] [31]

3.2.1. Segundo o diagrama proposto, o primeiro genótipo ao qual é necessário fazer menção é o dicionário ortográfico, o “Rechtschreibungswörterbuch”, que aparece intimamente ligado à tradição da série Duden (DuRwtb).[32] O dicionário ortográfico apresenta uma série de particularidades para o consulente de língua portuguesa. Em primeiro lugar, do lado direito da equação lexicográfica, pode aparecer um breve comentário de forma,[33] normalmente ligado a alguma particularidade ortográfica ou sintática do signo-lema, como s.v.

    Heft das; -[e]s, -e

onde o consulente é informado sobre o alomorfe no caso do genitivo. Em outros casos, o comentário de forma não excede à divisão silábica, integrada ao lema, como s.v.

    He | hung

DuRwtb [34] é extremamente coerente em relação ao programa constante de informações [Festesinformationsprogramm] (pci), de forma que o verbete costuma apresentar um pci pouco denso. No entanto, as reformas ortográficas que o alemão vem experimentando desde a década de 1990 fazem com que nas edições mais recentes existam pós-comentários de forma que visam salientar a mudança de doutrina ortográfica. Em relação à disposição lemática, DuRwtb[35] optou claramente pela estrutura lisa, mas há também casos de nicho léxico, de modo que os derivados de um mesmo primitivo aparecem agrupados em um único bloco de texto. É preciso salientar também que, embora a sua própria condição de “Rechtschreibungswörterbuch” faça com que exista uma nítida preferência por segmentos informativos de comentário de forma, DuRwtb [36] apresenta alguns casos de paráfrases explanatórias, como s.v.

    He | ge, die; - (Pflege u. Schutz des Wildes)

assim como comentários de ordem pragmática no derivado heidenmäβig s.v. Heiden...

    hei | den |mä | βig (ugs. für sehr, groβ)

Também há casos de uma discreta presença de fraseologia, como s.v. Hecht

    Hecht | sup | pe; es zieht wie ~ (ugs. für es zieht sehr)

Em função dessas decisões macro e microestruturais, a leitura de alguns verbetes pode tornar-se um tanto difícil para um usuário que não esteja acostumado aos nichos léxicos. A versão eletrônica do mesmo dicionário, DuRwtbe,[37] possui recursos de hipertexto que facilitam a consulta. Frente a essa lexicografia “oficial”, há também uma série de publicações “privadas” com o mesmo objetivo. Cita-se aqui o caso de nR,[38] que segue, ainda que de forma mais simplificada, a tendência de DuRwtb.[39] O mercado lexicográfico alemão conta com inúmeros desses dicionários. Do ponto de vista do estudante brasileiro de germanística, a situação desses dicionários merece uma análise cuidadosa. Por um lado, a lexicografia “oficial”, representada por DuRwtb,[40] é um ganho indiscutível em termos de uma norma exemplar. No entanto, a densidade do programa constante de informações dificulta, às vezes, a consulta, sobre tudo para o estudante iniciante. Por outro lado, nR [41] e outras obras similares oferecem uma estrutura de acesso e um pci muito menos denso, o que torna a consulta “freundlicher”. Nessas condições, cabe pensar que que nR [42] é mais apropriado para o iniciante, en quanto que DuRwtb[43] é mais recomendável para estudantes avançados.

Em relação aos dicionários semasiológicos, eles podem ser divididos em gerais (diasssitêmicos por definição) e especiais, seja pelo público-alvo que se almeja atingir, como os dicionários escolares, por uma seleção lemática sinsistêmica, como os dicionários de estrangeirismos, ou por combinatória lemática, como o DuStlwtb.[44]

Sem dúvida alguma, DUW,[45] W[46] e StWtb[47] são exemplos paradigmáticos de dicionários gerais do alemão. Seguindo a tendência característica da lexicografia alemã, um dos traços marcantes das duas primeiras obras é a estrutura de nicho léxico. Na terceira, a estrutura lisa é predominante, aparecendo de maneira muito esporádica a agrupação com progressão alfabética ininterrupta dentro de um único bloco de texto (como, por exemplo, s.v. bekommen, eigenwillig e fristen). Para efeitos de análise serão considerados DUW[48] e StWtb.[49] Em DUW,[50] aparecem arroladas na macroestrutura grande quantidade de siglas, como s.v. Al, a.I, OB., TU, etc. Em Bugueño [51] nos manifestamos contrários à lematização desse tipo de formas, por considerar que não constituem lexemas propriamente ditos, embora, em alguns casos, como em TU, possa, de fato, estar acontecendo um processo de lexicalização. No entanto, e a partir da perspectiva do germanista brasileiro que se depara com essas e outras siglas na sua leitura de textos no alemão, a presença dessas unidades pode resultar extremamente útil. Nos meios de comunicação radial, é já corriqueiro, por exemplo, referir-se ao prefeito de uma cidade como “der OB” [Oberbürgermeister].[52] A abrangência macroestrutural de DUW[53] é tão grande que se incorporam até unidades léxicas não tão comuns, tais como favela e fazenda, assim como alguns nomes próprios (Hong Kong, Nicaragua). Ainda no plano macroestrutural, destacase a solução homonímica empregada no dicionário, como, por exemplo, ¹locken, ²locken, ¹Granat, ²Granat, ¹Heide, ²Heide. No entanto, sem se compreender muito bem porquê, há casos em que o indicador estrutural tipográfico [typographischer Strukturanzeiger] (cf. Engelberg, Lemnitzer)[54] é empregado para unidades claramente polissêmicas, como s.v. ¹Standard, onde ²Standard aparece como sublema dentro de um nicho léxico. Nessas circunstâncias, e apesar de a solução homonímica refletir melhor a história da língua, a mesma perde sentido, já que a opção de nicho léxico torna extremamente complexa a consulta do verbete, devido ao número e à densidade das informações. No que diz respeito ao StWtb,[55] e tal como foi comentado, a estrutura lisa facilita muito a consulta. Optou-se também por uma solução homonímica, como s.v. Dogger¹, Dogger², einladen¹, einladen², Futter¹, Futter². De forma similar a DUW,[56] há também casos em StWtb [57] em que a solução homonímica não é completamente compreensível, como s.v. docken1¹, docken2, já que ambos lexemas possuem a mesma base etimológica. Em relação à opção por uma solução “polissêmica” ou “homonínica” é necessário fazer algumas ponderações. Em primeiro lugar, não há, na literatura, uma prescrição em relação à qual delas é metodologicamente mais apropriada. Normalmente, leva-se em consideração o tipo de dicionário para optar por uma ou por outra. No momento atual da metalexicografia, considera-se também a função da obra lexicográfica como uma variável à qual se deve prestar atenção. Do ponto de vista do qual se julgam esses dicionários, isto é, da perspectiva do germanista brasileiro, uma solução homonímica, no entanto, oferece a vantagem de “decupar” em blocos de textos conjuntos de informações que, de outra forma, conformariam textos extremamente longos que tornariam a leitura muito trabalhosa.

Sem dúvida, é no plano microestrutural que os dicionários semasiológicos do alemão oferecem as maiores novidades para o consulente de língua portuguesa. No caso de DUW,[58] o comentário de forma dos substantivos está composto por segmentos informativos que informam as particularidades morfológicas em relação ao gênero (marcado pelo artigo) e aos morfemas do genitivo e do nominativo plural, como s.v. p align="justify"> Também há casos de uma discreta presença de fraseologia, como s.v.

