Dávalos
Excluído da Áustria católico-nacional-socialista: sobre a autobiografia de Thomas Bernhard

Patricia Miranda Dávalos


Notas

ABSTRACT

In his first autobiographical writing, the Austrian author Thomas Bernhard attempts to show his public the reason why he became the provocative writer and outsider that he was. This paper intends to analyse how this image is constructed in the book by using a specific concept of victim as well as a provocative and subjective style. On the one hand he is successful in constructing a text in which his point of view and his personality are constantly present; on the other hand it includes diverse contradictions, which will be discussed throughout this article.

Keywords:Thomas Bernhard; autobiography; Austria.


A Causa – Uma Indicação é o título do primeiro de cinco volumes autobiográficos do austríaco Thomas Bernhard e narra sua infância num internato em Salzburg ao fim da Segunda Guerra. Na primeira parte do livro, intitulada “Grünkranz”, nome do diretor da Escola Nacional-Socialista para Meninos, o autor narra sua estadia nessa instituição entre 43 e 44, enquanto, na segunda parte, “Tio Franz”, nome do padre, o novo diretor, continua a narrar sua permanência no mesmo internato, transformado em instituição católica no pós-guerra.

Esta análise procura salientar a imagem que o autor apresenta de si em sua autobiografia, ao identificar os recursos utilizados na construção de um texto tão marcado por sua personalidade, tão subjetivo, bem como fechado ao mundo exterior, do qual deseja marcar uma clara oposição.

O livro que abre este ciclo autobiográfico foi publicado em 1975, período em que o autor já gozava de fama entre o público e a crítica, e já havia consolidado sua reputação de provocador, crítico implacável da Áustria e dos austríacos. A resposta à questão do porquê da necessidade da escritura autobiográfica de Bernhard – na época com 44 anos, idade insuficiente para estabelecer um balanço de sua vida – vem ligada à resposta a uma outra questão, implícita já no título da obra: em seu texto o autor se propõe a narrar a causa do quê? Em entrevista, este afirmara que sua literatura ficaria mais ou menos “no ar” se não dissesse claramente de onde vinha tudo aquilo [1] – e com razão reconhece a necessidade de justificativas, pois o público ficava continuamente perplexo diante de um indivíduo tão polêmico, que, por suas críticas constantes ao país e seus contemporâneos, conviveu a vida inteira com ameaças e processos. Contudo, a explicação da causa de ser o que foi, ou seja, um provocador, é ela mesma uma provocação: tudo provém de Salzburg, cidade na qual freqüentou o internato, no que diz ter passado a pior época de sua vida – “tudo o que trago dentro de mim (e em mim) provém dela, de tal modo que eu e a cidade temos uma relação eterna, indissolúvel, ainda que horrorosa”.[2] A relação é caracterizada como horrorosa, pois a imagem de Salzburg também é, como já indica a epígrafe do texto: uma notícia de jornal datada de maio de 1975, ou seja, ano da publicação da autobiografia, segundo a qual a cidade detém o recorde austríaco de suicídios. Tal epígrafe estabelece – de modo provocador – uma continuidade entre a época narrada e o presente do narrador: o garoto Bernhard de treze anos, bem como seus colegas de internato, oprimidos pelas instituições nacional-socialistas, somente pensavam em suicídio. Se trinta anos depois, em 1975, as taxas continuam altas, é porque tais instituições continuam inalteradas. Isto seria uma indicação da causa de outros dois fatos: a começar, do estado de ânimo negativo e depressivo que o adulto Bernhard continua, semelhante à criança, a sentir quando chega a Salzburg, de fato ou em pensamento – a criança oprimida transformou-se no adulto provocador, mas que continua a sentir-se oprimido. A outra causa derivada da continuidade na sociedade austríaca, é uma causa hipotética, pois se trata da causa de uma ameaça a assolar o país, apresentada na forma de uma advertência: “Da noite para o dia o nacional-socialismo pode tornar a assumir o controle, substituindo o catolicismo, a cidade tem todos os pré-requisitos para tanto (...)”.[3] Se, na concepção do autor, as instituições que originaram o nazismo e o sustentaram continuam, a diferença entre o Estado totalitário e o democrático é inexistente! Cabe ainda a observação de que se há o alerta de uma substituição do catolicismo pelo nacional-socialismo, isso se dá de modo provocador, já que o par de adjetivos perpassa toda sua obra como caracterizador da essência austríaca. Segundo ele, duplamente negativa, pois vê uma equivalência entre ambos como formas opressoras contra o espírito e a liberdade.