    ¹Boot, das;-[e]s,-e

Em StWtb,[59] por outro lado, escolheu-se não sobrecarregar o comentário de forma e, em lugar da descrição morfológica, há um procedimento medioestrutural. O comentário de forma está representado por uma letra (que serve de índice de categoria morfológica) e um número, encerrados entre parênteses triangulares:

    Boot < n.1>

Nrepresenta Neutrum e o número 1 remete ao primeiro dos 18 modelos de declinação dos nomes, expostos todos, junto com os paradigmas dos “schwache und starke Verben”, no front matter. A fim de ilustrar como funciona esse procedimento medioetrutural, reproduz-se parte do modelo 1.

 

 

    Singular Plural Singular Plural
           
(1) Neutrum Nominativ das Pferd die Pferde das Gleis die Gleise
  Genitiv des Pferd(es) der Pferde des Gleises der Gleise

StWtb

 

 

Sem sombra de dúvida, o procedimento de StWtb[60] é mais dispendioso que o empregado em DUW,[61] já que implica recobrar informação em outro ponto do dicionário. No entanto, a vantagem que o estudante brasileiro do alemão tem é que cada um dos 18 “Muster” oferece um substantivo declinado em todas as suas formas, o que sempre é uma ajuda inestimável. DUW,[62] por outro lado, fornece unicamente as informações já descritas.

Um aspecto no qual os dois dicionários demonstram um alto grau de similitude é a apresentação da valência, um segmento informativo de suma importância para qualquer consulente. DUW [63] oferece uma indicação de valência que não é facilmente compreensível para um usuário com pouca familiaridade com os dicionários do alemão. S.v. geben, por exemplo, a única marcação de valência explícita é a presença do pronome “jmdm.” para assinalar o dativo. O outro actante, o acusativo, só pode ser depreendido da frase modelo [Musterbeispiel] que aparece na primeira acepção:

 

geben <st. V.; hat > (...) 1.a) (durch Übergeben, Überreichen, [Hin]reichen, Aushändigen) in jmds. Hände, Verfügungsgewalt  gelangen lassen: jmdm. die Speisekarte, einem Kranken das Essen, zu trinken g. (…)

DUW

 

Eis justamente uma das decisões metodológicas questionáveis, e muito própria da lexicografia alemã, já que os “Musterbeispiele” são polifuncionais, isto é, podem cumprir diferentes funções, tais como no caso sob análise. O acusativo pode ser inferido somente pelo artigo definido dos substantivos. Em outros casos, os “Musterbeispiele” dizem respeito à questões colocacionais ou servem como complemento para tornar ainda mais elucidativa a paráfrase explanatória. Nessas condições, somente um usuário com uma boa competência no alemão e com experiência em consulta de dicionários da mesma língua pode extrair correta e integralmente a informação sobre a valência. Já StWtb[64] adotou um padrão de apresentação da valência muito mais fácil, “lesefreundlich”. Para ilustrar, apresenta-se o verbete correspondente ao mesmo verbo analisado anteriormente:

 

ge│ben <V. 45, hat gegeben> I <mit Dat. u. Akk.> 1 jmdm. etwas g.  a etwas in jmds. Hand legen; jmdm. die Hand g.; jmdm. einen Gegenstand g.  b jmdm. etwas zuteil werden lassen (…)

StWtb

 

Como vemos, a marcação da valência está presente três vezes. Logo após a apresentação do comentário de forma que fornece a indicação sobre o verbo auxiliar a ser empregado no “Perfekt”, há uma primeira informação da valência através dos indicadores estruturais “Dat.” e “Akk.”; a seguir, a valência é apresentada uma segunda vez por meio dos pronomes indefinidos “jmdm.” e “etwas” e, finalmente, através de um “Musterbeispiel”: “jmdm. einen Gegenstand g.”. Esse é, sem dúvida, um mecanismo explanatório extremamente útil para o consulente que tem o alemão como língua estrangeira. Considerando também que os artigos feminino e neutro são sincréticos nos casos nominativo e acusativo, a presença de um acusativo masculino é uma informação extremamente discriminante.[65]

No que diz respeito à formulação das paráfrases explanatórias, deve-se levar em conta três parâmetros: a) a presença de uma taxonomia que oriente a formulação da paráfrase; b) a uma sintaxe (“pattern sintático”) da formulação das mesmas e c) a teoria semântica que orienta sua formulação. A metalexicografia ainda não possui uma teoria da definição, de maneira que as conclusões sobre essa questão só podem ser provisórias. Para fins práticos desse trabalho, serão empregados dois parâmetros de avaliação: 1) a presença de uma técnica para a formulação das paráfrases e 2) a capacidade que teria um consulente para compreender a paráfrase. Isso pode ser chamado de “poder elucidativo da paráfrase”. Em relação ao ponto 1, os dicionários alemães alternam o uso da sinonímia com paráfrases explanatórias em que um membro da família léxica do signo-lema costuma aparecer. Nessas condições, a consulta de pelo menos um segundo verbete (uma remissão) torna-se quase inevitável. Em DUW[66] oferece-se a seguinte paráfrase explanatória:

 

 

 

einkerben (...)  a) eine Kerbe in etw. Schneiden: einen Stock am oberen Ende e. b) kerbend in etw. hervorbringen, entstehen lassen: Buchstaben in einem Baumstamm e. (…)

 

 

 

Em StWtb,[67]por outra parte, a paráfrase oferecida é muito mais simples na sua formulação:

 

 

  einkerben  (…) 1. etwas e. tief und deutlich sichtbar einschneiden; Zeichen in einem Stockbaum e. 2. mit Kerbe(n) versehen; einen Stock, ein Stück Holz e.  

 

 

No que diz respeito ao emprego de sinônimos em lugar de paráfrases definidoras, essa opção é “stritig” na discussão atual. Tanto Svensén[68]como Martinez de Souza,[69]manifestam-se contra o uso de sinônimos como mecanismo explanatório. Jackson, Zé Amvela,[70]

no entanto, consideram que o emprego da sinonímia é um recurso legítimo quando a paráfrase explanatória é pouco elucidativa. Se, por um lado, é certo que o comentário, enquanto reescrita, deveria estar representado por uma paráfrase, também é verdade que há casos em que, de fato, não sempre é possível gerar uma paráfrase suficientemente elucidativa. Nesses casos, o emprego de um sinônimo torna-se uma opção a ser considerada. No entanto, o caso citado “ad supra” demonstra que a re-escrita é perfeitamente possível. A metalexicografia carece ainda de uma teoria da definição, como já foi comentado, mas a redação em termos simples de uma paráfrase é um sinal de qualidade de uma definição.

Os dicionários escolares, por outro lado, e na tradição dos “Rechtschreibungswörterbücher”, são absolutamente normativos. Assim, por exemplo, WzW[71] declara expressamente ser um dicionário ortográfico. No que diz respeito ao programa constante de informações, é notório que nem sempre as paráfrases explanatórias estão em um lugar de destaque, já que há a tendência a privilegiar informação sobre morfologia e divisão silábica, assim como construções sintagmáticas, sejam essas expressões idiomáticas ou colocações. Esse tipo de dicionário é de utilidade parcial para o usuário brasileiro aprendiz do alemão, sobretudo porque, como já foi comentado, as paráfrases explanatórias aparecem, às vezes, relegadas a um segundo plano. Assim, por exemplo, s.v. Gewalt não há nenhuma definição propriamente dita, mas sim, no caso das expressões idiomáticas, uma breve glosa entre parênteses, embora a polissemia de Gewalt seja clara e presente no alemão contemporâneo.

 

 

  Gewalt die, die Gewalten: mit aller Gewalt (unbedingt), sich in der Gewalt haben (beherrscht sein); gewal│tig; gewalt│los gewaltloser Widerstand; gewaltsam; Gewalttat die; gewalttig  

WzW

 

 

Sem dúvida alguma, um dos “genótipos clássicos” da lexicografia alemã é o “Fremdwörterbuch”, o dicionário de estrangeirismos (cf. Kirkness).[72] Embora existam inúmeras edições desse tipo de obras lexicográficas, é possível encontrar um elo comum claro desde DuFrmwtb[73] até DuKlFrmwtb,[74] no programa constante de informações, nos quesitos indicação ortográfica, pronúncia e comentário semântico. Para o estudioso da língua alemã, a sua consulta sempre traz surpresas (cf. Bugueño[75] para uma análise do DuKlFrmwtb).[76]

Finalmente, em relação aos dicionários sintagmáticos, indubitavelmente, que o dicionário de colocações é o expoente “par excellance”. Novamente, DuStlwtb[77] representa o genótipo perfeito. Esse tipo de dicionário é extremamente útil para o germanista, já que oferece as combinações estáveis não fixas mais freqüentes no alemão, e que são (sempre) um problema de cálculo para quem não é falante nativo no momento da produção. É prudente, no entanto, fazer uma advertência sobre esses dicionários. Chama a atenção que o seu título não faça alusão nenhuma ao tipo de combinatória que apresenta. Isso tem a ver com o fato de que as combinatórias que oferecem não ficam restritas às colocações, mas sim a tudo o que é lícito combinar em termos de norma real. “Stil”, nesse caso, significa o que é comum e idiossincrático “que se agrupe” no alemão, aliado ao bom e seleto senso idiomático. Em uma concepção tão ampla da combinatória sintagmática, as colocações ficam um tanto “escondidas”, de forma que o usuário brasileiro tem que “garimpar” as informações colocacionais.

No que diz respeito à onomasiologia, na taxonomia proposta, ela é entendida como qualquer tipo de ordenação que ofereça designações. Isso significa que a equação lexicográfica pode estar composta por sistemas semióticos lingüísticos ou não, sob a condição de que no lado direito da mesma apareça uma designação. Essa concepção permite estabelecer uma subcategorização entre onomasiologia “stricto senso” e sinonímia, por um lado, e dicionário pela imagem, pelo outro. A onomasiologia “stricto senso” apresenta um problema teórico e prático tanto para o lexicógrafo como para o usuário. Baldinger,[78] por exemplo, salienta que a ordenação alfabética apresenta uma estrutura de aceso fácil para o usuário, destruindo, no entanto, as relações que as unidades léxicas guardam no plano do conteúdo.

Sterckenburg[79] propõe quatro tipos de dicionários que podem ser chamados de onomasiológicos: o dicionário onomasiológico (ou sistêmico), o dicionário de sinônimos, o dicionário reverso e o dicionário pela imagem. Essa classificação é parcialmente coincidente com a proposta nesse trabalho, divergindo, entretanto, na inclusão do dicionário reverso. Na nossa opinião, o dicionário reverso corresponde ao que chamamos de “fenótipo lexicográfico”, ou seja, a manifestação concreta de uma obra lexicográfica que possui traços pouco claros. De fato, Sterckenburg [80] lembra que o dicionário reverso apresenta uma estrutura de acesso muito pouco útil. Na nossa opinião, essa estrutura de acesso nem poderia ser chamada dessa maneira. Assim, acreditamos que a onomasiologia decupa-se nos três genótipos propostos na taxonomia.

Ainda não há um consenso sobre como gerar a macroestrutura em um dicionário onomasiológico “stricto senso”. Isso significa dizer que cada dicionário onomasiológico cria a sua própria ontologia para organizar o sistema conceitual que lhe serve de suporte. Reichmann,[81] por exemplo, lista um total de sete sistemas macroestruturais possíveis de ser empregados para a definição macroestrutural. Tanto dWtb[82] como dWtbSach[83] organizam o sistema conceptual em forma de uma “cascata”. Isso significa que agrupam toda a massa léxica do dicionário em conjuntos limitados de conceitos. dWtb,[84] por exemplo, organiza o léxico em torno de seis conceitos-chave (v. quadro). Cada um desses conceitos-chave, por sua vez, decupa-se em séries mais extensas de conceitos que estão relacionados com o conceito-chave, chegando-se, finalmente, a um verbete dividido em três segmentos: o primeiro contém as designações nominais (os substantivos) para o conceito que serve de signo-lema; o segundo apresenta todas as expressões de ação (os verbos), e o terceiro, os atributos (os adjetivos). Em dWtbSach,[85] por outro lado, age-se de maneira análoga, mas o ápice da pirâmide conceitual e maior. A fim de demonstrar a essencial heterogeneidade da ordenação onomasiológica, apresentamos a seguir um quadro comparativo com os conceitos-chave de cada dicionário.

 

 

dWtb dWtbSach dWtbSach
  1    Anorganische Welt. Stoffe 11. Fühlen. Affkete. Charaktereigenschaften
  2.   Pflanzen. Tier. Mensch (körperlich) 12. Denken
A. Begriffliche Beziehungen 3.   Raum. Lage. Form 13. Zeichen. Mitteilung. Sprache
B. Raum 4.   Gröβe. Menge. Zahl. Grad 14. Schrifttum. Wissenschaft
C. Stoff 5.   Wessen. Beziehung. Geschehenis 15. Kunst
D. Gesistesleben 6.   Zeit 16. Soziale Verhältnisse

E. Gebiet des Wollens

7.   Sichtbarkeit, Licht. Farbe. Schall.
Tempetatur.Gewicht. Aggregat- 

        Zustand. Geruch, Geschmack
17. Geräte, Technik
F. Gefühlsleben 8.   Ortsveränderung 18. Wirtschaft
  9.   Wollen und Handeln 19. Recht. Ethik
  10.Sinnesempfindungen 20. Religion. Das Übersinnliche

 

 

É evidente, pois, a disparidade enquanto ao número, tipos e ordenação de conceitos-chave empregados pelos dois dicionários. Por isso, a consulta de um dicionário onomasiológico pressupõe sempre ter que compreender primeiramente a sua pirâmide conceitual.

Assim como o sistema conceitual permite outros tipos de respostas, especialmente para a produção, assim também a ordenação conceitual é extremamente complexa. Reichmann[86] comenta a esse respeito que os dicionários onomasiológicos se legitimam como uma alternativa à ordenação semasiológica se o usuário conseguir ter o mesmo sucesso de consulta que obtém com um dicionário de ordenação alfabética, fato que julga difícil. Embora exista consenso sobre a dificuldade imanente da ordenação onomasiológica, é bom lembrar, de acordo com Anderson, Goebel, Reichmann,[87] que a onomasiologia está intimamente unida à semasiologia. Na verdade, trata-se dos dois lados da mesma moeda. Para um estudante avançado do alemão, um dicionário onomasiológico pode ser uma alternativa extremamente útil.