Essa sociedade e suas instituições, duplamente opressoras, pois qualificadas constantemente como “católico-nacional-socialistas”, produziriam suas vítimas e ao longo da autobiografia o autor apresenta mais detidamente três tipos, os quais poderiam ser classificados da seguinte forma: os estudantes, a população civil durante a guerra e os excluídos da sociedade.

O livro inicia-se com uma descrição da cidade possuidora de uma beleza natural e arquitetônica que misturadas a um clima pré-alpino [4] perturbador, bem como a instituições opressoras, tornam seus habitantes vítimas desse conjunto terrível. E mais do que habitantes (Einwohner)ou pessoas (Menschen), o autor fala nesse ponto em estudantes e aprendizes (Lernende und Studierende). Foi na condição de estudante que Bernhard deixou sua família em Traunstein na Alemanha para estudar em Salzburg na Áustria, atendendo ao desejo do avô, o qual julgava que ali o neto teria uma educação melhor. No entanto, o que o garoto encontra é a já citada atmosfera perturbadora, a tornar os estudantes de tais escolas e internatos vítimas atormentadas por idéias suicidas diante da opressão de um sistema educacional rígido, baseado em duros castigos corporais – muitos estudantes chegando de fato a cometer o suicídio. O próprio Bernhard relata ter tentado enforcar-se no segundo dia ali.

O internato, a Escola Nacional-Socialista para Meninos, é descrito como palco de uma luta pela sobrevivência, onde os fortes, ou menos fracos, subjugam os fracos. O local ainda é dominado pelo terrível diretor Grünkranz, apresentado em termos do nazista clichê, sempre em seu uniforme e botas da SA, punindo violentamente e inesperadamente, um sádico, pervertido e cruel. No pós-guerra, na segunda parte do livro, os estudantes continuam como vítimas, mas agora a opressão não é mais nacional-socialista, e sim católica, pois a Escola Nacional-Socialista para Meninos é transformada no Johanneum católico, e, no lugar do oficial Grünkranz, está um padre, empregado como o novo diretor “tio Franz”, descrito como tão terrível, sádico e repressor quanto o ex-diretor nazista. Assim, o cotidiano rigoroso e as punições continuam. O autor vai além, dizendo que a única mudança perceptível é a troca da imagem de Hitler por um crucifixo. Bernhard desenvolve uma longa comparação entre o internato nazista e o católico, procurando mostrar como tudo continua igual, mas com outras denominações: ao invés de cantarem hinos nazistas acompanhados pelo piano, cantam hinos católicos acompanhados pelo harmônio; não se levantam às seis horas para ouvir as notícias do QG do , Führer, mas para receber a sagrada Comunhão; não dizem mais Heil Hitler! antes das refeições, dizem, em postura idêntica, Louvado seja Deus e bom apetite!, etc.[5] Uma vez que em A Causa a escola funciona como símbolo da sociedade – mudando-a, muda-se o país, segundo o autor –, fica implícita a continuidade entre sociedade totalitária e democrática, disso vêm as advertências anteriormente mencionadas com relação à volta do nacional-socialismo.

A segunda categoria das vítimas apresentadas, na qual os estudantes novamente se incluem, é a da população civil vítima dos bombardeios e da miséria da guerra – população, como o autor enfatiza, constituída de velhos, mulheres e crianças arrasados pela guerra e pela fome. O quadro é comovente e nada tem de irônico, até destoando do esperado pelo público desse provocador. Os exemplos do tom solidário e de episódios tocantes são vários, restrinjo-me a citar o caso da professora de inglês do autor, vinda de Hannover para Salzburg, fugindo dos ataques aéreos. Se na Alemanha perdera tudo, em Salzburg, onde esperava ficar a salvo, “não apenas perdia tudo de novo, como era morta também”.[6] Como vítimas da guerra são incluídos ainda os soldados mortos, mutilados e prisioneiros dos campos russos. No pós-guerra a desolação continua, e se não há mais as bombas, há os soldados americanos e seus “excessos sexuais”,[7] além da miséria e fome que persistem.

O terceiro tipo de vítimas são os excluídos da sociedade por suas ditas fraquezas. Para exemplificar isso, detém-se em dois indivíduos conhecidos no pós-guerra: o colega de ginásio aleijado, filho de um arquiteto, e o professor de Geografia Pittioni. O primeiro, tornado vítima por suas limitações físicas, o segundo, por ser “baixinho e careca, feioso da cabeça aos pés”[8] e por isso, alvo da zombaria de todos. Ambos pessoas excelentes, mas excluídos por suas fraquezas físicas, feitos vítimas da sociedade, que parece precisar delas, de modo que as produz, encontra um “assim chamado defeito mental ou físico”[9] e em razão disso transforma indivíduos em vítimas. A caracterização desses excluídos revela a desconfiança do autor frente às massas e aos agrupamentos em geral, na forma de comunidades ou instituições. Mesmo num grupo pequeno como a família, Bernhard identifica tal tendência de sobrevivência por meio da eleição de um membro mais fraco transformado em vítima, logo, em fonte de escárnio e divertimento dos considerados saudáveis ou normais.

O que mais espanta no modo como o autor apresenta esses três tipos de vítimas é o vocabulário usado, o qual aproxima-se do utilizado na descrição das experiências ligadas ao Holocausto. Já de início usa sempre dois termos combinados, vítima (Opfer) e aniquilação (Vernichtung), ambos usualmente ligados ao relato das experiências dos campos. No caso do internato, dominado pelo nazista sádico, o retrato é o de um cárcere, no qual os alunos seriam prisioneiros: o autor fala da lotação e condições adversas – 35 garotos abandonados num quarto sujo e fedorento, lutando para sobreviver, onde só se admite obediência e silêncio. A época é dominada por dois medos: primeiro o medo de tudo e de todos, pois não se confia em ninguém, os fortes aniquilando os fracos; depois, o medo de Grünkranz, surgindo e punindo de forma arbitrária – a vida inteira o autor continua a sonhar com o ex-diretor!

Os relatos de sobreviventes dos campos usualmente coincidem em descrições da arbitrariedade da violência [10] empregada pelos guardas como forma de manifestação de poder, das condições difíceis da sobrevivência, da dificuldade em levar-se uma vida normal após os campos. Assim, ao público de Bernhard, ainda que não fossem especialistas no assunto, é fácil identificar as alusões. Para exemplificar o afirmado, proponho a comparação de trechos da obra do austríaco com trechos de depoimentos de sobreviventes dos campos apresentados no livro de Todorov, Em face do extremo.[11]

Aos sobreviventes do Holocausto ficava sempre a dúvida se, fora dos campos, poderiam algum dia ter uma via normal, se seriam felizes novamente. Porém, a brutalidade desta experiência produziu em grande parte deles danos irreparáveis, nas palavras de Todorov “(...) os sobreviventes dos campos se tornaram, na sua grande maioria, pessoas depressivas e sofredoras. A proporção de suicidas é anormalmente alta entre eles, como a de doenças mentais ou físicas”.[12] Bernhard em sua descrição dos “sobreviventes” do internato se expressa em termos semelhantes:

    (...) o jovem saído ou fugido de uma tal instituição ou internato (...), seja ele quem for e independente do que venha a se tornar, nada mais será do que alguém humilhado até a morte, uma natureza desesperançada, e portanto uma natureza irremediavelmente perdida para o resto da vida, para o resto de uma existência sempre aniquilada [vernichtet] por sua passagem por um tal cárcere educacional na condição de prisioneiro, viva ela ainda quantas décadas for, como ou onde viver.[13]

Na descrição da população civil, as semelhanças continuam: fome, luta pela sobrevivência, que os torna indiferentes ao sofrimento alheio, “(...) à morte audível e visível desse ou daquele semelhante”.[14] “Na cidade, (...) não pensavam em outra coisa que não fosse sobreviver – de que forma, era-lhes já indiferente”[15] – essas são palavras de Bernhard, mas poderiam ser dos sobreviventes apresentados por Todorov. Isso é perceptível na seguinte citação, palavras de Tadeuz Borowski, ex-prisioneiro de Auschwitz: “Tínhamos nos tornado indiferentes ao sofrimento dos outros; para sobreviver, era necessário pensar apenas em si (...)”.[16]

E, na apresentação dos excluídos, no caso, do garoto aleijado e do professor, a proximidade dos registros prossegue. Vejamos as seguintes observações do autor: “o grau de vileza que a zombaria, o escárnio, a destruição e a aniquilação [Vernichtung] dessas vítimas é tal que sem mais, uma tal vítima é morta”,[17] ou ainda “(...) a sociedade ou comunidade de fato experimenta nelas [nas vítimas] toda a sorte de crueldade e vileza, e o faz quase sempre até matá-las”.[18] O autor conclui então que séculos nada mudaram nesse tocante, pelo contrário, “os métodos foram aprimorados, tornando-se ainda mais terríveis e infames”.[19]