Em relação à sinonímia, o espectro de obras é bastante variado. Por um lado, DuSyWtb[88] constitui o protótipo de dicionário de sinônimos discriminados. Isso explica o subtítulo da obra: ein vergleichendes Synonymwörterbuch.em> Emprega-se o verbete ablisten para explicar a discriminação dos sinônimos:

 

 

 

ablisten, jmdm. etwas: jmdn. mit List dazu bringen, etwas herzugeben: er hat ihm seine Uhr abgelistet; (…). ablocken, jmdm etwas: jmdm. durch Schmeicheln oder durch Überredung etwas abgewinnen: sie haben ihm ein Versprechen  abgelockt; (...).

abluchsen, jmdm. etwas (salopp): mit List und Schlauheit jmdm. etwas abnehmen: sie haben ihm eine ganze Menge Geld abgeluchst; (...). ablotsen, jmdm. etwas abnehmen,´ihn dazu bringen, etwas herzugeben: er hat seinem Bruder den neuen Ball abgelotst (...)  → 178
 

DuSyWtb

 

 

A discriminação é feita através das paráfrases explanatórias que aparecem depois de cada sinônimo. Assim, por exemplo, as “differentiae specificae” entre ablisten e ablocken devem-se a que, no primeiro caso, o engano se dá por “List” e no segundo, por “Schmeicheln oder Überredung”. Já entre ablisten e abluchsen a diferença é diafásica (a marca “salopp” em abluchsen). No final do verbete vem um número que remete a uma segunda ordenação macroestrutural, que contém palavras com as quais ablisten guarda ou relações semânticas ou relações conceituais. Esse bloco subdivide-se em grupos segundo um critério morfológico. A continuação, apresentamos o bloco 178:

 

 

 

178 S: Raub, Beute, Diebesgut, Sore, heiβe Ware.

V: 1nehmen, sich etwas, sich etwas grapschen, angeln · 1erwischen, ergattern · bemächtigen, sich, Besitz ergreiffen, Besitz nehmen Ÿ 1aneignen, sich, sich etwas unter den Nagel reiβen · erbeuten, kapern Ÿ ablisten, ablocken, abluchsen, ablotsen (…) ŸŸ stehlen [einen] Diebstahl begehen, wegnehmen (…)
 

DuSyWtb

 

 

Como é possível constatar, além da divisão por pertinência morfológica, o grupo aparece decupado em função de um possível hiperônimo (destacado em itálico), e por afinidade semântica, avaliada pela intensidade e o número de pontos de cada série. A maior afinidade semântica é marcada por um ponto simples. Um grau intermédio é representado por um ponto destacado em negrito e a menor afinidade, por dois pontos em negrito. Nesses casos, existe já quase uma relação onomasiológica, mas compreendida aqui como analógica.

Por outro lado, são também interessantes dois tipos de dicionários classificados genotipicamente como de sinônimos. Se, por um lado, existem os dicionários de sinônimos acumulativos (que não serão tratados aqui), há outros que oferecem uma organização muito mais rica que a simples listagem de sinônimos. Embora não possam ser classificados como dicionários de sinônimos discriminados, eles apresentam dois traços que permitem falar em uma “semantische Vernetzung” que ajuda a elevar a qualidade da consulta. Os dicionários analisados são nWtbSy[89] e LdtSy.[90] Ambos compartilham o traço de dispor de duas ordenações macroestruturais complementares. A primeira lista os sinônimos a partir de uma palavra-chave, possuindo cada verbete um número. A segunda ordenação macroestrutural oferece, em ordem alfabética, o total de massa léxica contida no dicionário. Detrás de cada item léxico dessa segunda listagem aparece um número que corresponde ao verbete com o qual esse item lexical guarda relações léxicas. Assim, o usuário dispõe de duas estruturas de acesso que não somente facilitam a sua busca, mas também o ajudam a estabelecer relações semânticas e lhe oferecem séries sinonímicas mais organizadas, embora, obviamente, a discriminação sinonímica no interior de cada séria fique subordinada à competência do usuário, já que não há qualquer tipo de discriminador semântico.

 

 

 

5312 Mädchen

Backfisch, Biene, Bohnenstange, Dirn, Dirndl, Dirne, Fräulein, Gör, Heulliese, Kratzbürste, (…) Ÿ Dienstmädchen, Hausangestellte, Hausmädchen Ÿ Freundin, Geliebte
 

nWtbSy

 

 

Nesse contexto, nWtbSy[91] oferece uma microestrutura mais rica ao dividir as séries sinonímicas em grupos de maior coesão semântica. Esse procedimento, no entanto, a partir da perspectiva do usuário aprendiz do alemão, só é funcional se o mesmo possui uma boa competência léxica. Assim, por exemplo, s.v. Mädchen, oferecem-se três grupos de sinônimos. O critério de distinção dos grupos não é só intensional, mas também diassistêmico. O primeiro grupo de sinônimos oferece designações para “moça” segundo uma concepção diafásico-diastrática, tais como: Backfisch, Biene, Bohnenstange, Kratzbürste, etc. Há ainda casos, dentro dessa série, em que a alternativa sinonímica não é muito perceptível, como Dirne, claramente um disfemismo. O segundo grupo está articulado em torno do conteúdo “moça que se preocupa com os afazeres domésticos”, oferecendo as opções Dienstmädchen, Hausangestellte e Hausmädchen; finalmente, o terceiro grupo refere-se a “namorada”: Freundin, Geliebte. Sem dúvida alguma, o primeiro grupo (o mais numeroso) é o de cálculo mais difícil. Um usuário aprendiz poderia lidar relativamente bem com o segundo e o terceiro grupo; com o primeiro, teria muito mais dificuldades.

Finalmente, um “Meilenstein” da lexicografia alemã é, sem dúvida, o dicionário pela imagem. Esse, no entanto, constitui um genótipo lexicográfico pouco conhecido e pouco estudado. Assim , por exemplo, faltam estudos sobre como gerar a macroestrutura em um dicionário dessa classe. Trata-se, na verdade, do mesmo problema dos dicionários onomasiológicos “stricto senso”. Por outro lado, ainda não é possível avaliar, tampouco, a pertinência das imagens em termos de poder explanatório, já que, em muitos casos, a gravura tem só um caráter prototípico. Ainda no âmbito dos problemas teórico-metodológicos desses dicionários, falta resolver se um dicionário com gravuras ou um dicionário com fotografias seria a melhor solução, do ponto de vista gráfico.

Martinez de Souza,[92] define esse tipo de obra como um “dicionário ideográfico que registra sistematicamente uma série de gravuras de uma matéria determinada com os nomes de cada uma das suas partes”.[93] Nessa definição, podem ser encontrados já alguns dos problemas apontados no parágrafo anterior, dado que o grau de sistematicidade é muito relativo. Assim, há dicionários pela imagem que oferecem gravuras com protótipos (os meios de transporte, por exemplo), enquanto outras representam um objeto até nos seus mais mínimos detalhes.

Scholze-Stubenrecht[94] distingue quatro tipos de dicionários pela imagem: o “dicionário monolíngüe geral pela imagem” [einsprachiges allgemeinsprachliches Bildwörterbuch],[95] o “dicionário plurilíngüe geral pela imagem” [mehrsprachiges allgemeinprachliches Bildwörterbuch], o “dicionário monolíngüe especializado pela imagem” [einsprachiges fachsprachliches Bildwörterbuch] e o “dicionário plurilíngüe especializado pela imagem” [mehsprachiges fachsprachliches Bildwörterbuch].

Embora não seja o único expoente, sem dúvida alguma, o DuBldwtb[96] costuma ser considerado o arquétipo de dicionário pela imagem. A planta de distribuição dos quadros de gravuras (é ainda um problema falar em macroestrutura nesse caso), tornou-se um modelo quase inalterável nos últimos cinqüenta anos, acrescentando-se unicamente alguns quadros para as novidades tecnológicas, como, por exemplo, na área das comunicações e da eletrônica. A mesma planta de distribuição de gravuras é empregada também nas edições bilíngües.