Sem ignorar ou desmerecer o sofrimento das vítimas retratadas por Bernhard, seu estilo é provocador se pensarmos que fala dos austríacos, cristãos, e, com todas as ressalvas, pertencentes ao grupo dos considerados responsáveis pelo nacional-socialismo, como se falasse das vítimas do Holocausto, estas completamente ausentes de seu texto. A omissão com relação aos crimes dos campos é no mínimo curiosa, uma vez que ele acusou constantemente, em obras e entrevistas, sua sociedade e seus contemporâneos de nazistas. É ainda mais curioso o silêncio do provocador Bernhard se compararmos sua autobiografia, por exemplo, à da austríaca Ruth Klüger[20] . A autora nasceu em 1931, mesmo ano de Bernhard, ou seja, viveu na Áustria na mesma época em que ele, até ser mandada para um campo de concentração. Na Viena de Klüger, judeus usam estrelas em seus casacos, não podem se sentar nos trens, e aumenta a cada dia o número de estabelecimentos proibindo a entrada de judeus e cães. A Causa narra a infância do autor a partir de 1943. Logo, poderia-se argumentar que os judeus não estavam mais lá, o que justificaria a omissão, pois o narrador se propõe a permanecer fiel à época narrada. Contra esse argumento, no entanto, opõem-se dois outros: a autobiografia do autor constitui-se de cinco volumes, num deles, Uma Criança (Ein Kind), é narrado o período anterior a 1943, no qual também não há referências ao assunto. O outro argumento seria o de que se o Holocausto está fora da percepção da criança, o mesmo não se pode dizer do adulto. Aqui vale observar que o autor não se atém a sua ressalva de apresentar o texto apenas do ponto de vista da criança: a visão do adulto está constantemente presente, estabelecendo relações entre seu presente e o tempo narrado. Sendo assim, tal silêncio é curioso, já que não parece ironia, muito menos tentativa de estabelecer uma equivalência entre as vítimas, como ocorreu no pós-guerra imediato – não há qualquer elemento no texto a sustentar tal afirmação.

Enquanto adulto, o autor apresenta-se na autobiografia como quem aponta verdades inconvenientes, as quais seus contemporâneos querem esquecer. É ele a lembrar os mortos da guerra, mas todos esses mortos são austríacos bombardeados ou soldados. Quanto ao resto de sua família, omite-se de apresentar a perspectiva destes sobre a política de extermínio: o avô era absolutamente contra o nacional-socialismo, criticando-o sempre de forma abstrata, assim como o neto fez ao longo de toda sua obra, ou seja, por tirar a independência dos homens. Sabe-se que seu tio e padrasto foram soldados da Wehrmacht, mas esses fatos são apenas aludidos, permanecem meras indicações.

É preciso notar ainda que se Bernhard fala das vítimas austríacas como se falasse das dos campos, antes de tudo usa tal proximidade de registros para falar de si mesmo, pois ao apresentar três categorias de vítimas em seu livro, identifica-se com as três: ele é um dos estudantes potencialmente suicidas, é um dos civis nos abrigos antibombas e é um dos excluídos da sociedade – chega a dizer que na época do ginásio, era o terceiro de uma aliança com o garoto aleijado e o professor de Geografia –, de modo que o autor configura-se no livro como uma espécie de vítima total.

Assumindo uma posição, aliás bastante cômoda, de vítima, Bernhard exime-se de responder a questão que seu público, na década de setenta, numa sociedade que se define em oposição ao nacional-socialismo, provavelmente colocaria a essa geração de escritores, a qual viveu, ainda que na condição de crianças ou adolescentes, sob esse regime, a saber: tornou-se ele de certa forma culpado? Com isso não se espera que jovens de quatorze anos sejam responsabilizados pelo nacional-socialismo, contudo, a sociedade exige um posicionamento frente ao tema, e, enquanto na autobiografia de Bernhard as posições do autor, bem como de sua família, estão ausentes, a resposta a tal questão é tematizada nas autobiografias da maioria dos intelectuais que viveram no período.[21] Se a maioria não pode assumir uma culpa individual, afinal, eram adolescentes ao fim da guerra, assumem uma espécie de culpa abstrata e coletiva, partilhando de responsabilidade por pertencerem ao grupo dos considerados “criminosos”. Essa parece ser mesmo a atitude ética mais aceitável, como considera o já citado Todorov, para quem os habitantes dos países totalitários também seriam responsáveis, cúmplices, culpados por vezes não de matar, mas de “manter o silêncio, de repetir fórmulas perigosas, de levantar a mão direita sem nada dizer”.[22]

Nas autobiografias dos intelectuais que cresceram sob o nacional-socialismo é ainda comum haver uma distância entre o "eu narrado" e o "eu narrador", o adulto marcando uma cisão, repreendendo o jovem que fora, como, por exemplo, o faz Christa Wolf em seu Kindheitsmuste (1976).[23] A autora condena a jovem de quinze anos ao fim da guerra, por ter pertencido a uma associação nazista para garotas. Aparentemente Bernhard também pertencera a uma associação semelhante, a Juventude Hitlerista, fato que pode passar despercebido ao leitor, por ser apenas aludido na seguinte passagem “(...) ainda éramos obrigados a vestir o uniforme e a cantar as canções da Juventude Hitlerista aos domingos”[24] – no original se limita às siglas HJ-Uniform e HJ-Lieder, no entanto, transparentes ao seu público. Essas alusões parecem não afetar a auto-imagem de si como alguém desvinculado da mentalidade de sua época. Diz mesmo que, graças à educação recebida dos avós, “nunca sequer corri o risco de incorrer numa tal fraqueza de caráter e espírito”,[25] ou seja, não há qualquer espaço para partilhar culpa quando se é (ou se sente) vítima tão absoluta, um excluído – o papel que resta ao adulto não é o de confessar algo, mas é o de crítico incômodo, como já mencionado. E, no entanto, cabe a ressalva de que, apesar do sentimento de vítima, a autobiografia apresenta uma história de sucesso. diferente da ficção, na qual lemos sobre loucos e suicidas, aqui o autor mostra como, em suas próprias palavras, “(...) eu, sozinho e contra todos, acabei por me tornar cada vez mais forte”.[26] Assim, se a vitimização o exime da responsabilidade ou da necessidade de tematizar os eventos relativos ao Holocausto, também aumenta o mérito do adulto, o qual apesar de todas as adversidades, tornou-se o escritor, e, se há problemas na sociedade, ele nada tem a ver com ela.

Essa é, aliás, a grande cisão presente na obra do autor, substituindo a distância eu-narrado/eu-narrador, presente na maioria dos textos autobiográficos, ou seja, a cisão agora é eu-vítima/mundo-católico-nacional-socialista. No início, Bernhard até utiliza um recurso comum nas autobiografias para marcar distância entre o eu atual e a criança que fora: falar de si na terceira pessoa. No entanto, tal expediente logo é abandonado, e há ao longo do texto o domínio do “eu”, sinalizando unidade entre o que fora e o que é.[27] E se, por vezes, faz a ressalva de pretender narrar o que o garoto de 13 anos sentira na época, não o que pensa hoje – o que poderia até amenizar suas provocações – o autor se trai a todo instante, ao constatar que o que sentia é o que o pensa de fato, ou a intuição da época mostra-se hoje uma certeza – jogo com o qual o leitor se depara ao longo de todo o texto.

Além do vocabulário remeter à experiência do Holocausto, cabe ainda observar um aspecto formal do texto também ligado às necessidades da escritura autobiográfica configurada por Bernhard e que chama a atenção até dos leitores mais desatentos: o modo como o autor constrói seu texto ignorando qualquer divisão de parágrafos, utilizando longos encadeamentos de períodos e orações subordinadas, quase desconsiderando o uso do ponto final, ou no mínimo, adiando-o ao máximo. Tem-se a impressão da existência de uma necessidade quase compulsiva de narrar, como se, ao tomar a palavra, o autor não abrisse mão dela nem por um segundo, construindo um texto que se apresenta como um bloco único, sem fissuras. Mesmo uma operação simples, familiar a todo leitor, como seria a interrupção momentânea da leitura ao fim de um capítulo, parágrafo, ou ainda da exposição de uma idéia, torna-se problemática diante de um bloco tão compacto, cujas frases se entrelaçam numa trama tão firme.[28] A divisão do texto em duas partes, “Grünkranz” e “Tio Franz”, que poderia sinalizar ruptura ou mudança, na verdade é um recurso a acentuar a provocação, pois a divisão só salienta como a segunda parte (o pós-guerra) é igual à primeira (sociedade nazista), estabelecendo-se a já apontada continuidade entre totalitarismo e democracia. De onde viria tal compulsão para narrar, se o texto carece de elementos realmente épicos? Não há descrições, a ação é reduzida, as personagens não são apresentadas em sua complexidade – poucas são individualizadas, a maioria aparece em sua coletividade, na condição de austríacos, de habitantes de Salzburg, ou de estudantes. As relações sociais são apresentadas de forma pobre e o mundo exterior, ao contrário da linguagem sem fissuras, é um mundo fragmentado, não só pelas ruínas físicas, mas pela experiência da guerra como um todo, a qual impede o desenvolvimento das ações mais simples, das rotinas básicas, pois tudo que se pode fazer é esperar o próximo bombardeio. Mesmo o ato elementar de trocar de roupas antes de dormir é impossível, quando se deve estar preparado para deixar o lar a qualquer momento por causa das bombas.