DuBldwtb[97] criou o padrão para o genótipo, oferecendo duas estruturas de acesso. Há uma primeira ordenação feita pela planta de distribuição dos quadros de gravuras. A segunda ordenação corresponde a um índice de progressão alfabética para todas as designações dos “realia” presentes na primeira ordenação.[98] Dessa forma, o consulente pode procurar a partir dos “realia”, como, por exemplo, um determinado tipo de vagão ferroviário (cf. DuBldwtb[99] : s.v. Eisenbahnfahrzeuge), e, através do número que acompanha a gravura, encontrar esse número na listagem ao pé de página. Por outro lado, quando o consulente conhece uma unidade léxica tal como Sattelwagen, procura na segunda ordenação, onde ao lado do signo-lema Sattelwagen, aparece a remissão ao quadro Eisenbahnfahrzeuge (Schienenfahrzeuge) VI e à gravura número 23, que corresponde a essa unidade léxica.

Naturalmente, parte do sucesso da busca dependerá de quão “geral” (prototípica) ou específica seja a unidade léxica ou o “realia” que se procura. Dependendo do dicionário, e no âmbito da técnica, há quadros extremamente específicos e, às vezes, muito mais próprios do dicionário técnico pela imagem.

Em relação aos dicionários plurilíngües pela imagem, PnsBldwtb[100] é, talvez, uma das tentativas mais recentes de dicionário pela imagem, constituindo uma edição com designações em alemão, inglês, francês, espanhol e italiano. A principal diferença entre PnsBldwtb[101] e DuBldwtb,[102] além do fato de ser esse último um dicionário monolíngüe, está na qualidade das gravuras, que apresenta contornos quase fotográficos.

No que diz respeito ao emprego de dicionários pela imagem, Scholze-Stubenrecht[103] confere aos “Bildwörterbücher” a condição de dicionários auxiliares de outros dicionários (“Als Nachschlagewörterbuch kann es nur Ergänzung sein”). Sem tirar o mérito dessa opinião, é necessário salientar também que para efeitos de produção textual podem oferecer uma boa alternativa. Por outro lado, para o tradutor, são também uma interessante fonte de sugestões de equivalências.

3.2.2.A última categoria a ser analisada é a dos “learner´s dictionaries”. Nos últimos anos, a lexicografia alemã tem investido nesse tipo de dicionário, que, como já foi dito, está cogitado para quem tem o alemão como língua estrangeira. A editora Langenscheidt foi pioneira nesse tipo de dicionários, embora agora Pons e Duden também ofereçam dicionários dessa modalidade. Na série Langenscheidt, é possível encontrar dois dicionários de aprendizes. O primeiro, em termos cronológicos e de formato, é o LaGwtbDaF,[104] que possui uma versão “minor”, o LaTwtbDaF[105] (cf. Bugueño[106] para uma resenha dessa obra).

Em relação ao LaGwtbDaF,[107] cabe salientar que essa obra possui um extenso programa constante de informações. No âmbito do comentário de forma, e como já é costumeiro nos dicionários alemães, integrado ao signo-lema, encontra-se a divisão silábica, assim como a sílaba tônica, marcada por um ponto embaixo da vogal. É no comentário semântico, no entanto, onde o dicionário oferece uma alta densidade informativa, prestando-se grande atenção à sinonímia, à antonímia e às colocações (embora nos “Hinweise für den Benutzer” reconheça-se que nem sempre as combinações arroladas correspondem, na verdade, a colocações).[106] No que diz respeito às paráfrases definidoras, é pertinente reconhecer que nem sempre é possível gerar paráfrases claras. Como foi comentado já a propósito dos dicionários gerais, às vezes, a falta de uma técnica para definir compromete o poder elucidativo de uma paráfrase. No caso de um “learner´s dictionary”, no entanto, o cuidado deve ser duplo, justamente porque o consulente não é falante nativo. Nota-se uma especial preocupação com a geração de paráfrases claras e de fácil compreensão, mas há casos em que não é possível evitar que uma paráfrase contenha vocabulário relacionado com a mesma família léxica do lema (é princípio geralmente aceito que isso não deve acontecer), fato pelo qual o usuário está obrigado a consultar outro verbete, como em abbrechen acepção 1. Interessante é também o sistema de indicadores estruturais empregados para marcar a valência. Em lugar das já consagradas siglas “Akk.” e “Dat.”, emprega-se um sistema mais próximo da tradição lingüística românica, com abreviaturas tais como Vt (para a marcação do acusativo) e Vi (para a marcação de verbos intransitivos ou empregados em estado absoluto). Lamentavelmente, o dativo não aparece marcado junto ao signo-lema, mas somente dentro das acepções, como um comentário prévio à paráfrase explanatória, como s.v. abdrücken

    ạbŸdrüŸcken (hat) Vt 1 (j-m / sich) ew. a

Oferece-se agora um intervalo lemático que reflete bem as decisões microestruturais adotadas no dicionário:

 

 

 

ạbŸbreŸchen Vt (hat) 1 etw. (von etw.) a. etw. von etw. durch Brechen entfernen: e-n dürren Ast a. 2 etw. a. etw. (plötzlich) beenden, bevor das gewüschte Ziel erreicht ist <e-e Beziehung, ein Studium, e-e Verhandlung, e-e Veranstaltung a.> (…)
ạbŸbremŸsen (hat) Vt/i (etw.) a. die Geschwindigkeit reduzieren (bis man zum Stehen kommt) 1 beschleunigen: Er musste (das Auto) stark a.

ạbŸbrenŸnen Vt (hat) 1 etw. a. etw. durch Feuer zerstören ≈ verbrennen (4): e-e alte Hütte a. 2 ein Feuerwerk a. verschiedene Feuerwerkkörper anzünden u. explodieren od. in die Luft fliegen lassen; Vi (ist) 3 etw. brennt ab etw. wird durch Feuer völlig zerstört ≈ etw. brennt nieder.

LaGwtbDaF

 

 

A análise do intervalo permite comprovar a exaustividade que apresenta o programa constante de informações. Além do fato de ser apresentado o “Hilfsverb” para a formação do perfeito, cada paráfrase oferece até os actantes optativos. Assim, por exemplo, s.v. abbrechen aparece na acepção 1 a opção de inserir um ablativo agente (“von etw.”) e s.v. abbremsen, a marcação da valência “à românica” informa que o verbo, sendo transitivo, pode ser empregado com o objeto direto ou em estado absoluto (“Vt/i”). S.v. abbremsen, por outro lado, oferece-se a opção antonímica, marcada por “  “ e s.v. abbrennen aparece, por sua vez, a opção sinonímica, marcada por “ ≈ “. No quer diz respeito às colocações, elas aparecem marcadas entre “ < > “ s.v. abbrechen. De fato, constituem os casos de combinações mais corriqueiras no alemão. Naturalmente, nesse como em muitos outros casos, esses fenômenos requerem uma dupla lematização, tanto pela base como pelo colocado, seguindo a já clássica doutrina de Hausmann.[109]

4 Conclusões

Esse breve percurso pela lexicografia do alemão permite concluir que a “deutsche Wörterbuchlandschaft” oferece um interessante leque de opções que podem ser muito bem aproveitadas pelo germanista brasileiro. Naturalmente, alguns tipos de dicionários “setzen voraus” um bom domínio do alemão, já que, obviamente, foram cogitados para o falante nativo. No entanto, na hora de um balanço, a riqueza das informações compensa o esforço que o germanista brasileiro “in spe” deva fazer. Com isso, não estamos negando a distinção entre dicionários para falantes nativos e dicionários para aprendizes (“lerner´s dictionaries”), nem estamos negando o valor intrínseco que um “DaF Wörterbuch” tem. Tão somente reconhecemos que a qualidade dos dicionários alemães é inquestionável.