A carência de um mundo exterior rico e de relações sólidas é compensada por uma vida anímica intensa e é isto a personalidade do autor, seus pensamentos e julgamentos que perpassam o texto, garantindo-lhe a unidade. A voz do escritor Bernhard, mais que a do garoto de treze anos retratado na autobiografia, está presente a todo instante, construindo uma escrita que poderia até ser chamada de autoritária: os fatos são apresentados de forma extremamente subjetiva, unilateral, sem qualquer possibilidade para o leitor de sequer vislumbrar outros discursos divergentes do discurso do autor. Ao menos não há uma tentativa séria de apresentar outras vozes, na medida em que isso é possível, de forma objetiva, pois quando Bernhard insere no texto vozes diferentes da sua, o faz em seu modo usualmente provocador, quase sempre as criticando. Enfim, trazer o outro é um recurso utilizado para sobrecarregar o texto de sua própria visão.[29] A unilateralidade do texto é tal que exclui até o diálogo e a transmissão da voz alheia seja pelo recurso ao discurso direto ou ao indireto. Fórmulas como “ele disse” ou “ele pensou” são praticamente inexistentes. A já referida separação eu-mundo – separação desejada, pois o mundo é visto como negativo – atinge tal grau que o autor tenta eliminar de seu texto qualquer possibilidade de polifonia, qualquer vestígio do mundo exterior. A forma do texto reflete a tentativa de construção de uma personalidade que nada tenha a ver com o mundo no qual vive, que se oponha a este, mas que, tem de admitir, está impregnada por ele! Assim, como se reconhece hoje ser o nacional-socialismo o trauma central da formação das identidades austríaca e alemã – por identificação ou repulsa, não sendo possível indiferença –, Bernhard coloca a sociedade austríaca católico-nazista como trauma central da formação de sua personalidade, e a repulsa é tal que constrói um texto fechado às vozes externas, pois estas teriam traços do complexo odiado ou ameaçariam de algum modo a sua própria voz. A construção é autoritária no sentido de calar os outros a fim mostrar-se ao leitor na imagem desejada de outsider, excluído de uma sociedade injusta; no entanto, para tal acaba por usar na construção de seu texto os elementos fascistas tão criticados.

Essa seria uma das contradições deste escrito autobiográfico: por meio de um conceito particular de vítimas, com o qual se identifica, aliado a uma construção sólida, impermeável ao mundo exterior, torna-se possível dar voz ao então excluído. Este, por sua vez, cala os outros, trazendo outras vozes apenas para destruí-las e reforçar a sua, sem interesse algum da objetividade que se poderia esperar de um gênero referencial, ainda que se trate de uma autobiografia, com todas as suas especificidades. Mesmo a voz da criança é suplantada a todo instante pela do adulto, a figura a dominar o texto, ignorando o compromisso de fidelidade ao passado referido em diferentes pontos. Sem diálogos ou elementos realmente épicos, o texto assemelha-se a um grande monólogo que traz à tona o interior do autor, o qual domina o exterior. O presente externo desencadeia a lembrança do passado, e essa recordação remete novamente ao presente, resultando na referida continuidade e no texto subjetivo que o leitor tem em mãos.

Bernhard, curiosamente, faz uma única vez em seu livro o uso do discurso direto, quando apresenta citações de Montaigne, e o modo como as incorpora ao texto é digno de nota. Vejamos o seguinte exemplo, em que a citação aparece após a constatação de que todas as pessoas próximas ao autor estão no cemitério da cidade, o que o deprime: “(...) não trazem senão lembrança insuportável, fadada a me debilitar e a me deprimir com as reflexões que suscitam. Às vezes, passa por minha cabeça não expor assim a história da minha vida. Mas esta declaração pública me obriga a seguir no curso já tomado, como diz Montaigne”.[30] A última frase é certamente de Montaigne, mas e a anterior? É de Bernhard ou do autor dos Ensaios? As duas respostas são plausíveis. O austríaco tem Montaigne como um dos autores de seu cânone pessoal e as citações feitas ao longo do texto – há outras[31] – são sempre apresentadas de forma direta, não parafraseadas, mas sem o uso de aspas ou itálico, causando por vezes dificuldades ao leitor em distinguir quem é o autor da frase. Além disso, todas aparecem no modo indicativo. Em alemão, se houvesse desejo de marcar a inserção não ambígua de uma voz alheia, poder-se-ia fazer uso de um tempo verbal específico, o Konjunktiv I. Bernhard, contudo, não faz uso de tal expediente, incorporando as palavras de Montaigne em seu texto como se fossem suas, Lembrando que conheceu o ensaísta através do avô e sendo os dois os grandes mestres de Bernhard, com os quais quer ser identificado, ambos são apresentados como indivíduos geniais, e justamente por isso excluídos de suas sociedades, da mesma forma como o autor apresenta-se ao leitor na autobiografia. Logo, a citação de Montaigne é, por um lado, outro expediente usado para garantir a já mencionada unidade do texto; por outro lado, é uma forma de endossar a necessidade do empreendimento autobiográfico na forma como Bernhard o concebe. Isso porque as citações de Montaigne presentes no texto referem-se todas ao caráter que deve assumir a escrita de si: o autor declara a necessidade de descrever a si mesmo, por mais doloroso que seja. Além disso, Montaigne afirma ser a matéria de seu texto não o mundo, nem mesmo seus próprios atos, mas sim sua essência.

Como esse texto procurou demonstrar, é essa essência individual, sua personalidade que Bernhard apresenta ao leitor por meio de seu escrito e em todos os recursos utilizados. Tanto em sua concepção de vítima excluída do mundo a sua volta, quanto na forma adotada, são todos expedientes para marcar suas idéias e julgamentos. Assim, como seu interior em relação ao mundo exterior, para mostrar que é a continuidade na sociedade a responsável por fazer da criança excluída o adulto ainda excluído, o qual não pode compactuar com uma mentalidade considerada fascista, nacional-socialista, egoísta e utilitarista. O adulto busca sustentar-se às custas de outros, seja dos estudantes indefesos, ou dos considerados mais fracos devido a seus “defeitos”, e por isso somente pode encarar a cidade como sua “terra estrangeira natal”[32] (no original “heimatliche(s) Ausland”). Desta forma, justifica perante si e seu público a posição de crítico – dada a necessidade de mudanças – e a posição de outsider, imposta à criança, depois acolhida pelo adulto, pois dadas as circunstâncias, seria a única aceitável. Contudo, essa separação eu-mundo, contida no movimento constante de acusar o exterior e de vitimizar-se, gera certas dificuldades, porque o autor, querendo ou não, fazia parte dessa sociedade. Tais dificuldades são mais perceptíveis quando o autor trata do nacional-socialismo, pois ao mesmo tempo em que acusa seu povo de nazista, cala-se sobre o Holocausto e, no retrato que faz do fim da guerra, acaba por mostrar-nos uma sociedade que não demonstra qualquer prazer com a mesma, ou com a política vigente, e sim sofre com as misérias do conflito. O tom é comovente e realmente precisa sê-lo, porque não conseguiria retratar apenas a si como vítima da guerra, nesse ponto não é possível excluir-se da sociedade! Somos quase tentados a imaginar se o resultado dessa necessidade, ainda que indesejado, o desagradaria, pois se sentia muito mais confortável no papel de Nestbeschmutzer do que no de solidário, já que acima de tudo, considera mais produtiva a provocação: “Erregung ist ja ein angenehmer Zustand, bringt das lahme Blut in Gang, pulsiert, macht lebendig und macht Bücher”.[33]


Notas

[1] “Meine Literatur, die ich geschrieben hab', hängt ja mehr oder weniger in der Luft, wenn man nicht eindeutig irgendwann einmal sagt, woher kommt das alles, nicht?” In: HOELL, Joachim. Thomas Bernhard, Munique: dtv, 2000, p. 111.

[2] BERNHARD, Thomas. “A Causa”. In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 155. As próximas citações de Bernhard, quando se tratarem da mesma obra, conterão apenas a indicação de página no corpo do próprio texto.

[3] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 187.

[4] As críticas às condições metereológicas são apenas mencionadas de forma provocadora, o autor não se preocupa em desenvolver a alusão ou esclarecer os supostos efeitos nocivos do clima sobre os habitantes.

[5] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 176 e 184.

[6] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p.144.

[7] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p.178.

[8] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 208.

[9] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 209.

[10] “Seguia sentindo medo crescente do Grünkranz, que, onde quer que me encontrasse, chamava meu nome e me dava um safanão sem motivo nenhum: ele aparecia, chamava meu nome e me dava um safanão, como se esse fato, ou seja, o (...) aparecimento da minha pessoa, onde quer que fosse, constituísse pretexto natural para me bater”(BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem, São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p.159). Não é o mesmo sentimento relatado pelos ex-prisioneiros dos campos, de que era como se sua existência, e só isso, fosse o crime pelo qual estavam sendo punidos?

[11] TODOROV, Tzvetan. Em face do extremo. São Paulo: Papirus, 1994.

[12] TODOROV, Tzvetan. Em face do extremo. São Paulo, Papirus: 1994, p. 288.

[13] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 132.

[14] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 143.

[15] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem, São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 161.

[16] TODOROV, Tzvetan. Em face do extremo. São Paulo: Papirus, 1994, p. 40.BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 210.