Assim como salientamos a qualidade dos dicionários alemães, também salientamos a necessidade de ajudar os jovens estudantes a compreender como uma obra lexicográfica “funciona”. Es ist also wünschenswert, daβ die brasilianischen jungen Germanisten bzw. Germanistinnen beigebracht wird, wie man im Wörterbücher nachschlägt.

Notas

[1] Seguindo a tendência da metalexicografia européia, os dicionários serão representados por siglas (cf . HARTMANN, R.R.K. Teaching and researching lexicography. London: Longman 2001, p. 112).

[2] DuRwtb. Duden .Die deutsche Rechtschreibung. Mannheim: Bibiographisches Institut, 2006.

[3] DUW. Duden. Deutsches Universalwörterbuch. Mannheim: Bibliographisches Institut, 196.

[4] BUGUEÑO, Félix, FARIAS, Virginia. Informações discretas e discriminantes no artigo léxico. Cadernos de tradução 18, Florianópolis, p.115-135, 2006, p.122.

[5] BUGUEÑO, Félix . Cómo leer y qué esperar de un diccionario monolingüe (con especial atención a los diccionarios del español). Revista de Língua & Literatura 8-9. Frederico Westphalen, p.97-114, 2003 p. 97-98.

[6] É fundamental distinguir entre o compilador de um dicionário, não necessariamente alguém com formação em lexicografia, e o lexicógrafo, que se dedica a estudar dicionários. Nesse último caso, na lexicografia teórica, emprega-se também o nome de “metalexicógrafo” (cf. JACKSON Howard. Lexicography. London: Routledge, 2002, p. 30; também HARTMANN, R.R.K. JAMES, Gregory. Dictionary of lexicography. London: Routledge, 2001. s.v. metalexicography para esse conceito).

[7] BUGUEÑO, Félix. Léxico e ensino: Señas (2000), um dicionário para aprendizes de espanhol? In: MARTINS, Evandro, CANO, Waldenice, MORAES FILHO, Waldenor (orgs.) Léxico e morfofonologia: perspectivas e análises. Uberlândia: EDUFU, p. 213-227, 2006. 

[8] Hou. HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Perspectiva, 2001.

[9] As taxonomias podem ser classificadas em três tipos: 1) taxonomias impressionistas, baseadas no aspecto físico dos dicionários; 2) taxonomias funcionais, baseadas na função e no público-alvo do dicionário, e 3) taxonomias lingüísticas, baseadas em critérios lingüísticos.

[10] Um exemplo é o front matter de MiHou (2004), que contem mais de vinte páginas. Dificilmente um usuário escolar as consultaria.

[11] KÜHN, Peter. Typologie der Wörterbücher nach Benutzungsmöglichkeiten. In:  HAUSMANN, Franz  Joseph, REICHMANN, Oskar, WIEGAND, Herbert Ernst, ZGUSTA, Ladislav (Hrsgn.) Wörterbücher, Dictionaries, Dictionnaires I. Berlin, New York: de Gruyter,  p.111-127 1989, p. 112.

[12] COWIE, A.P. Language as words: lexicography. In: COLLINGE, N.E. (ed.). An encyclopaedia of language. London: Routledge, p.192-218, 1991, 213.

[13] SWANEPOEL, Piet. Dictionary typologies: a pragmatic approach. In: STERKENBURG, Piet van (ed.). Practical guide to lexicography. Amsterdam: John Benjamin, p.44-70, 2003.

[14] SWANEPOEL, Piet. Dictionary typologies: a pragmatic approach. In: STERKENBURG, Piet van (ed.). Practical guide to lexicography. Amsterdam: John Benjamin, p.44-70, 2003

[15] cf. BUGUEÑO (2007) para uma oposição entre o dicionário bilíngüe e o dicionário de falsos amigos.

[16] Essa distinção é produto das minhas (proveitosas) discussões com a minha aluna Virginia Sita Farias.

[17] PITZEK, Mitar (Allgemeines einsprachiges Wörterbuch und Wörterbuchtypologie. Linguistik on line 3/2. Frankfurt na der Oder (1-11), htpp://viadrina.euv-frankfurt o.de/~journal/2_pitzek.html, acessado em: 08.07.2000, 1999), por exemplo, define o dicionário geral em termos de uma matriz de traços.

[18] Para efeitos de exemplificação do que é um fenótipo lexicográfico, veja-se o caso de  NdWtb (2000), que se define como um dicionário ortográfico, fraseológico, do vocabulário elementar, e com abertura para neologismos. Dessas funções, a de orientação ortográfica é a única que se cumpre rigorosamente. Não ´há qualquer indicação sobre unidades neológicas (marcação fundamental por se tratar justamente de palavras novas na língua), não há marcação de valência e, no que diz respeito à fraseologia, não se distingue entre as locuções e as colocações.

[19] LaPdt. Langenscheidts Taschenwörterbuch Portugiesisch-Deutsch / Deutsch-Portugiesisch. Berlin: Langenscheidt, 1992.

[20] MiAlP. Michaelis Dicionário Escolar alemão-português / português-alemão. São Paulo: Melhoramentos, 2002.

[21] KROMANN, Hans-Peder, RIIBER, Theis, ROSBACH, Poul. Principles of bilingual lexicography. In: :  HAUSMANN, Franz  Joseph, REICHMANN, Oskar, WIEGAND, Herbert Ernst, ZGUSTA, Ladislav (Hrsgn.) Wörterbücher, Dictionaries, Dictionnaires III. Berlin, New York: de Gruyter, p. 2711-2728, 1991.

[22] MARELLO, Carla. Les différents types de dictionnaires bilingües. In: BÉJOINT, Henri, THOIRON, Philippe (eds.). Les dictionnaires bilingues. Louvain-la-Neuve: Aupelf-Uref, Duculot, p.31-52, 1996, p. 34.

[23] HARTMANN, R.R.K. JAMES, Gregory. Dictionary of lexicography. London: Routledge, 2001.

[24] Tal transposição, no entanto, foi feita já para dicionários escolares de língua portuguesa (cf. BUGUEÑO, FARIAS  2007b).

[25] Cf. LARSEN-FREEMAN, Diane. Techniques and principles in language teaching. Oxford: OUP, 1996  para um panorama de técnicas e princípios no ensino de línguas estrangeiras.

[26] Cf. SPADA, Nina. Communicative language teaching: Current status and future prospects. In: CUMMINS, J., DAVIDSON, C. (eds.). Handbook of English language teaching. Amsterdam: Kluwer (1-19), 2004.

para uma revisão dos pressupostos epistemológicos da abordagem comunicativa; também RICHARDS, RODGERS (1998) para uma síntese dessa perspectiva do ensino de línguas estrangeiras.

[27] LaPdt. Langenscheidts Taschenwörterbuch Portugiesisch-Deutsch / Deutsch-Portugiesisch. Berlin: Langenscheidt, 1992.

[28] MiAlP. Michaelis Dicionário Escolar alemão-português / português-alemão. São Paulo: Melhoramentos, 2002.

[29] HARTMANN, R.R.K. JAMES, Gregory. Dictionary of  lexicography. London: Routledge, 2001.

[30] HARTMANN, R.R.K. Teaching and researching lexicography. London: Longman 2001

[31] Dentre os “dicionários pedagógicos”, HARTMANN, R.R.K. Teaching and researching lexicography. London: Longman 2001 distingue entre dicionários para jovens e adultos, para nativos falantes e aprendizes de uma L2, monolíngües, bilíngües e biligualizados. É necessário destacar, no entanto, e em consonância com o exposto a propósito dos dicionários bilíngües, que HARTMANN (2001, p. 76) entende a lexicografia bilíngüe voltada para o ensino-aprendizagem de uma L2 como uma lexicografia de viés onomasiológico, de modo que essa afirmação reforça a tese defendida aqui, isto é, que é necessário pensar a lexicografia bilíngüe para o ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras como uma perspectiva ainda não desenvolvida pela lexicografia.