[17] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 210.

[18] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 211.

[19] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 211.

[20] KLÜGER, Ruth. Weiter leben. Munique: dtv, 1997.

[21] Por exemplo: WOLF, Christa. Kindheitsmuster. 1976; de BRUYN, Günter. Zwischen Bilanz. Eine Jugend in Berlin. 1990; GRASS, Günter. Beim Häuten der Zwiebel.  2007; FEST, Joachim. Ich nicht. 2006; HARI, Ludwig. Weh dem, der aus der Reihe tanzt. 1990.

[22] TODOROV, Tzvetan. Em face do extremo. São Paulo: Papirus, 1994, p. 164.

[23] WOLF, Christa. Kindheitsmuster.  1976.

[24] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 157.

[25] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 184.

[26] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 197.

[27] O uso da terceira pessoa, embora escasso, aparece no texto normalmente em momentos em que o adulto quer marcar explicitamente sua não identificação com as idéias da criança, por exemplo, quando o garoto revolta-se com o avô por tê-lo posto no internato. Se na época a criança era “incapaz sobretudo de  entender a atitude do avô, responsável direto por sua educação, (...) hoje sei que meu avô não teve escolha (...)” (BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p..131). Na passagem, a volta ao uso da primeira pessoa mostra  a compreensão do adulto frente à figura do avô, seu grande mentor, daí a necessidade de preservar a imagem do mesmo.

[28] Exemplos desses encadeamentos labirínticos, cujos referentes vão se confundindo durante a leitura, multiplicam-se ao longo da obra. O trecho escolhido para ilustrar tal recurso encontra-se já nas primeiras linhas do texto. A tradução habilmente manteve a extensão do período, mas teve de recorrer a inversões e antecipações de conteúdo, a fim de preservar a inteligibilidade, de modo que aqui, apresenta-se o original: “Die extremen, den in ihr lebenden Menschen fortwährend irritierenden und enervierenden und in jedem Falle immer krankmachenden Wetterverhältnisse einerseits und die in diesen Wetterverhältnissen sich immer verheerender auf die Verfassung dieser Menschen auswirkende Salzburger Architektur andererseits, das allen diesen Erbarmungswürdigen bewußt oder unbewußt, aber im medizinischen Sinne immer schädliche, folgerichtig auf Kopf und Körper und auf das ganze diesen Naturverhältnissen ja volkommen ausgelieferte Wesen drückende, mit unglaublicher Rücksichtslosigkeit immer wieder solche irritierende und enervierende und krankmachende und erniedriegende und beleidigende und mit großer Gemeinheit und Niederträchtigkeit begabte Einwohner produzierende Voralpenklima erzeugen immer wieder solche geborene oder hereingezogene Salzburger, die zwischen den, von dem Lernenden und Studierenden, der ich vor dreißig Jahren in dieser Stadt gewesen bin, aus Vorliebe geliebten, aber aus Erfahrung gehaßten kalten und nassen Mauern ihren bornierten Eigensinnigkeiten, Unsinnigkeiten, Stumpfsinnigkeiten, brutalen Geschäften und Melancholien nachgehen und eine unerschöpfliche Einnahmequelle für alle möglichen und unmöglichen Ärzte und Leichenbestattungsunternehmer sind”. BERNHARD, Thomas. Die Ursache. Salzburg: Residenz Verlag, 1975.

[29] Falar de objetividade no caso de uma autobiografia exige algumas ressalvas, pois toca em problemas inerentes ao gênero. Este posiciona-se na fronteira entre literatura e História: ao mesmo tempo em que o público a considera um texto referencial, no qual o autor assumiria um compromisso de representar a realidade como foi, é impossível a qualquer escritor abrir mão de sua percepção subjetiva dos fatos. Bernhard parece estar ciente das expectativas de seu público ao afirmar inúmeras vezes ter a intenção de narrar os sentimentos do estudante em Salzburg, o que seria uma forma de garantir ao leitor um compromisso com a verdade – ao menos a da criança. O compromisso é desconsiderado, pois se, por um lado, é impossível subtrair-se ao momento da escrita, que influencia o modo como o passado é visto; por outro, não há um esforço nesse sentido. O leitor que busca algum tipo de verdade no texto encontra a que ele pode e quer oferecer: uma verdade subjetiva e pessoal.

[30] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 200.

[31] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 195 e 207.

[32] BERNHARD, Thomas. “A Causa” In: Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 180.

[33] AUTOR. Thomas BernhardEine Begegnung (Gespräche mit Krista Fleischmann). Viena: Österreichische Staatsdruckerei, 1991, p.


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Curriculo Lattes

 

 



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