[32] DuRwtb. Duden .Die deutsche Rechtschreibung. Mannheim: Bibiographisches Institut, 2006.

[33] Segundo WIEGAND, Herbert Ernst. (Der Begriff der Mikrostruktur: Geschichte, Probleme, Perspektiven. In: HAUSMANN, Franz  Joseph, REICHMANN, Oskar, WIEGAND, Herbert Ernst, ZGUSTA, Ladislav (Hrsgn.) Wörterbücher, Dictionaries, Dictionnaires I. Berlin, New York: de Gruyter, p.409-461, 1989) , um verbete de um dicionário de orientação semasiológica divide-se em dois conjuntos de informações. Há um primeiro grupo de informações que dão conta do signo-lema enquanto significante (por exemplo, a divisão silábica, a transcrição fonética, etc.). Esse conjunto de informações é chamado de “comentário de forma” [Formkommentar]. Por outro lado, há um segundo conjunto de informações ligadas ao signo-lema enquanto significado. WIEGAND (1989) as chama de  “comentário semântico” [semantischer Kommentar].

[34] DuRwtb. Duden .Die deutsche Rechtschreibung. Mannheim: Bibiographisches Institut, 2006.

[35] DuRwtb. Duden .Die deutsche Rechtschreibung. Mannheim: Bibiographisches Institut, 2006.

[36] DuRwtb. Duden .Die deutsche Rechtschreibung. Mannheim: Bibiographisches Institut, 2006.

[37] DuRwtbe. Duden .Die deutsche Rechtschreibung. Mannheim: Bibiographisches Institut, (1 cd-rom) 2005.

[38] nR. Wörterbuch der neuen Rechtschreibung. Köln: Buch und Zeit, 1999.

[39] DuRwtb. Duden .Die deutsche Rechtschreibung. Mannheim: Bibiographisches Institut, 2006.

[40] DuRwtb. Duden .Die deutsche Rechtschreibung. Mannheim: Bibiographisches Institut, 2006.

[41] nR. Wörterbuch der neuen Rechtschreibung. Köln: Buch und Zeit, 1999.

[42] nR. Wörterbuch der neuen Rechtschreibung. Köln: Buch und Zeit, 1999.

[43] DuRwtb. Duden .Die deutsche Rechtschreibung. Mannheim: Bibiographisches Institut, 2006.

[44] DuStlwtb. Duden.. Das Stilwörterbuch. Mannheim: Bibliographisches Institut, 2001.

[45] DUW . Duden. Deutsches Universalwörterbuch. Mannheim: Bibliographisches Institut, 1996.

[46] W. Wahrig. Deutsches Wörterbuch  Köln: Bertelsmann 2000.

[47] StWtb. Störig. Das groβe Wörterbuch der deutschen Sprache. Stuttgart, Parkland, 1990.

[48] DUW. Duden. Deutsches Universalwörterbuch. Mannheim: Bibliographisches Institut, 1996.

[49] StWtb. Störig. Das groβe Wörterbuch der deutschen Sprache. Stuttgart, Parkland, 1990.

[50] DUW. Duden. Deutsches Universalwörterbuch. Mannheim: Bibliographisches Institut, 1996

[51] BUGUEÑO, Félix. O que é macroestrutura no dicionártio de língua? In: ALVES, Ieda, ISQUERDO, Aparecida (orgs.). As ciências do léxico III. Campo Grande: EUFMT, p. 260-270, 2007, p. 266.

[52] Na imprensa norte-americana, por exemplo, a sigla CEO já está completamente lexicalizada.

[53] DUW. Duden. Deutsches Universalwörterbuch. Mannheim: Bibliographisches Institut, 1996.

[54] ENGELBERT, Stefan, LEMNITZER, Lothar. Lexikographie und Wörterbuchbenutzung. Tübingen: Stauffenburg, 2004, p. 134.

[55] StWtb. Störig. Das groβe Wörterbuch der deutschen Sprache. Stuttgart, Parkland, 1990.

[56] DUW. Duden. Deutsches Universalwörterbuch. Mannheim: Bibliographisches Institut, 1996.

[57] StWtb. Störig. Das groβe Wörterbuch der deutschen Sprache. Stuttgart, Parkland, 1990.

[58] DUW. Duden. Deutsches Universalwörterbuch. Mannheim: Bibliographisches Institut, 1996.

[59] StWtb. Störig. Das groβe Wörterbuch der deutschen Sprache. Stuttgart, Parkland, 1990.

[60] StWtb. Störig. Das groβe Wörterbuch der deutschen Sprache. Stuttgart, Parkland, 1990.

[61] DUW. Duden. Deutsches Universalwörterbuch. Mannheim: Bibliographisches Institut, 1996.

[62] DUW. Duden. Deutsches Universalwörterbuch. Mannheim: Bibliographisches Institut, 1996.

[63] DUW. Duden. Deutsches Universalwörterbuch. Mannheim: Bibliographisches Institut, 1996.

[64] StWtb. Störig. Das groβe Wörterbuch der deutschen Sprache. Stuttgart, Parkland, 1990.

[65] Uma informação é discreta em um dicionário quando refere um fato de norma real. Uma informação é discriminante em um dicionário quando o usuário consegue tirar proveito dela em relação ao uso da língua. Em BUGUEÑO, Félix, FARIAS, Virginia. (Informações discretas e discriminantes no artigo léxico.Cadernos de tradução 18, Florianópolis,p.115-135, 2006) propusemos esses conceitos como axiomas básicos na concepção de um dicionário.

[66] DUW. Duden. Deutsches Universalwörterbuch. Mannheim: Bibliographisches Institut, 1996.

[67] StWtb. Störig. Das groβe Wörterbuch der deutschen Sprache. Stuttgart, Parkland, 1990.

[68] SVENSÉN, Bo. Practical lexicography. Principles and methods of dictionary-making. Oxford: OUP, 1993, p. 120.

[69] MARTÍNEZ DE SOUZA, José. Diccionario de lexicografía práctica. Barcelona: Bibliograf, 1995.

[70] JACKSON, Howard, ZÉ AMVELA, Etienne. Words, meaning and vocabulary. An introduction to modern English lexicology. London: Casell, 2000.

[71] WzW.Von Wort zu Wort. Schülerhandbuch Deutsch. Berlin: Cornelsen, 2005.

[72] KIRKNESS, Alan. Das Fremdwörterbuch. In: HAUSMANN, Franz  Joseph, REICHMANN, Oskar, WIEGAND, Herbert Ernst, ZGUSTA, Ladislav (Hrsgn.) Wörterbücher, Dictionaries, Dictionnaires II. Berlin, New York: de Gruyter, p. 1168-1178, 1990.

[73] DuFrmwtb. Duden. Das Fremdwörterbuch. Mannheim: Bibliographisches Institut, 1990.

[74] DuKlFrmwtb. Duden. Kleines Fremdwörterbuch. Mannheim: Bibliographisches Institut, 1998.

[75] BUGUEÑO, Félix. Resenha ao Duden Kleines Fremdwörterbuch (1998). Expressão 6/2. Santa Maria p. 113-115, 2002.

[76] DuKlFrmwtb. Duden. Kleines Fremdwörterbuch. Mannheim: Bibliographisches Institut, 1998.

[77] DuStlwtb. Duden.. Das Stilwörterbuch. Mannheim: Bibliographisches Institut, 2001.

[78] BALDINGER, Kurt. Alphabetisches oder begrifflich gegliedertes Wörterbuch?. In: ZGUSTA, Ladislav (Hrsg.). Probleme des Wörtebuchs. Darmstadt: WBG, p.40-57, 1985.

[79] STERKENBURG, Piet van. Onomasiological specifications and a concise history of onomasiological dictionaries. In: STERKENBURG, Piet van (ed.). Practical guide to lexicography. Amsterdam: John Benjamin,  p.127-143, 2003.

[80] STERKENBURG, Piet van. Onomasiological specifications and a concise history of onomasiological dictionaries. In: STERKENBURG, Piet van (ed.). Practical guide to lexicography. Amsterdam: John Benjamin,  p.127-143, 2003, p. 134.

[81] REICHMANN, Oskar. Das onomasiologische Wörterbuch: ein Überblick. In: HAUSMANN, Franz  Joseph, REICHMANN, Oskar, WIEGAND, Herbert Ernst, ZGUSTA, Ladislav (Hrsgn.) Wörterbücher, Dictionaries, Dictionnaires III. Berlin, New York: de Gruyter,  p.1057-1067, 1991, p. 1050.

[82] dWtb. WEHRLE, Hugo, EGGERS, Hans. Deutscher Wortschatz. Ein Wegweiser zum treffenden Ausdruck. Stuttgart: Ernst Klett, 1961.

[83] dWSach. DORNSEIFF, Franz. Der deutsche Wortschatz nach Sachgruppen. Berlin: de Gruyter, 1965.

[84] dWtb. WEHRLE, Hugo, EGGERS, Hans. Deutscher Wortschatz. Ein Wegweiser zum treffenden Ausdruck. Stuttgart: Ernst Klett, 1961

[85] dWSach. DORNSEIFF, Franz. Der deutsche Wortschatz nach Sachgruppen. Berlin: de Gruyter, 1965.

[86] REICHMANN, Oskar. Das onomasiologische Wörterbuch: ein Überblick. In: HAUSMANN, Franz  Joseph, REICHMANN, Oskar, WIEGAND, Herbert Ernst, ZGUSTA, Ladislav (Hrsgn.) Wörterbücher, Dictionaries, Dictionnaires III. Berlin, New York: de Gruyter,  p.1057-1067, 1991, p. 1063.

[87] ANDERSON, Robert, GOEBEL, Ulrich, REICHMANN, Oskar. Ein Vorschlag zur onomasiologischen Aufbereitung semasiologischer Wörterbücher. Zeitschrift für deutsche Phgilologie 102. Berlin (391-428), 1983.

[88] DuSyWtb. Duden. Vergleichendes Synonymwörterbuch. Mannheim: Bibliographisches Institut, 2006.

[89] nWtbSy. KURZ, Michael. Das neueWörterbuch der Synonyme. Hamburg: Nikol, 2001.

[90] LdtSy. Lexikon der deutschen Synonyme. Eltville am Rhein: Bechtermünz, 1989.

[91] nWtbSy. KURZ, Michael. Das neueWörterbuch der Synonyme. Hamburg: Nikol, 2001.

[92] MARTÍNEZ DE SOUZA, José. Diccionario de lexicografía práctica. Barcelona: Bibliograf, 1995.

[93]  [un diccionario ideográfico que registra sistemáticamente una serie de figuras de una materia determinada con los nombres de cada una de sus partes]

[94] SCHOLZE-STUBENRECHT. Werner. Das Bildwörterbuch. In: HAUSMANN, Franz  Joseph, REICHMANN, Oskar, WIEGAND, Herbert Ernst, ZGUSTA, Ladislav (Hrsgn.) Wörterbücher, Dictionaries, Dictionnaires II. Berlin, New York: de Gruyter,  p.1103-1112, 1990, p. 1103.

[95] Para manter a fidelidade ao original, a expressão mehrsprachig foi traduzida por “purilíngüe”, embora isso não signifique necessariamente que a equivalência seja dada em mais de uma língua. A dicotomia empregada pela metalexicografia do alemão é opor einsprachig “monolíngüe” a mehrsprachig, que nessa relação opositiva significa “mais de uma língua”.

[96] DuBldwtb. Duden. Bildwörterbuch der deutschen Sprache. Mannheim: Bibliographisches Institut, 1995.

[97] DuBldwtb. Duden. Bildwörterbuch der deutschen Sprache. Mannheim: Bibliographisches Institut, 1995.

[98] Cf. DUBOIS, Jean et alii. (Dictionnaire de linguistique et des sciences du langage. Paris: Larousse, 1999) para o conceito de “realia”.

[99] DuBldwtb. Duden. Bildwörterbuch der deutschen Sprache. Mannheim: Bibliographisches Institut, 1995.

[100] PnsBldwtb. Pons Bildwörterbuch Deutsch - English – Französisch – Spanisch – Italienisch. Stuttgart: Ernst Klett, 2002.

[101] PnsBldwtb. Pons Bildwörterbuch Deutsch - English – Französisch – Spanisch – Italienisch. Stuttgart: Ernst Klett, 2002.

[102] DuBldwtb. Duden. Bildwörterbuch der deutschen Sprache. Mannheim: Bibliographisches Institut, 1995.

[103] SCHOLZE-STUBENRECHT. Werner. Das Bildwörterbuch. In: HAUSMANN, Franz  Joseph, REICHMANN, Oskar, WIEGAND, Herbert Ernst, ZGUSTA, Ladislav (Hrsgn.) Wörterbücher, Dictionaries, Dictionnaires II. Berlin, New York: de Gruyter,  p.1103-1112, 1990, p. 1110.

[104] LaGwtbDaF. GÖTZ, Dieter, HAENSCH, Günther, WELLMANN, Hans (Hrsgn.). Langenscheidts Groβwörterbuch Deutsch als Fremdpsrache. Berlin: Langenscheidt, 2006.

[105] LaTwtbDaF. Langenscheidts Taschenwörterbuch Deutsch als Fremdsprache. Berlin: Langenscheidt, 2004.

[106] BUGUEÑO, Félix. Resenha a Langenscheidts Taschenwörterbuch Deutsch als Fremdsprache (2004). Contingentia 2/2. Disponível em:                                                                                                    http://www.seer.ufrgs.br/index.php/contingentia/article/view/3871/2170. 2007.

[107] LaGwtbDaF. GÖTZ, Dieter, HAENSCH, Günther, WELLMANN, Hans (Hrsgn.). Langenscheidts Groβwörterbuch Deutsch als Fremdpsrache. Berlin: Langenscheidt, 2006

[108] Em BENEDUZI, Renata (Colocações substantivo+adjetivo: propostas para sua identificação e tratamento lexicográfico em dicionários ativos português-espanhol. 2008. Dissertação (Mestrado em Letras) – Instituto de Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008), faz-se uma exaustiva análise tanto da fundamentação epistemológica na definição conceitual do fenômeno das colocações, assim como das metodologias empregadas para a sua detecção, e conclui-se que estamos diante de um fenômeno com o qual ainda não sabemos lidar. Conseqüentemente, as metodologias empregadas para a sua detecção oferecerão sempre resultados limitados.

[109] HAUSMANN, Franz Joseph. Kollokationen im Deutschen Wörterbuch. In: BERGENHOLTZ, Henning, MUGDAN, Joachim (Hrsgn.). Lexikographie und Grammatik. Akten des Essener Kolloquiums zur Grammatik im Wörterbuch. Tübingen: Max Niemeyer, p119-129, 1985.


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